Frederico Jotabê
Frederico Jotabê

Briga interna pode comprometer projeto de 2022 do Patriota em Goiás

Contenda entre integrantes da sigla exposta em convenção nacional gera dúvidas sobre o projeto futuro no estado, que desenha uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas

Embora o caminho tende a ser longo e tortuoso sobre um desfecho da briga interna no Patriota nacional, que foi parar na Justiça, o embate gera dúvidas quanto ao projeto de crescimento do partido em Goiás.

Sob a batuta de Jorcelino Braga, secretário geral da executiva nacional, o Patriota no estado desenha para 2022 uma candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. A sigla visa se colocar como uma terceira opção diante da polarização prevista para a disputa, tendo o governador Ronaldo Caiado (DEM) de um lado e de outro, ainda indefinido, com o PSDB de Marconi Perillo, ou mesmo o MDB, que vive o dilema de novamente encabeçar chapa ou se aliar aos demistas.

Para isso, o Patriota atraiu para suas fileiras o ex-prefeito de Trindade, Jânio Darrot, que saiu bem avaliado da sua gestão e fez o seu sucessor numa das principais cidades da região metropolitana de Goiânia. Além de Jânio na cabeça de chapa, o partido busca construir uma chapa competitiva para Câmara Federal.

Hoje, a sigla em Goiás conta com um deputado, o ex-governador Alcides Rodrigues, que deve disputar a reeleição e buscar os votos no Sudoeste goiano, principalmente na região de Santa Helena, onde seu filho é prefeito reeleito. A pretensão da legenda é avançar com a conquista de mais cadeiras na bancada federal, e um dos nomes cotados para essa disputa é o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo.

Convenção tumultuada

O embate entre o grupo do atual presidente nacional do Patriota, que era do antigo PEM, e de Braga, vice-presidente nacional do antigo PRP, começou dias antes da convenção nacional da sigla na segunda-feira (31). Adilson é acusado cometer uma série de irregularidades contra o atual estatuto do partido, retirando sem autorização de outros membros nomes em cargos convencionais, para formar maioria e garantir que os interesses de seu grupo fossem aprovados em convenção.

A reunião partidária foi marcada pela presença do filho 01 do presidente Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro, que votou favorável ao novo estatuto, mas que presenciou a confusão com o abandono no meio da convenção de integrantes da legenda, entre eles o colega de parlamento, deputado Fred Costa.

As controversas mudanças patrocinadas por Adilson levaram o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, a acatar um pedido de investigação para apurar possíveis irregularidades. As alterações abrem o caminho para que o presidente Bolsonaro e seu grupo que estão sem partido, após a saída do PSL, possam ingressar na legenda.

Aliás, esse é um dos pontos da guerra travada entre o grupo de Adilson e Braga. Após a confusão na segunda-feira, Adilson tentou desgastar os adversários publicamente dizendo que eles não queriam o Bolsonaro e cia no partido. A resposta de Braga pública é que seu grupo não é contra ao ingresso do presidente, mas questiona a forma que isso tem ocorrido. O secretário geral destacou por várias vezes que a bancada do partido no Congresso está entre as mais fiéis ao governo.

No entanto, a guerra abre espaço para que integrantes da legenda – descontentes com os rumos do partido – já tente criar dificuldades ainda com a iminente filiação de Bolsonaro. Na terça-feira (1º), uma nota no jornal Folha de S.Paulo confirmava que o vice-presidente do Patriota, Ovasco Altimari, convidou o apresentador José Luiz Datena a ser candidato à Presidência pelo partido.

A briga nas instâncias superiores da legenda – que surge em 2019 após a fusão do PEN com o PRP – coloca em xeque o projeto futuro do partido em Goiás. Se o grupo comandado por Braga perder na Justiça a contenda contra o presidente nacional, a sigla em Goiás já de imediato deve sofrer uma importante baixa, que é o próprio secretário geral.

Jorcelino Braga já disse que não tem condições de permanecer caso a Justiça imponha uma derrota ao seu grupo. “Se perdermos, não há condições de ficarmos no partido. Você acha que eu vou conviver com um sujeito desse nível. Não há mais condições”, disse Jorcelino Braga ao Jornal Opção, no início da semana, sobre a conduta de Adilson Barroso à frente da executiva nacional.

Embora a chegada de Bolsonaro posso fortalecer a legenda, inclusive em Goiás, a saída de Braga tende resultar em outras defecções e resultar em novo desenho ao partido para sucessão estadual em 2022. O Patriota, que caminhava para se tornar um player importante no processo eleitoral no estado, pode virar um mero coadjuvante.

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