Cezar Santos
Cezar Santos

Michel Temer: cuidado, frágil

Segundo blogueiro, presidente reclama que a TV Globo está animada com possibilidade da ministra Carmem Lúcia ocupar o lugar dele

Presidente Michel Temer anuncia pacote de medidas econômicas: esperança de recuperar “tração política”

Presidente Michel Temer anuncia pacote de medidas econômicas: esperança de recuperar “tração política”

A paciência do mercado com o governo Michel Temer está se esgotando. Na quinta-feira, 15, ele anunciou medidas econômicas para combater recessão. Trata-se de um pacote microeconômico que visa estimular o crescimento da economia. A avaliação, no entanto, é de que o pacote terá pouca eficácia.

Temer sente que não só a economia, mas também as citações de auxiliares e dele próprio nas delações premiadas complicam sua situação. A prova é que sua popularidade tem despencado nas últimas semanas.

Na sexta-feira, 16, foi divulgada pesquisa Ibope que afirma que 46% dos brasileiros avaliam o governo de Michel Temer como ruim ou péssimo. Em junho, 39% reprovavam o governo. A pesquisa, encomendada pela Confe­deração Nacional das Indústrias (CNI), foi realizada entre os dias 1º e 4 de dezembro, com 2.002 pessoas em 141 cidades.

Conforme o levantamento, 13% da população considera a gestão do peemedebista boa ou ótima, porcentual quase igual ao de junho, quando 14% fizeram avaliação positiva. Pra piorar, caiu o porcentual de pessoas que acreditam que o resto do governo de Temer será bom ou ótimo: de 24% em junho para 18% em dezembro.

A baixa na popularidade do Temer já tinha sido detectada numa pesquisa Datafolha divulgada no dia 11. Naquele levantamento, 51% dos brasileiros consideram a gestão do peemedebista ruim ou péssima, ante 31%, em julho. O levantamento foi realizado entre 7 e 8 de dezembro, antes de virem à tona novos detalhes de delação da Odebrecht com menções a Temer.

O porcentual dos que veem o governo do peemedebista como regular reduziu-se a 34%. No levantamento anterior, durante a interinidade de Temer, era 42%.

A baixa na popularidade é mais um tranco na governabilidade de Michel Temer, que tem buscado recuperar a “tração política”, como define o blogueiro do UOL Fernando Rodrigues. Baseado em Brasília, Rodrigues publicou artigo na sexta-feira, 16, reportando as movimentações do peemedebista.

Segundo Rodrigues, nos últimos dois (agora quatro) dias Temer procurou pessoas que ele acredita que podem ajudá-lo a pacificar as relações entre os Três Poderes. O fato é que, nos bastidores, operadores da política já projetam cenários de uma possível queda do peemedebista.

Segue parte do artigo (com pequenas adaptações de estilo):

Na quarta-feira, 14, Temer jantou com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, no Palácio do Jaburu. A conversa foi franca. Michel Temer falou o que considerava fora do tom no noticiário da maior emissora de TV do país.

Na avaliação de parte do governo, a TV Globo está animada com a possibilidade de a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ser eleita pelo Congresso para presidir o país.
O Planalto acha exagerado o tom do noticiário da emissora. “Eles noticiam caixa 2 como se fosse homicídio”, foi uma frase ouvida pelo Poder360 de um alto integrante do governo analisando o tom dos relatos sobre a Lava Janto nos telejornais da Globo.

No mesmo dia do encontro com Marinho, Temer passou antes, por alguns minutos, no jantar das bancadas do partido Democratas (DEM), num restaurante de Brasília. Fez uma “social” com os deputados e senadores da sigla. Depois, seguiu para seu compromisso no Jaburu.

