Juiz Abílio Wolney Neto apresenta coleção de livros com palestra sobre obra de Bernardo Élis
17 junho 2026 às 10h36

COMPARTILHAR
O juiz do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Abílio Wolney Aires, apresentará nesta sexta-feira, 19, uma palestra dedicada a discutir os fatos históricos que inspiraram a obra O Tronco, do escritor goiano Bernardo Élis. O evento é gratuito e será realizado no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), localizado na Rua 82, no Setor Sul, em Goiânia.
Segundo o magistrado, em entrevista ao Jornal Opção, a iniciativa também servirá para apresentar sua coleção de cinco livros intitulada O Barulho e os Mártires. As obras buscam reavaliar o legado de seu antepassado, Abílio Wolney, retratado por Bernardo Élis como um típico e violento coronel da Primeira República (1889–1930).
Para Abílio Neto, entretanto, seu antepassado era um parlamentar e advogado provisionado que viveu por muitos anos na cidade de Goiás e protagonizou disputas fundiárias contra a oligarquia dominante da época, liderada pelo ex-governador Antônio Ramos Caiado (1874–1967). “A figura do Abílio vai ser confundida na ficção com algo que não bate com a realidade”, afirma.
Você poderia dizer que ele é um coronel de fazenda porque o pai dele tinha 16 mil cabeças de gado, mas a cidade de São José do Duro era uma cidade que tinha menos de 30 casas de taipa.
Segundo o magistrado, o título de sua obra faz referência a uma expressão sertaneja utilizada para designar conflitos e confrontos. Nesse contexto, o “barulho” de Abílio seria a perseguição sofrida por seu antepassado por parte das autoridades locais, episódio que culminou na chamada Chacina dos Nove.
O conflito envolveu jagunços ligados a Abílio Wolney e forças policiais do antigo Estado de Goiás, que, segundo a narrativa apresentada por Aires, atuavam a mando do governo estadual.
O massacre recebeu esse nome em razão da morte de nove reféns mantidos no “tronco” — um cômodo do sobrado onde ocorreu o episódio. Contudo, Aires destaca um aspecto pouco explorado pela ficção: a existência de 72 mulheres e crianças que teriam sido mantidas presas em um casarão em frente ao local e que, segundo ele, quase foram executadas por um cabo da polícia, sendo salvas pela chegada de Abílio Wolney e seus homens.
Leia também: Academia Goiana de Letras recebe Jorge Forbes para palestra sobre Psicanálise e Literatura



