17 políticos que podem levar Goiânia do século 20, o irista, para o século 21, o dos goianienses

MDB corre risco se bancar Iris Rezende para prefeito da capital. Porque falta sintonia entre os eleitores e o veterano emedebista

Iris Rezende, prefeito de Goiânia

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, do MDB, começa a dizer que não será candidato à reeleição. Ressalve-se que o ex-deputado Vilmar Rocha (PSD) costumar sugerir que o alcaide só é candidato quando diz que não será candidato. Desta vez, porém, depois de dois anos sofríveis e, sobretudo, pouco criativos, é provável que o veterano emedebista, que terá 87 anos em 2020, o ano da disputa, abra espaço para a renovação. Porque, se não entender que a onda mudancista permanece firme e disputar um quinto mandato de prefeito, poderá ser derrotado e encerrará sua longa carreira política de maneira melancólica. Goiânia tem outros nomes a oferecer e que, independentemente de idade — o problema de Iris Rezende não é sua faixa etária, e sim de mentalidade —, podem renovar a prefeitura. A lista a seguir está em ordem alfabética, e não de favoritismo, porque as pesquisas, no momento, são preliminares.

Adriana Accorsi, deputada estadual |Foto: Divulgação

Adriana Accorsi/PT

Pode-se não se gostar do PT, inclusive das administrações do partido na capital. Mas a jovem deputada estadual Adriana Accorsi foi eleita duas vezes basicamente com os votos da cidade fundada há 85 anos por Pedro Ludovico Teixeira. Ela tem forte presença entre segmentos organizados. A petista enfrenta dois problemas: o desgaste do PT, que contamina principalmente seus candidatos majoritários, e a dificuldade do partido em articular uma frente política ampla. O PT tradicionalmente é isolacionista. Quando fez aliança com o MDB, elegeu Paulo Garcia a prefeito.

Agenor Mariano, ex-vice-prefeito de Goiânia | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Agenor Mariano/MDB

O secretário de Administração do paço municipal já foi vice-prefeito e é um dos políticos mais ligados a Iris Rezende. Mas há, no MDB, políticos que sugerem que, na fila, estão na sua frente. É jovem e já foi vereador.

Bruno Peixoto, deputado estadual

Bruno Peixoto/MDB

Comenta-se que Iris Rezende o veta, por avaliar que articula mais para si e para seu grupo. Mas o deputado estadual Bruno Peixoto quer disputar. Curiosamente, entre os emedebistas, é o que mais está estudando projetos para a cidade. Jovem, afirma que gostaria de promover uma modernização ampla da capital. Noutras palavras, gostaria de colocar Goiânia, em definitivo, no século 21. No momento, por causa do alcaide, está no século 20, mais precisamente na década de 1960 — o tempo em que os mutirões eram uma “revolução”.

Outro problema de Bruno Peixoto é que não aglutina o MDB. Não tem o apoio nem de Iris Rezende nem dos Vilelas (Maguito e Daniel).

Cristina Lopes, vereadora | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cristina Lopes/PSB ou PDT

A vereadora é moderna, respeitada e atuante. Faz uma oposição consistente à gestão de Iris Rezende. Suas críticas ao “não-sistema” de saúde da gestão do prefeito são, no geral, precisas. Falta a Cristina Lopes partido político (seu PSDB está em frangalhos) e capacidade de articular uma frente ampla. Se o PSB aceitá-la como candidata, com o apoio do deputado federal Elias Vaz e do senador Jorge Kajuru, passa a ser uma postulante eleitoralmente viável. Mas Elias Vaz é o drummond em seu caminho.

Se for para o PDT ganha um partido, mas não uma base política em Goiânia.

Daniel Vilela, presidente do MDB em Goiás | Foto: Fernando Leite

Daniel Vilela/MDB

O projeto de Daniel Vilela é disputar o governo de Goiás em 2022 ou uma vaga no Senado, dependendo da coligação. Mas, se disputar a prefeitura, seria um sopro de renovação em Goiânia. Consta que Iris Rezende o veta. Mas como vetar o presidente regional do MDB? Não tem lógica.

Elias Vaz, deputado federal | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Elias Vaz/PSB

O deputado federal Elias Vaz teve uma atuação destacada como vereador. Consta que Iris Rezende chegou a dizer que a Câmara era Elias Vaz e os outros. O senador Kajuru é seu principal cabo eleitoral. Ajuda? Muito. Mas não basta ter o apoio do líder do PSB no Senado para ganhar uma eleição majoritária. Sem uma frente política, impossibilitada por causa das críticas de Kajuru ao senador Vanderlan Cardoso, Elias Vaz permanece como um candidato consistente e competitivo, mas pode acabar não se elegendo.

Elias Vaz teria força para um chega-lá-pra-lá suave em Kajuru? Não. Porque o senador é muito maior, em termos eleitorais, do que ele. Tanto que algumas pesquisas de intenção de voto indicam que, hoje, Kajuru lidera para prefeito. Não há como dispensá-lo da linha de frente da campanha.

Francisco Júnior, deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Francisco Júnior/PSD

O deputado federal Francisco Júnior consegue uma proeza: tem votos de católicos — é ligado à Renovação Carismática — e de evangélicos. Porque é apontado como um político conservador. Porém, se é conservador em termos de comportamento, é progressista em termos de administração. Ele está estudando Goiânia há vários anos e tem projetos para modernizá-la, para atualizá-la. Líder do PSD, é um articulador habilidoso e pode conquistar o apoio do PP do senador Vanderlan Cardoso, do deputado federal Adriano do Baldy e do secretário de Transportes do governo de São Paulo, Alexandre Baldy.

Em 2016, fez uma campanha moderna e ganhou o aplauso sobretudo da juventude. Naquela eleição, faltou-lhe base política sólida. Em 2020, se conseguir montar uma frente ampla e manter uma comunicação arejada com a sociedade, suas chances de ser eleito crescem.

José Nelto, deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

José Nelto/Podemos

Pode-se falar bem ou mal do deputado federal José Nelto. Mas não se pode assinalar que não sabe fazer política. Foi eleito em 2018, colaborou para a eleição do governador Ronaldo Caiado e tende a ter influência na disputa de 2020. Na Câmara dos Deputados, tornou-se líder do Podemos e tem apresentado posições firmes e corajosas. Foi pioneiro nas críticas à Enel, que costuma chamar de “Errenel”, empresa que, segundo ele, ganha dinheiro em Goiás, mas não investe no Estado, e manda seus lucros para a Itália.

O Podemos dificilmente aceitará que dispute a Prefeitura de Goiânia, porque não quer perder um deputado federal, sobretudo atuante. Por isso ele possivelmente deve compor com outro candidato — como Elias Vaz ou Francisco Júnior. No palanque de Iris Rezende, porque o prefeito perdeu sintonia com a cidade, não subirá. José Nelto pode bancar o empresário Eduardo Machado para prefeito.

Maguito defende conciliação no MDB

Maguito Vilela, ex-governador de Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Maguito Vilela/MDB

Há quem acredite que, politicamente, Maguito Vilela está aposentado. Na verdade, não está. Se Iris Rezende não for candidato a prefeito, seria o postulante do MDB mais consistente, em termos eleitorais e de experiência como gestor (foi governador de Goiás e prefeito de Aparecida de Goiânia). Se for candidato, pode atrair até mesmo o PP de Vanderlan Cardoso e Alexandre Baldy — o que abriria uma nova negociação política para 2022.

Numa pesquisa, perguntaram: “Qual o candidato mais qualificado para gerir Goiânia?” Maguito Vilela apareceu empatado ao lado de Vanderlan Cardoso.

Major Araújo, deputado estadual

Major Araújo/PSL

O deputado estadual é um político posicionado. Ele sempre recebe boas votações para o Parlamento. Pode não conseguir montar uma frente política para consolidá-lo como um candidato competitivo. O deputado federal Delegado Waldir Soares é um cabo que pode ser chamado de general eleitoral. Mas, para eleição majoritária, é preciso de mais aliados, não se pode fiar apenas num puxador de votos. Assim como Francisco Júnior, está estudando a cidade e tem projetos para modernizá-la.

