Cezar Santos
Cezar Santos

Um professor de perder eleição

Nesta campanha, Iris Rezende repete o receituário de como não ganhar disputa eleitoral. Confirmando o que dizem as pesquisas, será a 3ª derrota em confrontos diretos com Marconi

01Quem entra numa disputa eleitoral, naturalmente, quer ganhar a eleição. Envida todos os esforços possíveis, gasta dinheiro seu e de doadores, se os tiver. Não é diferente com o peemedebista Iris Rezende, um dos maiores líderes políticos da história goiana.

Iris chegou ao segundo turno com Marconi Perillo, mas as pesquisas indicam que ele tem pouquíssimas chances de sucesso neste domingo. Mais um revés para o decano político está desenhado, o que seria o terceiro para o adversário tucano em confrontos diretos.

Se as pesquisas se confirmarem, não haverá apenas “um” culpado nas hostes peemedebistas, embora sim, Iris terá sido o “grande” culpado, porque ao fim e ao cabo ele foi o comandante do processo na oposição.

O histórico das sucessivas derrotas peemedebistas em Goiás já permite aos goianos considerar que Iris Rezende é sim um professor de perder eleição. A história vai mudar neste 26 de outubro? Pouquíssimo provável.

Na receita de como sair derrotado de uma disputa nas urnas, entram erros antigos repetidos, erros novos, avaliação equivocada de cenários, “mão pesada” no uso de certas ferramentas, imagem desgastada, etc., etc., etc.

Abaixo, alguns dos ingredientes da lição de “como perder uma eleição”: não estão necessariamente na ordem de ocorrência; antes, dispostos ao sabor da lembrança, do acaso.

Lição número 1: Conquiste a prefeitura mais importante do Estado, saia e a entregue ao seu vice;

2 – Depois avalize a reeleição desse vice e assista-o fazer uma administração tão ruim que você nem poderá mostrá-lo como cabo eleitoral futuramente, sob pena de perder votos;

3 – Insista em ser candidato pela enésima vez, mesmo que a maioria de seu partido tenha dado mostras de que quer um nome novo;

4 – Brigue numa pré-campanha com um companheiro que poderia ser a renovação que seu partido tanto anseia;

5 – Derrote o companheiro numa luta interna encarniçada, num processo traumático que crie feridas profundas;

6 – Divida seu partido e humilhe esse companheiro, de forma que ele até vá trabalhar contra você;

7 – Alie-se a um adversário que no passado o detratou, fazendo uma composição estranha que vai ajudar esse novo companheiro, mas não vai lhe ajudar efetivamente;

8 – Favoreça sua mulher deputada para a reeleição, em prejuízo de muitos companheiros;

9 – Com isso, crie um clima de animosidade no seu partido, a ponto de eles comemorar com um churrasco a derrota dela;

10 – Não se importe em disputar com um adversário que já “pegou” o jeito de lhe derrotar, acreditando que dessa vez “será diferente”;
11 – Ponha na coordenação de sua campanha o deputado Sandro Mabel, um emérito desagregador, Barbosa Neto e Mauro Miranda;

12 – Entre na campanha com “sangue nos olhos”, movido muito mais por revanchismo e sede de vingança contra o adversário;

13 – Nas entrevistas, passe uma mensagem messiânica, dizendo ao eleitorado que você foi escolhido diretamente por Deus para governar Goiás;

14 – Faça uma campanha calcada na agressividade, em ataques, nada propositiva, enquanto seu adversário opta por um caminho diferente;

15 – Produza frases de efeitos sem conexão com a realidade, como “o povo está morrendo à míngua”, “o povo está morrendo de sede” e “Goiás está um caos”;

16 – Repita, repita e repita essas frases, acreditando que pela força da repetição elas se tornarão verdade no inconsciente coletivo;

0017 – Continue insistindo no marketing agressivo, equivocado, e vá aumentando paulatinamente seu índice de rejeição, até ultrapassar seu adversário nesse quesito;
18 – Adote um discurso passadista, prometendo retomar “mutirões” e botar “máquinas para roncar”, práticas e expressões superadas na modernidade;

19 – Vá perdendo aliados e companheiros antigos para o adversário;

20 – Veja correligionários que poderiam “acender” sua campanha em cidades importantes, como Jataí, cruzando os braços;

21 – Pior, veja correligionários seus pedindo votos para o adversário;

22 – Veja seu caixa ir minguando de recursos financeiros com a queda de doações;

23 – Deixe que sua campanha divulgue vídeo atribuindo a voz de alguém a outra pessoa; pego na mentira, jogue a culpa nos marqueteiros;

24 – Não consiga reunir outros oposicionistas do primeiro turno na sua aliança para o segundo terno;

25 – Aliás, consiga o apoio envergonhado do PT no segundo turno — excetuando o grupo do prefeito, aquele mesmo que você não pode mostrar como seu apoiador —, obrigado pelo comando nacional em função do interesse na reeleição de Dilma Rousseff;

26 – Assegure que terá continuidade a rejeição altíssima que você tem no terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Anápolis, que desequilibrou a balança eleitoral em favor de seu adversário nas últimas quatro eleições;

27 – Cometa o erro estratégico de colocar o caso Carlos Cachoeira na campanha, esquecendo-se que Cachoeira é um “produto” do peemedebismo de algumas décadas;

28 – Em consequência, seja obrigado a ficar quieto quando Cachoeira lhe der um “cala-boca” público;

29 – Faça uma proposta estapafúrdia, como dobrar o efetivo da PM, mostrando que ignora os mínimos conceitos de gestão pública e de Lei de Responsabilidade Fiscal;

30 – Crie um factoide esdrúxulo “nomeando” um senador eleito para o cargo de secretário de Segurança Pública num governo que não existe;

31 – Perca espaço seguidamente nos programas do horário eleitoral por decisões da Justiça Eleitoral contra suas agressões ao adversário;

32 – Em debate, negue que tenha recebido doação de um grande grupo empresarial;

33 – Depois, se veja obrigado a emitir um esclarecimento público admitindo que sim, recebeu doação desse grupo;

34 – Diga que é um político “próximo” da perfeição (falta quanto para chegar lá?);

35 – Veja seu comitê de campanha esvaziar;

36 – Fique sem agenda;

37 – Na campanha de segundo turno fique praticamente só em Goiânia, em “reuniões internas”;

38 – Enquanto isso, seu adversário percorre dezenas e dezenas de municípios;

(Abaixo, eleitor, você pode continuar aumentando a lista)

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