A ‘herança maldita’, expressão usada pela presidente nacional do Partido Trabalhista (PT), Gleisi Hoffmann, para se referir ao cenário econômico do país, no qual Lula irá herdar do ministro da Economia de Bolsonaro (PL), Paulo Guedes, parece não ser tão ‘maldito’. Isso porque o governo Bolsonaro irá deixar a atual situação econômica do país mais confortável para Lula (PT) do que quando o mandatário assumiu a presidência em 2018.

Pelos números, a última ‘herança maldita’ foi deixada por Dilma Rousseff, que deixou o cargo de presidente após sofrer um impeachment no ano de 2016, devido a fraude fiscal que cometeu durante o mandato, a fim de maquiar os números do seu governo.

Superávit

Segundo dados do Banco do Brasil, em 2021, após sete anos de contas deficitárias, o governo brasileiro alcançou um superávit primário de 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2022, a projeção é de novo superávit.

Neste ano, o gasto da União será menor em 0,5 ponto porcentual do PIB do que em 2018, último ano do governo de Michel Temer, que assumiu o Palácio da Alvorada no lugar de Dilma. Será a primeira vez desde a redemocratização que um presidente entregará ao sucessor um gasto inferior àquele recebido do governo anterior.

PIB

O PIB brasileiro, embora tenha desacelerado no 3º trimestre (alta de 0,4% em relação ao trimestre anterior), atingiu, ao fim do período entre julho e setembro, o maior patamar da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996 (R$ 2,54 trilhões). Também ficou 4,5% acima do nível pré-pandemia, registrado no 4º trimestre de 2019.

Além disso, o resultado do PIB em 2021, revisado pelo IBGE, registra uma expansão de 5% no ano passado. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o governo Bolsonaro deve terminar com um crescimento médio do PIB, entre 2019 e 2022, de 1,5%. O é desempenho inferior à média dos governos FHC e Lula, mas superior aos resultados obtidos por Dilma.