Samuel Belchior, ex-deputado estadual | Foto: Jornal Opção

Samuel Belchior/MDB ou DEM

O governador Ronaldo Caiado gostaria de apoiar Samuel Belchior para prefeito de Goiânia. Alegando que o jovem também teria o apoio de Iris Rezende. Mas o empresário afirma, de maneira peremptória, que não vai postular. Se for candidato, disputaria pelo MDB ou pelo DEM? É provável que o MDB de Daniel Vilela não o apoie, porque, em 2018, Samuel Belchior atuou como coordenador da campanha de Ronaldo Caiado. E, se for candidato pelo DEM, como quer o governador, não terá o apoio de Iris Rezende. Porque, se o prefeito apoiar candidato do DEM, o grupo de Daniel Vilela lança candidato pelo MDB.

Talles Barreto, deputado estadual | Foto: Fernando Leite

Talles Barreto/PSDB

O PSDB parecia morto e enterrado. Mas eis que, da Assembleia Legislativa, surgiu um deputado aguerrido, do qual não se esperava muito, dada sua trajetória de político moderado, e articulou uma oposição firme e sólida ao governo de Ronaldo Caiado (DEM). Ele quer ser candidato a prefeito, mas o PSDB pode participar de uma frente ampla para tentar derrotar tanto o candidato de Iris Rezende quanto de Ronaldo Caiado.

Thiago Albernaz, deputado estadual | Foto: Divulgação

Thiago Albernaz/SD

O deputado estadual Thiago Albernaz, do Solidariedade, é neto daquele que é considerado um dos melhores, senão o melhor, prefeitos de Goiânia: Nion Albernaz. Mas, se disputar pelo Solidariedade, sem apoio maciço, dificilmente terá alguma chance. Se se filiar ao PP, bancado pelo senador Vanderlan Cardoso e pelo ex-ministro Alexandre Baldy, passa para a lista dos postulantes competitivos.

Vanderlan Cardoso, senador | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Vanderlan Cardoso/PSB

O senador Vanderlan Cardoso tem força política em Goiânia. Não quer ser candidato, e pode apoiar Francisco Júnior para prefeito. Mas, se for candidato, é considerado forte até pelos adversários. Porque tem experiência administrativa, tem apelo no eleitorado evangélico e pode articular uma frente política para bancá-lo. Mas há quem aposte que vai se resguardar para 2022., deputado

Virmondes Cruvinel, deputado estadual | Foto: Divulgação

Virmondes Cruvinel/Cidadania

O deputado estadual é forte nos segmentos organizados, como Adriana Accorsi. Tem discurso, é apontado como sério e articulado. A ressalva é que, sem uma ampla frente política, terá dificuldade de apresentar uma candidatura competitiva.

Wilder Morais, ex-senador | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Wilder Morais/Pros

O ex-senador e secretário da Indústria e Comércio do governo de Goiás é um articulador eficiente e tem recursos financeiros para bancar sua candidatura. Mas uma eleição majoritária cobra alianças políticas mais densas — e basta ter money. O DEM de Ronaldo Caiado dificilmente vai apoiá-lo. Se apoiar, ele se torna um candidato, política e eleitoralmente, consistente.

Zacharias Calil, deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Zacharias Calil/DEM

O médico Zacharias Calil é muito bem-visto em Goiânia, sobretudo por seu trabalho no setor da saúde. A ressalva é que não quer ser candidato. Mas pesquisas do momento sugerem que, dos possíveis candidatos ligados ao governador Ronaldo Caiado — como Wilder Morais, Samuel Belchior e o próprio Iris Rezende —, é o de maior apelo popular. Em 2018, gastando uma ninharia e sem padrinhos políticos, foi o terceiro deputado federal mais bem votado.

Alto risco

Conclusão possível: com tantos nomes, muitos deles qualificados, Goiânia precisa mesmo de Iris Rezende, um prefeito que não investe o suficiente em saúde, educação e transporte coletivo? Tudo indica que não. O próprio MDB, partido do alcaide, tem nomes consistentes, como Maguito Vilela, Samuel Belchior, Bruno Peixoto, Agenor Mariano, Daniel Vilela. O MDB quer perder? Se quer, basta bancar o atual prefeito — um “investimento” de alto risco.

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Hulda Morais

Grata por tantas pessoas competentes para concorrer um cargo no executivo . Assim teremos tempo suficiente para descobrir quem poderá se adequar melhor . Isso é democracia