Cezar Santos
Cezar Santos

Michel Temer: o “cheiro do poder”

Cacife político do vice-presidente aumenta na medida em que Dilma Rousseff vai sendo fritada pela classe política e, principalmente, pelo povo

Michel Temer: assédio dos políticos mostra que a perspectiva de poder do peemedebista é cada dia mais real | Marcello Casal Jr./ABR

Michel Temer: assédio dos políticos mostra que a perspectiva de poder do peemedebista é cada dia mais real | Marcello Casal Jr./ABR

“Para uma gama de políticos, o governo Dilma Rous­seff já era. Essa avaliação, que até algumas semanas atrás era feita muito reservadamente em pequenos grupos, agora já está nos gestos, em especial nas deferências e nas homenagens ao vice-presidente Michel Temer. Para muitos aliados que observam as cenas, a conjuntura política, econômica e as pesquisas de popularidade do governo fazem Temer surgir como opção viável. A contar pela simbólica solenidade de posse da presidente do PCdoB, Luciana Santos, na qual o PMDB se fez presente. Michel Temer foi cercado e festejado por todos os partidos, Esse aroma de poder que o vice exala só não é sentido pelo PT da presidente da República.”

O parágrafo acima é de nota da coluna Brasília-DF, de Denise Rothenburg, do “Correio Brazilien-se” (2 de julho). A solenidade referida ocorreu no dia anterior. A nota é extremamente explicativa do péssimo momento que passa a presidente Dilma, cujo governo se esboroa na incúria, na incompetência e na corrupção. Em vista dos péssimos resultados da economia e da total desarticulação no Congresso, Dilma tornou-se uma morta-viva política.

Enfraquecida a presidente, dois cenários surgem no horizonte: 1 – impeachment, a depender das novas revelações de corrupção, que já chegaram ao Palácio do Planalto; 2 – anomia da presidente, que se tornará mera peça decorativa, sem voz efetiva de comando sobre sua gestão, ou seja, a terceirização definitiva e total de seu governo, completando um processo que já está em curso.

Em qualquer uma das hipóteses, a figura do vice se fortalece. No primeiro caso, Michel Temer simplesmente assume o poder; no segundo, ele se torna a peça mais forte, a comandar de fato o governo, até pelo respaldo de seu partido, o mais forte no Congresso, detentor das duas Casas Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado.

Daí a razão do forte aroma de poder que o vice está exalando, por onde quer que vá.

Na semana passada, Dilma perambulou pelos Estados Uni-dos, na busca desesperada de imprimir uma agenda positiva ao seu governo. Foi cair nos braços de Barack Obama, o outrora menosprezado por Dilma e por seu staff de relações exteriores. Agenda positiva, Dilma está se dando conta, se faz é com países e líderes que contam, e não com gente como Cristina Kirchner, Maduro e Evo Morales, os bolivarianos que vivem numa esfera à parte do mundo globalizado.

Ainda nos EUA, no último dia de visita ao grande irmão do Norte, Dilma ficou sabendo da mais recente pesquisa sobre a aprovação de seu governo. Os números são de dar pesadelo, até em quem tinha confortabilíssimos colchões em apartamento de luxo cuja diária custou R$ 36 mil. O levantamento do CNI Ibope confirma a degringolada com a opinião pública que Dilma vem sofrendo desde que assumiu, em 1º de janeiro. Menos de uma a cada dez pessoas aprova a forma de a presidente dirigir o País.

A avaliação do governo Dilma atingiu o pior índice desde o início de seu primeiro governo, em 2011. Para piorar, os números ainda apontam outro triste recorde para quem um dia foi chamada e se fez chamar de “gerentona”, o aumentativo servindo para reforçar uma hipotética capacidade: é o mais alto índice de reprovação desde o fim da ditadura militar, com José Sarney. Apenas 9% dos brasileiros avaliam como bom ou ótimo o governo. Por outro lado, 68% consideram a gestão Dilma ruim ou péssima.

Para comparar: na primeira pesquisa para avaliar o segundo mandato, em março, a aprovação estava em 12% e a rejeição, 64%. No fim do primeiro mandato (dezembro de 2014), a rejeição era de 27% e a aprovação, de 40%.

Um dado curioso sobre essa pesquisa. A rejeição do governo se dá em todas as áreas, até mesmo naquelas que são caras ao PT, como o combate à fome e à pobreza (68%) e ao desemprego (83%). O combate à inflação também recebe forte repulsa dos brasileiros (86%).

E as delações premiadas continuam despejando más notícias para o governo petista, fazendo piorar os índices de Dilma Rousseff, que se tornou walking dead político.

Enquanto isso, Michel Temer está cada vez mais cheirando a poder.

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