Cezar Santos
Cezar Santos

Temer tira economia do buraco e quer ser candidato à Presidência

No gozo de seus direitos políticos, emedebista começa movimento para ser o nome de seu partido na eleição de outubro

Presidente Michel Temer: em busca de viabilizar sua candidatura | Foto: Marcos Corrêa/PR

 

O presidente Michel Te­mer (MDB) está disposto a continuar no cargo e pretende disputar a reeleição em outubro. Na quarta-feira, 21, a coluna Radar, de Veja, saiu na frente e informou que o emedebista entrou em campanha. Sustentaria a informação o fato de a Secretaria de Imprensa da Presidência da República (Secom) ter pedido que os ministérios organizem os feitos das pastas para en­tre­vistas.

Diferentemente de Lula da Silva, criminoso condenado em se­gunda instância e, portanto, ficha su­ja, Michel Temer tem todo o di­rei­to de disputar a eleição, desde que se entenda com seu partido. Qual­quer ocupante de cargo Exe­cutivo sempre é, em tese, candidato à reeleição. Se a regra eleitoral permite — e ela permite —, Temer pode ser candidato.

Mas, o que o leitor/eleitor quer sa­ber é se o presidente terá chances de sucesso nessa empreitada. Co­mo a popularidade muito baixa não recomenda, pode-se imaginar que que Temer e seus aliados esperam reverter esse quadro.

De fato, há duas circunstâncias que pode alavancar a pretensão do emedebista. A primeira está explicitada na nota da coluna Radar (os lou­ros que a intervenção federal [no Rio de Janeiro] pode lhe trazer). A segunda é a recuperação da economia.

Comecemos pela primeira, a intervenção. A medida pode dar apro­vação ao Palácio do Planalto, mes­mo que seja cercada de polêmica. Desde os entraves logísticos que envolvem uma profunda mo­vi­mentação das Forças Armadas na cidade do Rio de Janeiro aos pro­blemas de ordem jurídica, além dos custos financeiros.

O governo federal espera que to­das as dificuldades da intervenção sejam superadas e a operação em seu todo seja bem-sucedida — ou que pelo menos os fatores positivos sejam maiores que os negativos. Se for assim, Temer e o governo ganharão pontos com a opinião pública.

Aqui é bom lembrar que pesquisa do Instituto Paraná feita em to­do o Brasil mostra que 74,1% dos entrevistados aprovam a intervenção no Rio de Janeiro. E mais, 67,6% querem que seja estendida pa­ra Estados com índices altos de vio­lência, como Ceará, entre ou­tros. Por aí se vê que Temer estaria no caminho certo.

Ânimo na economia
Quanto à recuperação da economia, essa já vem ocorrendo des­de que o emedebista substituiu Dil­ma Rousseff na cadeira presidencial. A saída da desastrosa pe­tis­ta e sua equipe de néscios em eco­nomia, por si só, já deu um âni­mo renovado ao mercado. Aliado a is­so, Temer teve o grande mérito de entregar a condução da economia a um craque, Henrique Mei­relles.

A recuperação da economia vem ocorrendo. Nos menos de do­is anos que Temer está no poder, a inflação saiu de 10% pa­ra menos de 3%; a Selic caiu de 14,25% para 6,75%; a recessão de 3,6% saltou para um crescimento de ao menos 3,5% neste ano. Há muito ainda a melhorar, mas todos os indicadores mostram que a recuperação seguirá em 2018, seja na criação de empregos, baixa inflação, juros menores e continuidade do crescimento.

Se isso se confirmar, Temer será beneficiado em alguma or­dem. A dúvida é até que ponto is­so poderá potencializar sua hipotética candidatura. Deu certo com Fer­nando Henrique Cardoso (PSDB) na década de 1990, com o Pla­no Real, que deu ao tucano eleição e reeleição. Lula da Silva (PT), que teve a sabedoria de não desmanchar o que FHC tinha feito na economia, também se beneficiou eleitoralmente.

O problema para Michel Temer é que nem os partidos de sua base aliada, incluindo o próprio MDB, estão levando muita fé na potencialidade de sua candidatura à reeleição. Em reunião da Executiva Nacional do MDB na quarta-feira, 21, o ministro da Secretaria de Go­ver­no, Carlos Marun, foi enfático na defesa da candidatura de Temer.

