Cezar Santos
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Lula tenta pôr ordem no terreiro

Lula da Silva se reúne com Dilma Rousseff e manda parar a briga entre Palácio do Planalto e PT para não piorar a crise Foto Cristiano Mariz Data: 23/07/2010 Local: Garanhuns - PE

Lula da Silva se reúne com Dilma Rousseff e manda parar a briga entre Palácio do Planalto e PT para não piorar a crise | Foto Cristiano Mariz

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O agravamento da crise causada pelos últimos confrontos entre o Palácio do Planto e o PT fez o ex-presidente Lula da Silva entrar em campo. No início da semana passada, Lula se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, além do ministro Jaques Wagner (Casa Civil) e o presidente do PT, Rui Falcão. Ele pediu que Planalto e partido diminuam as rusgas e evitem o enfrentamento público para que o mal-estar não contamine ainda mais a crise no País.

A entrada de Lula em cena se deu depois de uma entrevista de Wagner à “Folha de S.Paulo”, em que disse que o PT se lambuzou no poder ao reproduzir práticas da velha política, como o financiamento privado de campanhas eleitorais. Dirigentes petistas reagiram com irritação ao ministro. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro — que parece acreditar ser a consciência moral do partido e, portanto, o único com estofo para fazer alguma autocrítica —, o presidente do PT-SP, Emidio de Souza, e outros dirigentes da sigla criticaram Wagner publicamente por sua fala.

Aliados até dizem que Lula sabe e estimula que o PT cobre o governo, principalmente por mudanças na política econômica, que também ele considera fundamentais para a recuperação da popularidade da presidente. Mas, raposa política como é, o ex-presidente não acha “construtivo” que integrantes do governo e do partido troquem farpas públicas.

O jornal registrou que Lula discutiu com Dilma possíveis mudanças na política econômica do governo que, segundo ele, precisam contar com a baixa dos juros para estimular a linha de crédito para investimentos e priorizar a construção civil, para geração de empregos.
Lula foi um dos principais entusiastas da substituição do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a quem responsabilizava por fazer apenas acenos ao mercado. Lula queria Henrique Meirelles no cargo, mas acabou concordando com a nomeação de Nelson Barbosa, que estava no Planejamento.

A cúpula petista defende uma “guinada à esquerda” da política econômica de Dilma, mas tem reclamado nos bastidores de que a presidente está “enrolando”. Os dirigentes acreditam que Dilma vai continuar bancando uma política de aceno ao mercado. Eles têm criticado a reforma da Previdência proposta por Barbosa e defendida pelo governo. Por sinal, nos últimos dias, Dilma pessoalmente vocalizou apoio à bandeira do aumento da idade mínima para aposentadoria.

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