Enquanto governo federal efetua novo bloqueio no orçamento da educação — R$ 328,5 milhões — e corta recursos para mitigar desastres naturais, a pauta da semana continua sendo a polarização entre maçonaria e satanismo

No caso da educação pública federal, somando os demais bloqueios ao longo do ano, a retenção chega a R$ 763 milhões. Na manhã de quinta-feira, 6, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Ricardo Marcelo Fonseca, afirmou em entrevista à GloboNews que o corte no orçamento da Educação anunciado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) afetará a verba para água, luz, segurança, limpeza e restaurantes e irá “inviabilizar” as universidades.

E, no quesito de obras emergenciais de mitigação para redução de desastres, o Ministério de Desenvolvimento Regional reduziu o orçamento de R$ 2,8 milhões em 2022 para R$ 25 mil em 2023, para a execução de projetos e obras de contenção de encostas em áreas urbanas foi de quase R$ 54 milhões para R$ 2,7 milhões. Pautas que teoricamente seriam importantes — Educação e Meio Ambiente — não ganham aderência entre a população.

Nesta semana, a maior quantidade de buscas no Google foram as palavras “Bolsonaro e Maçonaria”. Seria cômico (se não fosse absurdo) diante de tantos temas maiores para falar: crimes de racismo contra nordestinos, fome, produção industrial em queda, escalada da violência. As redes sociais e o universo informacional do século XXI facilitam o escoamento das notícias tendenciosas e falsas de maneira extremamente rápida e eficiente.

As fake news, ao misturarem verdade e mentira, fazem as pessoas duvidarem de suas percepções e a pergunta “Isso parece tão absurdo, será que é verdade?” deixa de ser feita porque essas notícias normalmente vêm combinadas com títulos e imagens impactantes. A receita do sensacionalismo é para provocar reações emocionais em quem as recebe.

Só que o emprego de estratégias de desinformação na cena política não teve início com a internet. É sabido que existem vários recortes da realidade. A inovação dessa desinformação surge na “viralização”. É quando se recebe três vídeos em grupos diferentes da mesma coisa. É no direcionamento e segmentação das mensagens. Foi no processo eleitoral de 2018, no Brasil, que o processo de produção de fake news ganhou escala industrial incentivando o ódio, preconceito e discriminação. De lá para cá, não raro, o alvo dessas fake news giram em torno de ataques às mulheres, à comunidade LGBTQIA+, aos negros e aos imigrantes e/ou refugiados (venezuelanos), mas também à mídia brasileira.