Na quinta-feira, 15, foi a vez de receber no Planalto, para o almoço, o ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes. O encontro com o magistrado é importante não só do ponto de vista institucional. O TSE analisa neste momento 1 pedido de cassação da chapa presidencial vencedora de 2014, composta por Dilma Rousseff e Michel Temer.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) diz ter encontrado “fortes traços de fraude e desvio de recursos” ao analisar as informações colhidas a partir da quebra do sigilo bancário das gráficas Red Seg Gráfica, Focal e Gráfica VTPB, contratadas pela chapa Dilma-Temer. Quando o processo estiver pronto para ser julgado, dependerá de Gilmar Mendes colocar ou não o assunto na pauta do plenário do TSE.

O afago que Michel Temer fez no DEM se explica pelo fato de alguns integrantes da sigla já estarem pedindo novas eleições (o senador Ronaldo Caiado, que ocupa cadeira pelo Estado de Goiás, por exemplo). O partido tem uma bancada modesta no Congresso, mas dá lastro ao Planalto junto à elite do país.

O secretário-executivo do Pro­grama de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, esteve em todos os encontros citados. Ontem (quinta-feira), Michel Temer também se reuniu em ocasiões distintas com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros.

O presidente pretende demonstrar que tem condições de funcionar como um amálgama das instituições, todas em atrito entre si. Num momento em que o país passa por uma séria recessão econômica – os indicadores do Banco Central sinalizam para uma queda do PIB perto de 5% –, Michel Temer procura convencer seus interlocutores de que é o único político disponível para conduzir o governo até 2018.

O maior obstáculo para o Planalto recuperar tração política é a Operação Lava Jato. As delações premiadas oferecem cada vez mais indícios contra assessores do presidente. No caso das 77 pessoas ligadas à Odebrecht que assinaram acordos de delação, duas já tiveram os conteúdos de seus depoimentos vazados. Claudio Melo Filho implicou Michel Temer e provocou a queda do assessor especial José Yunes.

Em outra delação, Márcio Faria, que foi presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, falou que o peemedebista teria participado de uma reunião em 2010 para tratar de doações à campanha eleitoral do PMDB daquele ano em troca de facilitar a atuação da empreiteira em projetos da Petrobrás.

 

O protesto dos tomadores de danoninho

O Brasil vive um momento triste, em que certos grupos se sentem no direito de manifestar politicamente de forma autoritária e violenta. Estimulados e financiados por partidos políticos, como PT, PSol, PSTU e PCdoB, grupos promovem quebra-quebra em várias cidades, principalmente Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, pretensamente em protesto contra medidas do governo Temer, mas o verdadeiro objetivo é conturbar o ambiente político, na busca de inviabilizar a governabilidade do peemedebista.

Na sexta-feira, 16, uma manifestação também pretensamente “política” ocorreu em Goiânia. Um grupelho vaiou e interrompeu o prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), quando este fazia seu discurso de diplomação, no Centro de Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal da Universidade Federal de Goiás (UFG), em solenidade do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) para diplomar o prefeito e os vereadores eleitos.

Aos gritos de “a burguesia fede”, “fascistas” e “não tem arrego”, os jovens pediam por mais educação. Sim, com total falta de educação e de respeito às pessoas, os manifestantes pediam mais “educação”. Bradavam contra o fascismo, seguramente sem ter a mínima noção do que o termo significa.

Ninguém é obrigado a gostar de Iris Rezende e/ou dos vereadores que os goainienses elegeram. Mas eles merecem respeito. E se a Constituição garante o direito de manifestação, os bons modos pedem respeito aos outros.

Ao Jornal Opção, os manifestantes disseram que não falariam com a imprensa e que a manifestação era “contra tudo e todos”.

Provavelmente esses jovens são estudantes da própria UFG. Certeza absoluta que são de classe média, bem alimentados desde o útero de suas mães, bebedores de danoninho desde a mais tenra idade. Gente bem tratada que não tem, definitivamente não tem, motivos para protestar “contra tudo e todos”.

Burguesinhos a gritar que a “burguesia fede”, incapazes de sentirem em si o tresandante fedor da incivilidade, da obtusidade, da intolerância, da falta de educação e de respeito.
É essa gente que é o futuro do País?

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