Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões e fechamento de 298 lojas
17 agosto 2026 às 18h32

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Após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia recorreu à Justiça para tentar reorganizar as finanças e renegociar dívidas. O pedido de recuperação judicial foi apresentado no domingo, 16, após aprovação do conselho de administração e do acionista controlador.
A medida ocorre poucos dias depois de a companhia iniciar o fechamento de 298 lojas em diferentes regiões do país, movimento que pode resultar no desligamento de cerca de 3 mil funcionários. Os cortes fazem parte de um plano de redução de despesas e reestruturação das operações diante do agravamento da situação financeira do grupo.
Segundo a companhia, a recuperação judicial busca permitir a reorganização das obrigações financeiras sem interromper as atividades. A empresa atribui parte das dificuldades ao cenário econômico marcado por juros elevados, crédito mais restrito, aumento dos custos financeiros e redução da capacidade de consumo das famílias.
Prejuízo supera R$ 11 bilhões no semestre
As perdas se intensificaram ao longo deste ano. Nos primeiros seis meses de 2026, o prejuízo líquido acumulado chegou a R$ 11,2 bilhões. Considerando os 12 meses encerrados em junho, o saldo negativo alcançou R$ 13,2 bilhões.
A empresa afirma, porém, que parte do resultado está relacionada a efeitos considerados não recorrentes. Desconsiderando esses fatores, o prejuízo do segundo trimestre teria sido de R$ 978 milhões.
Entre os impactos extraordinários apontados pela companhia estão baixas de ativos, despesas relacionadas à reestruturação e outros ajustes contábeis.
A situação financeira da varejista já vinha sendo acompanhada pelo mercado. O balanço do segundo trimestre, inicialmente previsto para quarta-feira, 12, foi adiado para sexta-feira, 14. Na ocasião, a companhia informou que precisava concluir procedimentos relacionados às informações contábeis antes da aprovação e divulgação dos resultados.
Quase 300 lojas fechadas e até 3 mil demissões
O fechamento de 298 lojas começou na sexta-feira, 14, e representa quase 30% das pouco mais de mil unidades que estavam em funcionamento no país.
Funcionários de diferentes regiões relataram ter encontrado estabelecimentos fechados ao chegarem para trabalhar. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, cerca de 600 trabalhadores teriam sido demitidos na quinta-feira, 13, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil desligamentos estavam previstos para o dia seguinte.
Com os cortes associados à reestruturação, o número total de demissões pode chegar a aproximadamente 3 mil trabalhadores.
A redução da estrutura física já havia começado antes. No balanço referente ao primeiro trimestre, encerrado em março, a companhia informou o fechamento de 12 unidades da Casas Bahia e outras 14 do Pontofrio.
A nova etapa do plano prevê concentrar recursos em lojas, canais e categorias considerados mais rentáveis, além de reduzir o capital empregado nas operações e os custos de financiamento.
Apesar dos fechamentos, a companhia afirma que pretende manter o funcionamento das demais lojas físicas, além das operações de comércio eletrônico e de outros negócios do grupo.
Além das marcas Casas Bahia e Pontofrio, o grupo mantém operações como o Extra.com.br, a fabricante de móveis Bartira, a plataforma financeira Casas Bahia Pay e a operação logística CBfull.
Crise financeira se arrasta há anos
As dificuldades financeiras da companhia não começaram em 2026. Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial para reestruturar parte de suas dívidas e melhorar a estrutura de capital.
Na ocasião, a situação foi tratada por meio de um acordo com instituições financeiras. Mesmo após a renegociação, porém, a varejista continuou enfrentando vendas pressionadas e despesas financeiras elevadas.
O alto endividamento das famílias brasileiras e a manutenção dos juros em patamares elevados também são apontados entre os fatores que dificultam a recuperação do setor varejista, especialmente em segmentos dependentes de compras parceladas, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a Casas Bahia também estaria ampliando prazos de pagamento a fornecedores e registrando atrasos em repasses a lojistas que comercializam produtos pelo marketplace da companhia.
Recuperação judicial ainda precisa ser ratificada
O pedido de recuperação judicial foi apresentado em caráter de urgência e ainda deverá ser submetido à ratificação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Com o processo, a companhia pretende renegociar suas obrigações com credores, fortalecer a geração de caixa e manter as operações enquanto tenta reorganizar sua estrutura financeira.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas em dificuldades financeiras. O processo permite a apresentação de um plano para renegociação de dívidas, prazos e condições de pagamento, com o objetivo de evitar a interrupção das atividades da companhia.
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