Wilder Morais caminha a passos de tartaruga na expectativa de se tornar uma lebre
18 abril 2026 às 21h00

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O pré-candidato ao governo de Goiás pelo Partido Liberal, o famoso PL, Wilder Morais, tem agido de um jeito que chama atenção até daqueles que já têm muito tempo de bagagem na política. O modo como o senador age para tentar engrenar a sua campanha tem ares de um jogo de pôquer. A cada jogada, um blefe diferente. Mas, diferente do jogo de cartas, na política, isso não tende a ter um resultado satisfatório.
Wilder se mostra isolado na sua corrida ao Palácio das Esmeraldas. Recentemente, recebeu apoio do Novo em uma solenidade que esteve presente junto com pré-candidata a vice, Ana Paula Rezende. Entretanto, chamou atenção o fato de poucas lideranças do PL no local: apenas o Major Vitor Hugo esteve presente. Major, ao Jornal Opção, disse que irá caminhar com Wilder porque tem uma dívida de gratidão devido às eleições de 2022, onde o empresário o apoiou nas eleições gerais daquele ano quando disputou o Palácio das Esmeralda e conseguiu mais de 500 mil votos.
Até chego a me questionar: será que Wilder terá tamanha capilaridade política no Estado? Alguns podem responder que sim, até mesmo porque ele foi eleito senador com 799.022, um número visivelmente superior ao alcançado pelo Major. Mas o cenário agora é outro. Ronaldo Caiado (PSD) deixa um governo ainda mais bem avaliado do que registrava naquela época. Outros nomes competitivos vieram à tona, como o de Gracinha Caiado (UB) para a Casa Legislativa. A corrida se mostra afunilando e parece que Wilder não tem observado isso. Quem observou não tem demostrado muito interesse de caminhar com ele.
Gustavo Gayer é o exemplo disso: caso o famoso acordo tivesse dado certo, a chapa governista tinha apenas dois nomes: o dele e de Gracinha. As chances de Gayer ser eleito era grande, temos de convir. Agora, Gayer entra em um grupo que não conseguimos saber quem estará em cima do palanque de quem para pedir apoio. Soa como “cada um por si, e Deus por todos”.
Esse contorno ainda ganha mais nuances se lembrarmos do Acorda, Goiás!. Evento que foi realizado na Tatersal de Elite, no último dia 11 de abril, em Goiânia, e contou com grandes lideranças do PL, como Michelle Bolsonaro, Nikolas Pereira, Bia Kicis, Carlos Jordy e outros nomes locais, como Amauri Ribeiro, Coronel Urzêda, entre outros. O fato que chamou atenção é que, durante todo o evento, o nome de Wilder sequer foi mencionado. Como não mencionar o nome do homem que, além de pré-candidato, é presidente estadual da sigla em Goiás?

O prestígio de Wilder parece abalado no seio familiar, conforme mostrado pela coluna Bastidores: no mesmo dia, em uma roda de conversa no Restaurante Piquiras do shopping Flamboyant três empresários e dois deputados conversavam animadamente sobre política e falavam exatamente sobre o isolamento político dele.
Além de Gayer, um dos presentes lembrou que Wilder não tem apoio nem de Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis, que foi eleito pelo PL, e que já demonstrou que irá caminhar com o projeto do governador Daniel Vilela (MDB). Neste momento, um dos empresários falou que “a coisa está tão feia que nem um sobrinho de Wilder Morais vai apoiá-lo para governador”.
Outro empresário acrescentou: “Trata-se de Willis Morais, filho de um irmão de Wilder Morais e verdadeiro xodó da mãe do senador. Ele será candidato a deputado estadual pelo União Brasil e quer distância do tio, de quem fala mal em três turnos: de manhã, à tarde e à noite. De madrugada, descansa a língua para falar mal, sempre mal, do parente no dia seguinte”.

Tudo isso demonstra que Wilder é uma pessoa que nasceu para gerir: a iniciativa privada. E é com ela que o senador parece estar acreditando que o fará sentar na cadeira de chefe do Executivo de Goiás. Ele conta ainda com a expressividade do bolsonarismo, certo de que lhe impulsionará durante a campanha. Será? Apesar dos tempos mudarem, a política ainda necessita de articulação. Sem ela, pouco provável de alçar um voo longo. No máximo, uma rápida rasante.
Não é de hoje que reclamam do fato do presidente do PL não ter diálogo com os demais integrantes do partido. Prefeitos e parlamentares já relataram aos ventos de que ser convidado para participar de uma reunião dentro da legenda é algo raro – para não dizer inexistente. Com isso, muitos que não se sentiam pertencentes à sigla decidiram migrar para partidos da base governista, onde o diálogo tem ocorrido com mais frequência.
No levantamento feito pela Paraná Pesquisas, Wilder Morais aparece com 11,5% das intenções de votos referentes à pesquisa estimulada, que é aquela onde as pessoas recebem os nomes dos pré-candidatos. Em um cenário em que o tucano Marconi Perillo (PSDB) é excluído, a expressividade de Wilder caminha com ajuda de aparelhos, ficando com 15,9%. Neste cenário, e se as eleições fossem hoje, Daniel Vilela seria eleito em primeiro turno.
Contar com o ovo no fiofó da galinha é algo vantajoso? Não é muita confiança? Bolsonarismo ainda se mostra forte, isso é indiscutível. Mas, sozinho, não foi capaz de eleger Fred Rodrigues em Goiânia e nem Professor Alcides em Aparecida. No primeiro, o candidato até ficou em 1º lugar no fim da contagem dos votos no 1º turno, mas não conseguiu se manter assim, dando vitória a Sandro Mabel (UB), candidato apoiado pelo governo.
Ser articulador na política é necessário, mas os resultados têm de vir à tona, ou, pelo menos, abalar nos bastidores. A única tacada que Wilder faz nesta expressividade foi tirar Ana Paula Rezende do MDB, partido que tem a cara do pai dela, Iris Rezende. Mas tal mudança, inclusive, não pegou tão bem para ela, tendo em vista que foi o próprio Iris que construiu a ponte de relacionamento entre Caiado e Daniel.

Alguns pensam que ela vai conseguir herdar o prestígio que a população goiana nutria pelo pai. Mas isso não será uma tarefa fácil. Há ainda aqueles que digam que Wilder se importa em levar apenas uma vida boêmia, com muitas viagens, sem peito para encarar uma campanha política. Outros o descrevem com um dos sete pecados capitais: preguiçoso. Então, Wilder deve repensar os passos de tartaruga que tem dado achando que se tornará uma lebre para cruzar a linha de chegada.
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