De acordo com a Serasa Experian, os idosos são a parcela da população que mais enfrentam um aumento significativo da inadimplência no Brasil. A pesquisa revela que, diferentemente de outras faixas etárias, as contas de água, luz e gás representam 39,7% do total das dívidas não pagas entre os idosos, enquanto a média de inadimplência de todas as faixas etárias é de 22% para as contas básicas.

Muitas vezes, os idosos são os membros da família que possuem uma renda mensal fixa, proveniente de aposentadoria ou pensão. Diante das necessidades familiares, eles acabam arcando com as contas a pagar aqui e ali. No entanto, devido aos orçamentos frequentemente no vermelho em muitos lares, a busca por crédito acaba se tornando uma necessidade, na esperança de obter melhores condições no futuro para pagar os empréstimos e também as despesas diárias.

Segundo a economista Adriana Fileto, dentre os fatores que mais contribuem para o endividamento dos idosos, destacam-se a vulnerabilidade e o elevado comprometimento da renda com empréstimos.

“No que se refere vulnerabilidade, muitos idosos apresentam dificuldades físicas (visão e audição) e de cognição mesmo. Os contratos dos serviços financeiros são elaborados com letras pequenas e apresentam termos técnicos complexos. Os idosos muitas vezes têm dificuldade de ouvir e se sentem envergonhados de perguntar o que não entenderam bem. Eles precisam de maior tempo para compreender as informações financeiras e na maioria das vezes tendem a aceitar opiniões de terceiros sem entenderem bem do assunto tratado”, afirma a especialista.  

Com a estagnação da economia, o desemprego, a renda apertada e os juros elevados, que consomem grande parte do orçamento das famílias, a Serasa aponta que em abril deste ano 71,4 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. Os idosos acima de 60 anos representam 12,8 milhões desse contingente.

Grande vilão

Um recurso buscado por aposentados e pensionistas é o crédito consignado, que ainda apresenta altas taxas de juros, comprometendo grande parte da renda dos idosos, que além das contas básicas também têm gastos com saúde, incluindo medicamentos, muitos deles de uso contínuo. Para a economista, muitas empresas se aproveitam desta situação.

“O crédito muitas vezes é “empurrado” para o idoso, ou seja, a concessão irresponsável do crédito acaba levando o idoso a contrair empréstimos, como o empréstimo consignado, sem saber ao certo o impacto do mesmo em seu orçamento”, afirma.

As despesas com saúde e cuidados pessoais registraram um aumento de 9,21% nos últimos 12 meses até março, muito acima da inflação geral da terceira idade, que aumentou 4,06% no mesmo período, de acordo com a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), realizado pela Fundação Getúlio Vargas.

O premiado documentário Covardia Capital revela os abusos da concessão irresponsável do crédito e as consequências geradas para as famílias de idosos no Brasil. Vale a pena conferir e refletir sobre o assunto: