O Brasil registrou juro real de 8,45% ao ano e ocupa o primeiro lugar no ranking mundial, à frente de Rússia e Colômbia. O dado consta em levantamento realizado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence. O economista Márcio Dourado explica que o juro real corresponde à taxa de juros descontada a inflação e, na prática, mostra quanto um investimento efetivamente rende acima da alta dos preços.

“Imagina só um investimento seu que rende 10%. Se a inflação foi de 5%, então, na verdade, o seu rendimento foi só de 5%”, exemplifica.

Já em termos nominais, sem descontar a inflação, o Brasil aparece na quarta posição, com a taxa Selic em 13,75% ao ano, atrás da Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%). Segundo Dourado, a manutenção dos juros em patamar elevado está relacionada à estratégia do Banco Central para controlar a inflação, mas provoca efeitos sobre diferentes áreas da economia.

Dourado avalia que a atual política monetária poderia ser diferente. “Eu discordo da atual política do Banco Central, mas é algo bastante complicado de tentar convencê-los. Entra presidente do Banco Central, sai presidente do Banco Central, e essa taxa não baixa. É para segurar a inflação, mas a inflação está controlada”, afirma.

economista Márcio Dourado | Foto: Arquivo Pessoal

“Quando o Banco Central estabelece isso, ele faz um garroteamento, ou seja, segura a economia do país em diversos pontos”, afirma.

O economista também questiona a meta de inflação estabelecida no país. “O Brasil a persegue nos últimos 20 anos. Nós chegamos à inflação abaixo dessa meta em apenas dois anos”, acrescenta.

Como a Selic chega ao bolso do consumidor

Dourado explica ainda que o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) está relacionado à negociação e liquidação de títulos públicos. Segundo ele, a dívida pública brasileira está acima de R$ 9 trilhões.

O especialista destaca que emprestar recursos ao governo por meio da aquisição de títulos públicos é considerado, em boa parte da literatura econômica, uma modalidade de investimento de baixo risco.

A Selic, por sua vez, funciona como a taxa básica de juros da economia e influencia as condições cobradas em empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito para pessoas físicas e empresas.

“Ninguém vai querer me vender um carro cobrando menos que 13,75%. Ninguém vai querer te vender uma geladeira ou fazer um empréstimo para você financiar a sua empresa cobrando menos que 13,75%. Então, é por isso que a gente fala que é a taxa de juros de referência da economia, porque ninguém gosta de perder dinheiro”, explica.

Na prática, juros elevados encarecem o crédito e podem dificultar decisões de consumo e investimento. O impacto também chega às empresas que dependem de financiamento para ampliar suas atividades.

“Agora você imagina o cara que quer expandir uma fábrica, quer implantar um negócio, não tem o dinheiro todo e precisa pegar um pouco desse dinheiro emprestado. O sonho da pessoa é adiado, ou ela vai ter que pagar um juro que vai quase inviabilizar o negócio dela”, conclui.

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