Mas o líder do governo no Se­na­do, Romero Jucá (RR), reconduzido à presidência do MDB, pensa di­ferente. Jucá disse que o partido trabalha para ter candidato próprio à Presidência, e citou outros no­mes além de Temer, incluindo o do ministro da Fazenda, Henrique Mei­relles — sem espaço no PSD, o goiano está negociando filiação ao MDB.

“Nós estamos discutindo qual é o nome mais viável, mais factível, que possa ganhar as eleições”, afirmou Romero Jucá. Segundo reportagem do “Estadão”, dirigentes do MDB sustentam que Michel Te­mer somente será candidato se, em abril, chegar a dois dígitos de aprovação.

Na sexta-feira, 23, Temer disse que a intervenção no Rio de Ja­nei­ro foi uma “jogada de mestre”, mas afirmou que a iniciativa não tem nenhum objetivo eleitoral, e ressaltou que não será candidato à reeleição. A negativa é teatro político. Se ele estiver razoavelmente bem na hora certa, será sim candidato.

DEM não gostou
O presidente da Câmara, Ro­dri­go Maia (DEM-RJ) — ele mes­mo pré-candidato à Presidência —, afirmou, com visível má vontade e certo desdém, que a possível campanha de Temer é “problema” do MDB e do Planalto.

No diagnóstico do DEM, segundo “O Estado”, um cenário as­sim forçaria Maia e o tucano Geraldo Alckmin a se unirem em torno de uma candidatura única de centro, na tentativa de impedir um segundo turno entre Jair Bol­so­na­ro (PSC-RJ) e um nome da esquerda.

Integrante da ala oposicionista do PSDB, o senador Tasso Jereis­sati (CE) disse ao jornal que a en­tra­da de Temer na disputa seria “inconveniente” para o MDB. “Eu vejo o senador Re­nan Calheiros (AL) com Lula. Vejo o presidente do Senado (Eu­ní­cio Oliveira) com Lu­la e o (senador) Ja­der Barbalho (PA) também. Co­mo é que eles vão juntar esses ca­cos?”, questionou o senador.

Integrante da tropa de choque de Temer e vice-líder do governo na Câmara, o de­pu­tado Beto Man­sur (PRB-SP) avaliou que, se o presidente concorrer, inviabilizará não só Henrique Meirelles — que já perdeu a bandeira da reforma da Previdência —, mas também Maia. “Michel é candidatíssimo”, disse Mansur.

Em seu jeito meio oblíquo, Meirelles disse que é “prematuro” apostar no que a base aliada fará. “Va­mos ver como tudo isso se desenvolve”, disse o ministro. Mas nos bastidores de Brasília é sabido que Michel Temer patrocinará a can­didatura de Meirelles — mas is­so só se ele próprio, Temer, não se via­bilizar a tempo.

Henrique Meirelles também pode ser beneficiado

Pré-candidato do PSD pode virar candidato do MDB | Foto: Reprodução

Em setembro do ano passado, o colunista escreveu artigo in­titulado “Os 8 em pré-campanha à Presidência da Repú­bli­ca”, com uma análise ligeira dos nomes que naquele mo­men­to estavam colocados no jo­go sucessório, as­su­midamente ou não: Lula da Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Jair Bolsonaro, João Doria, Joaquim Barbosa e Henrique Meirelles.

Reproduzo as últimas linhas daquele artigo:
“Volta e meia se diz que o PMDB, sem opção de candidato para a eleição presidencial de 2018, não descarta tentar “roubar” o ministro do PSD [Hen­rique Meirelles] para lançá-lo candidato à Presidência.

O problema aí, é que se a economia se recuperar de fato, naturalmente haverá um outro candidato ‘natural’… que vem a ser Michel Temer, do PMDB.
Mas isso é tema para outra coluna.”

Bem, eis então que se apresentou o tema para outra (esta) co­luna. Nesse ponto, convém lembrar: a melhora da economia beneficia também, diretamente, o goiano Henrique Meirelles. Aguardemos, então. l

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Jefferson dos Santos

Quem tirou a economia do Brasil do poço, onde Dilma deixou, foi o Meirelles. Ele é quem tem que ser candidato.