Cezar Santos
Cezar Santos

Reformas afetam a (pouca) popularidade de Michel Temer

Peemedebista paga o preço por procurar fazer as medidas necessárias ao País, o que os governos petistas não tiveram coragem 

Integrantes da CUT, braço sindical a serviço do PT, fazem protesto em São Paulo conta reforma da Previdência | Foto: Roberto Parizotti / CUT

O ser humano é um animal com fome de aceitação. Com os governantes, então, esse anseio é exacerbado ao limite. Qualquer político, em qualquer lugar do mundo, quer ter altos índices de popularidade. É o sonho de prefeitos, governadores, presidentes.

Não é diferente com Michel Temer, o peemedebista que herdou o governo ruinoso de Dilma Rousseff, cuja inépcia jogou a economia no atoleiro em que estamos atualmente e de que, dizem os mais otimistas, só começaremos a sair no segundo semestre deste ano. Temer está vivendo um momento difícil, no que diz respeito ao anseio de todos os políticos: sua popularidade, que nunca foi muito alta, está caindo.

Na sexta-feira, 31, foi divulgada pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que traz números nada alvissareiros para o peemedebista: o porcentual de brasileiros que consideram o governo dele ruim ou péssimo é de 55%. É o pior índice do governo Temer na série do Ibope. Os que se disseram satisfeitos com o governo Temer chegam a 10%.

Para comparar, na última pesquisa, divulgada em dezembro, 46% dos bra­sileiros avaliaram o governo do pe­emedebista como ruim ou péssimo, por­centual superior ao da sondagem publicada em outubro, quando a gestão Temer teve 39% de ruim ou péssimo.

Não é o caso de esmiuçar mais os números, nessa altura já bem divulgados. O fato insofismável é que a popularidade de Temer — que nunca foi alta, o que é natural num governante que entrou no poder da forma como ele entrou – está caindo.

Mas a pergunta que cabe é: por que isso está acontecendo?

Não há uma única resposta, ao contrário. Mas é evidente que a mais clara é o fato de que Temer está mexendo com matérias impopulares, como as reformas. E, dessas, a principal em discussão no Congresso Nacional, a da Previdência, cuja proposta foi encaminhada pelo governo, é um dos fatores que explicam a piora nos índices de avaliação da gestão do peemedebista.

A própria pesquisa Ibope detectou que as discussões sobre a reforma da Previdência são, de longe, o assunto do noticiário mais lembrado pela população. Somam 26% os entrevistados que citam a reforma como notícia de que mais recordam. Em dezembro, a mudança nas regras da aposentadoria era percebida por apenas 2%. Notícias sobre a Operação Lava Jato vêm na sequência, como segundo assunto.

Claro que uma reforma que implica restrição de direitos é contraproducente em termos de aprovação. Mas precisa ser feita, sob pena de o sistema previdenciário implodir num futuro muito mais próximo que muitos imaginam.

A Grécia tinha um sistema previdenciário gracioso, que permitia aposentadorias com menos de 50 anos. Deu no que deu, o país quebrou igual arroz de quarta e o salário dos aposentados simplesmente deixou de ser pago por falta de dinheiro.

A oposição ao governo de Mi­chel Temer dimensiona os efeitos negativos da reforma previdenciária, omitindo ardilosamente a verdade. E fazendo questão de não lembrar que tanto Lula da Silva quanto Dilma Rousseff queriam fazer essa reforma, mas não tiveram coragem, porque só tinham olhos para a próxima eleição.

Os aparelhos do PT, do PSol, do PSTU e do PDT promovem manifestações contra a reforma. Na sexta-feira, 31, houve várias movimentações pelo País. Isso acaba repercutindo e ganhando certa ressonância em grande parte dos cidadãos. E uma ferramenta útil para minorar esses efeitos, a comunicação, que poderia ajudar a esclarecer a verdade dos fatos, é usada de forma canhestra pelo governo Temer.

Lula e Dilma não quiseram mexer no vespeiro das reformas. Temer está mexendo, procurando fazer o que precisa ser feito — e não se está dizendo aqui que tudo o que o governo do peemedebista propõe é perfeito, mesmo porque em tudo cabe o contraditório, que precisa ser aplainado na esfera política, na negociação clara e congressual, no embate de ideias, com apresentação de alternativas viáveis e não apenas no grito ideológico.

Temer procura fazer o que precisa, como fez a reforma do Ensino Médio, aprovado e já sancionado. Essa reforma também sofreu forte resistência da oposição que, mais uma vez, fez de conta que Dilma já não tinha feito o esboço da mesma proposta, que Temer mandou ao Congresso com poucas alterações.

A reação na economia já começou sob o comando da equipe de Henrique Meirelles. O quadro de piora crescente que era contínuo com Dilma Rousseff, estancou com o peemedebista, embora no início se esperasse mais rapidez. De qualquer forma, os agentes econômicos já trabalham com perspectivas positivas.

Um cenário político conturbado com a Lava Jato e acidentes de percurso como a desastrosa operação Carne Fraca, da Polícia Federal, também atrapalham a popularidade de qualquer governante. Temer tem sofrido esse desagaste.

A esperança para os brasileiros é que o presidente, que nunca foi e não é e nenhuma “Brastemp” em termos políticos, se compenetre do papel que lhe cabe nessa transição, que não é de jogar para a torcida, ganhar popularidade fácil e ficar bem com o povão.

Para o País, Temer deve continuar fazendo o que precisa ser feito, de forma a iniciar a remoção do país do buraco econômico em que Dilma e o PT o enfiaram. E que no dia 1º de janeiro de 2019 entregue um país melhor ao presidente que será eleito no ano que vem.

Condenação de Cunha derruba discurso vitimista do PT

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na semana passada, uma notícia que dá alento aos brasileiros honestos: a condenação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB¬-RJ) a 15 anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A sentença é do juiz federal Sergio Moro, titular da Operação Lava Jato na primeira instância no Paraná.

A condenação de Cunha se deu em processo em que ele é acusado de receber propinas em operação para aquisição de campo petrolífero em Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011, no esquema armado pelo governo de Lula da Silva e Dilma Rousseff para assaltar a petroleira.

“Há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a quinze anos e quatro meses de reclusão, que reputo definitivas para Eduardo da Cunha. Quanto às penas de multa, devem ser convertidas em valor e somadas”, determinou o juiz, que ordenou ainda que Cunha inicie o cumprimento de pena em regime fechado.

Cunha foi preso preventivamente em Brasília em 19 de outubro, por ordem de Moro. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-parlamentar recebeu propina de 1,3 milhão de francos suíços.

A condenação de Eduardo Cunha derruba de vez o argumento de muitos petistas de que a operação Lava Jato só foi montada para perseguir o PT. As investigações já colocaram petistas na prisão, mas não só eles. O PT comandava o esquema criminoso, dando a aliados como Eduardo Cunha, do PMDB, poder para fazer achaques na empresa.

Deixe um comentário