O preço da carne bovina acumula queda de 2,7% no acumulado nos três primeiros meses do ano, segundo o IPCA, índice que mede a inflação brasileira. Analistas preveem que a queda poderá chegar a 5% até o final de 2023, mas alertam que os preços ainda não retornarão aos patamares pré-pandemia.

A Conab prevê que a quantidade disponível de carne bovina, frango e porco será de 20,77 milhões de toneladas neste ano, o que representa um aumento de 5% em relação a 2022. Essa oferta maior de carnes pode ser explicada, em parte, pela redução no custo de produção, com a queda nos preços dos grãos como soja e milho, que servem como alimentação para os animais.

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“O custo da nutrição animal está menor agora em 2023”, afirma Fernando Iglesias, analista sênior da consultoria Safras & Mercado. Com a oferta maior de carne, espera-se que o preço do alimento caia.

Alexandre Maluf, da XP Investimentos, prevê uma queda de até 5% nos preços da carne bovina neste ano, e Iglesias, da Safras, afirma que a redução no preço da carne de boi ficará em torno de 5% em 2023.

Cenário

Nos últimos 4 anos, preço disparou quase 70% e dificilmente voltará tão cedo ao que era antes da pandemia. No acumulado em 4 anos até março, o preço médio dos cortes bovinos ainda têm alta de 67,6%. Ainda assim, a mesa do brasileiro deve ser um pouco mais farta neste ano.

“Não dá para esperar por quedas muito contundentes. De qualquer forma, a carne bovina está mais acessível à população”, diz Iglesias, da Safras. As carnes de porco e de frango também devem ficar mais baratas. Os motivos são os mesmos por trás da redução no valor da carne bovina: o custo menor de produção dos animais. A estimativa dos analistas é de que essas carnes fiquem cerca de 10% mais em conta.

E a picanha?

Bastante mencionada pelo presidente Lula (PT) durante a campanha eleitoral de 2022, a picanha foi o corte com o menor recuo no preço em 2023, segundo a XP. A queda foi de apenas 0,8% no acumulado no 1º trimestre, e em 12 meses registrou alta de 1,8%. Em abril, o quilo da picanha em São Paulo, no atacado, custava entre R$ 60 e R$ 62.

A estimativa é de Iglesias, da Safras e Mercado. Nos supermercados e açougues, o quilo do corte sai por volta de R$ 80 para o consumidor. O corte de carne que teve maior redução no preço em 2023 foi o filé-mignon.

Segundo o levantamento da XP, a peça teve queda de 6,5% no 1º trimestre. Alcatra e contrafilé também tiveram quedas acima da média da inflação neste ano: 4,5% e 3,7%, respectivamente. Em 1 ano, o filé mignon acumula queda de quase 7%, enquanto o preço médio de carnes recuou 3%. Os preços não vão voltar ao que eram em 2018 ou 2019. Mas a carne vai estar mais presente na mesa da população brasileira.