O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira, 29, o programa Desenrola Adimplentes, nova iniciativa do governo federal voltada a trabalhadores informais e consumidores que mantêm suas dívidas em dia, mas enfrentam dificuldades para acessar crédito com juros mais baixos.

O anúncio foi feito durante cerimônia no Palácio do Planalto e integra o pacote de ações que o governo pretende apresentar antes do período de restrições imposto pela legislação eleitoral.

Diferentemente da primeira versão do Desenrola Brasil, criada para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes, o novo programa tem como foco pessoas que mantiveram o pagamento regular de seus financiamentos, mas ainda convivem com empréstimos contratados em condições consideradas desfavoráveis.

Para participar, o principal requisito é ter quitado em dia pelo menos quatro parcelas de uma dívida de até R$ 15 mil. A expectativa do governo é que esses consumidores possam substituir operações mais caras por linhas de crédito com taxas de juros menores.

Além do Desenrola Adimplentes, o governo também anunciou uma nova linha de crédito destinada a estudantes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que estejam em dia com os pagamentos e desejem abrir o próprio negócio.

Governo quer evitar aumento da inadimplência

Segundo a equipe econômica, a proposta busca atender um público que ficou fora das etapas anteriores do Desenrola Brasil e reduzir o risco de que consumidores com bom histórico financeiro acabem se tornando inadimplentes devido ao elevado custo do crédito.

Nos últimos meses, integrantes do Ministério da Fazenda defenderam publicamente a criação de um programa específico para os chamados “bons pagadores”, argumentando que eles também enfrentam dificuldades financeiras, especialmente trabalhadores informais.

A avaliação do governo é que a redução do custo dos empréstimos pode aliviar o orçamento das famílias e ampliar o acesso ao crédito em condições mais favoráveis.

Febraban vê baixa adesão dos bancos

Apesar da expectativa do governo, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avalia que o programa deverá enfrentar baixa adesão por parte das instituições financeiras.

Segundo interlocutores do setor, a entidade colaborou com o governo no levantamento de informações sobre o público potencial da iniciativa, mas decidiu não oferecer apoio institucional ao novo programa.

Com isso, a participação ficará a critério de cada banco, que poderá decidir individualmente se oferecerá ou não as linhas de crédito previstas no Desenrola Adimplentes, de acordo com sua política de concessão de empréstimos.

A posição difere da adotada durante o Novo Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas de inadimplentes, quando a Febraban participou ativamente da construção da iniciativa.

O governo, por sua vez, aposta que a concorrência entre as instituições financeiras estimulará a oferta de crédito com condições mais competitivas para os consumidores que mantêm um histórico positivo de pagamentos.

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