Israel aprovou a comercialização e consumo da carne bovina cultivada em laboratório pela Aleph Farms, uma startup israelense que emprega tecnologia para “imprimir” produtos à base de células animais. O primeiro produto a ser lançado será o “Petit Steak”, um bife produzido a partir de células de animais Angus premium.

Segundo a empresa, o preço da carne será comparável ao da carne bovina convencional de qualidade premium. A carne é composta por células de óvulos fertilizados de uma vaca Angus preta premium, combinadas com uma “matriz” de proteína vegetal derivada de soja e trigo.

Essa é a primeira aprovação para a venda de carne bovina cultivada em laboratório no mundo. Anteriormente, os Estados Unidos e Cingapura haviam autorizado a comercialização de carne cultivada, mas de origem avícola. A Aleph Farms já fechou um acordo com a BRF para distribuir a carne bovina de laboratório no Brasil e solicitou autorização para vendê-la em Cingapura, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

A Aleph Farms desenvolveu uma tecnologia que permite a replicação das células de vaca em escala, sem a necessidade de utilizar novos animais como matriz. A partir de óvulos coletados de uma vaca chamada Lucy, criada em uma fazenda na Califórnia, EUA, as células foram fertilizadas e desenvolvidas até o ponto em que o embrião possui diferentes tipos de células, incluindo aquelas que formam tecidos como músculos.

Parte das células é congelada e parte é cultivada em tanques, onde se desenvolvem. Enquanto em uma vaca, uma rede de proteínas serve como suporte para o desenvolvimento celular, nos tanques da Aleph Farms, uma matriz de proteínas vegetais de soja e trigo desempenha essa função. O processo de produção leva cerca de quatro semanas.

É importante destacar que as células de vaca não são geneticamente modificadas nem imortalizadas, ou seja, não são capazes de se proliferar indefinidamente em cultura. Além disso, o processo de produção não envolve o uso de antibióticos.

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