O primeiro levantamento da safra de grãos 2023/24 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi feito com cautela devido às incertezas climáticas no Brasil. Embora preveja uma colheita de 317,5 milhões de toneladas, apenas 1,5% a menos que o recorde da safra anterior, a Conab alerta que o El Niño e eventos climáticos extremos podem afetar os números finais.

O diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, mencionou que, até o momento, o plantio das principais culturas está em linha com a safra passada. No entanto, eles estão preocupados com o El Niño, que pode causar excesso de chuvas no Sul e falta de chuvas no Centro-Norte e Nordeste do Brasil. O foco está no desenvolvimento das lavouras e em como o clima as afetará.

Um exemplo de preocupação é o cultivo de arroz, que deve ver um aumento na área plantada e na produção após 13 anos de quedas consecutivas. No entanto, o El Niño pode afetar negativamente a produtividade, especialmente no Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção de arroz do país.

O clima também levou os produtores do Paraná a reduzir a área plantada de feijão na primeira safra. Apesar disso, a produção total deve ser preservada, já que Minas Gerais, um estado importante em termos de produtividade, não deve sofrer impactos climáticos.

Porto enfatizou os ganhos de produção e produtividade em várias culturas do Rio Grande do Sul nesta safra, devido à superação da seca nas temporadas anteriores. Segundo Silvio Farnese, diretor de Comercialização e Abastecimento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, o Brasil mantém uma produção saudável, suficiente para abastecer o mercado interno e cumprir contratos de exportação, contanto que as condições climáticas se mantenham favoráveis.

Edegar Pretto, diretor-presidente da Conab, mantém a expectativa otimista de que o Brasil possa superar o recorde da safra anterior, com um aumento na área plantada. Isso deve resultar em uma redução de custos na produção de proteína animal, contribuindo para garantir uma oferta de alimentos de qualidade no país.

Clima no mundo com o fenômeno El Niño. | Fonte: Climate Reanalizer

A mais recente simulação do Bureau of Meteorology – centro australiano – tem uma sinalização de quando o El Niño vai se “estabilizar”. As projeções indicam que o evento deve atingir a sua máxima intensidade, em níveis classificados como fortes, em dezembro e permanecer assim ainda em janeiro.