Cezar Santos
Cezar Santos

Os 3 nomes mais fortes para comandar a Assembleia

Chiquinho Oliveira, José Vitti e Hélio de Sousa são os que mais articulam para comandar o Palácio Alfredo Nasser a partir de fevereiro de 2015

Chiquinho Oliveira, José Vitti e Hélio de Sousa: os três que mais articulam pela presidência da Casa

Chiquinho Oliveira, José Vitti e Hélio de Sousa: os três que mais articulam pela presidência da Casa

— Pode passar à minha frente. Afinal, quem é candidato à presidência da Casa tem de dar a preferência aos colegas na fila.

A frase foi dita em tom de brincadeira pelo deputado estadual eleito Francisco Oliveira (PHS), na quarta-feira, 15, momentos após a reunião que o presidente da Assembleia Legislativa, Hélio de Sousa (DEM), teve com os novos parlamentares eleitos — no dia anterior, a reunião tinha sido com os reeleitos. Chiquinho Oliveira tinha sido um dos primeiros a chegar ao estúdio da TV Assembleia para conceder entrevista, mas, obsequiosamente, cedia o lugar aos outros colegas novatos.

O episódio serve para mostrar que a disputa pela presidência da Assembleia já está em curso, antes mesmo da definição do segundo turno da eleição pelo governo estadual. O comando do Palácio Alfredo Nasser é interessantíssimo para qualquer governador ou grupo de oposição. E governo que tem maioria, como é o caso do atual, não abre mão. Por isso, naturalmente, o governador Marconi Perillo, na bica de confirmar mais um mandato, não perde de vista o que se passa por ali.

A importância de ter o comando da Casa é clara. Há um monte de ar­ra­zoados pomposos, mas a verdade fi­nal é que mesmo no uso estrito do Re­gimento Interno, uma direção le­gis­lativa pode apressar ou segurar de­terminados projetos, de acordo com os interesses do Executivo. É as­sim na Assembleia Legislativa de Goiás, é assim nas Câmaras de Ve­re­a­dores, é assim no Congresso Nacional.

As articulações para a sucessão no Palácio Alfredo Nasser estão em ritmo lento apenas na superfície, pode-se dizer. O entremeio do primeiro para o turno final na eleição ao governo exige cautela, afinal, ainda não se sabe quem será o governador. Mas os que cobiçam o cargo já venceram a primeira batalha, que foi ganhar uma cadeira no Legislativo. Portanto, quem tem argumento e força está conversando com os pares e articulando seus arcos de influência política.

E o que se observa nos bastidores é que há cinco nomes trabalhando fortemente o cargo: o atual presidente, Hélio de Sousa (DEM), o já citado Francisco Oliveira, o tucano José Vitti e os peessedistas Lincoln Tejota e Francisco Júnior (PSD). Tem mais gente que quer, mas com cacife menor, bem menor, o que não quer dizer que um “Tertius” possa surgir de surpresa daí.

Partido que faz maioria tem a preferência para fazer o presidente, mas não há regra escrita para isso. No caso, é o PSDB, que elegeu sete deputados. O mais votado sempre chega com moral. Mas a voz corrente é que Mané de Oliveira não tem o perfil.

Na verdade, dos tucanos é José Vitti que está articulando mais. A favor do palmeirense reeleito tem a experiência e boa votação — quarta no geral e segunda da legenda. E, é bom lembrar, na campanha, o governador chegou a dizer em praça pública que Vitti tinha o perfil de presidente da Assembleia. Marconi não tem costume de impor esse tipo de indicação, deixando que os companheiros decidam, mas a manifestação favorável é um bom sinal.

No PSD Lincoln Tejota é o que tem mostrado mais disposição. Conta com o apoio do grupo do Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde seu pai, Sebastião Tejota, é conselheiro. É um apoio de peso. Francisco Júnior também pleiteia. Tem experiência de ter presidido a Câmara de Goiânia, quando moralizou aquela que depois voltou a ser chamada de Casa dos Horrores.
O democrata Hélio de Sousa quer continuar no comando da Casa. Ele se acha no direito de ganhar uma presidência “cheia”, como se diz — a atual foi herdada com a renúncia de Helder Valin, que virou conselheiro de Contas. Hélio considera que foi sacrificado em outras oportunidades e que agora é sua vez.

O atual presidente adotou medidas de transparência na Casa e tem isso como um trunfo. Aliás, Hélio sempre faz questão de destacar que as medidas foram da Mesa Diretora, uma forma de dividir com colegas e partidos os benefícios que essas medidas possam produzir em termos de imagem positiva.

A favor de Hélio de Sousa continuar comandando a Casa está a experiência. Contra, a legenda que é “propriedade” de Ronaldo Caiado e se aliou ao PMDB de Iris Rezende na disputa pelo governo. Esse processo produziu arestas, que estão se ampliando no calor da campanha. Aliás, não será supresa se Hélio de Sousa providenciar sua saída do DEM em futuro próximo.
Voltemos a Francisco Oliveira. Nos bastidores sabe-se que o entrosamento do ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Goiânia com Marconi Perillo é total. Chiquinho tabela com Marconi como Pelé e Coutinho faziam no Santos Futebol Clube; jogam por música, como se diz
Por sinal, nos últimos processos de escolha da presidência da As­sembleia, nas eleições do tucanos Jardel Seb­ba e Helder Valin, o principal articulador do Palácio das Esmeraldas foi justamente… Chiquinho Oliveira.

O deputado do PHS foi presidente da Câmara de Vereadores de Goiâ­nia. É em Goiás um dos maiores conhecedores dos meandros po­líticos de uma Casa Legislativa. Ele nunca foi deputado, mas conhece a Casa e os deputados como poucos.
Conclusão: Chiquinho Oliveira está na pole position.

conexao.qxd

Deixe um comentário