Cezar Santos
Cezar Santos

Iris Rezende terá de se reinventar

Goiânia precisa de gestor com visão de modernidade, e por não ter esse perfil, o peemedebista terá de sair de sua zona de conforto obreirista para atender ao anseio dos goianienses

Petista Paulo Garcia deixou as ruas de Goiânia esburacadas, problema que Iris Rezende, com sua capacidade de trabalho, certamente logo resolverá. Mas os goianienses querem mais do que isso | Foto: Jornal Opção

A vontade popular é so­be­rana e ainda bem que é assim. O preceito má­ximo da democracia é justamente o de que a maioria de­termina quem comanda o destino da cidade-Estado-País. Por vontade da maioria dos eleitores, de a­cordo com as regras eleitorais, o pe­emedebista Iris Rezende foi eleito e já assumiu para exercer seu quarto mandato como prefeito de Goiânia.

Não se pode saber por antecipação como será a gestão de quem está assumindo um cargo executivo. O que se sabe com certeza e que Iris Rezende não era o melhor nome, mas mesmo assim, democraticamente, a maioria dos eleitores goianienses o escolheu. A partir daí, a torcida de todos os moradores, eleitores ou não de Iris, deve ser para que ele acerte. Nosso bem-estar depende disso.

Goiânia é uma metrópole, uma capital jovem, com uma população que beira o 1,5 milhão de moradores, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — somos o 11º município mais populoso do Brasil. Nesse perfil, o que a cidade precisa é de gestão moderna, em que seus dirigentes sejam antenados com a modernidade, adeptos de conceitos como planejamento estratégico.

E é justamente aí que está o problema. O nosso prefeito — legitimamente eleito, é bom frisar — não tem o perfil do gestor que os goianienses tanto precisam. Iris não é moderno. Iris não é antenado com a modernidade. Iris não gosta de planejamento — aliás, nas poucas vezes em que esse termo aparece em suas falas, é indisfarçável que lhe causa certa irritação.

Depois de eleito e até o momento em que assumiu, não ouvimos nenhuma palavra de Iris sobre temas como modernidade, inovação, tecnologia, informática. E não se está cobrando que o prefeito seja um craque no computador. Mas a verdade é que esses termos são estranhos ao universo mental do nosso alcaide.

Por aí se vê que há um descompasso entre o gestor e a necessidade dos munícipes.
Aliás, desde a campanha, cadê uma nova ideia de Iris para Goiânia? O que ele expressou em relação a isso? A resposta é: nada.

O que se viu, na verdade, foi um empenho ardoroso e total de Iris Rezende em fazer de Andrey Azeredo o presidente da Câmara de Vereadores. Empenho tão forte que chegou ao ponto de vetar, até com certa brutalidade, as pretensões de integrantes de sua base, como Milton Mercez (PRP) e Wellington Peixoto, este do próprio PMDB, que também postulavam o direito de concorrer à presidência da Casa.

Caciquismo
É de perguntar: por que prefeito tem de nomear presidente da Câmara de Vereadores, um poder autônomo que tem entre suas funções justamente a de fiscalizar o Executivo?
O prefeito quis se assegurar que terá na Câmara um presidente que não lhe causará problema?

O episódio indica que Iris Rezende não mudou e vai continuar na velha prática do caciquismo, uma das características mais evidente de atraso político?

Colocado isso, há outra vertente de análise sobre o imediato na administração de Iris Rezen­de. Trata-se do comparativo que inevitavelmente a população fará em relação à gestão do antecessor, Paulo Garcia. O petista foi nada menos que um desastre para a cidade. Já há algumas semanas antes da virada do ano, a limpeza deixara de ser feita em várias regiões. O grande número de buracos nas ruas também atestou a falência do serviço público municipal em Goiânia.

Em resumo, Paulo Garcia, retomando outros momentos de seu governo, não estava dando conta de fazer o básico, o primário, que são limpeza das ruas e a operação tapa-buracos, isso para não considerar outros itens.

Iris Rezende, um gestor de inequívoca capacidade gerencial, um obreiro, já começou a sanar essas deficiências. É mais do que provável que em três meses esses problemas estejam resolvidos, mu­dando a cara de Goiânia, de­volvendo em muito a satisfação dos goianienses com sua aprazível cidade.

Aliás, mais que desejável, é imprescindível que Iris faça isso mesmo, que retome a normalidade administrativa de Goiânia, e retorne os serviços públicos que a desastrosa gestão petista descurou.

Mas, paradoxalmente, quando Iris “normalizar“ a cidade, o que ele fatalmente fará, até pela reconhecida capacidade de trabalho que tem, haverá um risco político nisso. Ao ver a cidade “normalizada”, muitos goianienses poderão considerar que o peemedebista é um administrador de mão cheia, aquele gestor que nós tanto precisamos.

Mas o fato é que Goiânia quer e precisa de gestão moderna, não só de um gerente capaz de limpar as ruas, fazer tapa-buracos, cuidar da iluminação e coisas assim do dia a dia. Repita-se, isso nada mais é do que o básico. O que precisamos é de administração avançada, que não descuide das tarefas do cotidiano, mas que otimize o atendimento à saúde, que oportunize mais e melhor acesso à educação.

E, ao mesmo tempo, tenha foco no futuro. E foco no futuro é imprimir gestão capaz de dinamizar a economia, de forma a gerar empregos e aumentar a renda dos goianienses. E, novamente, não ouvimos o que Iris pretende fazer nessa área.

Verdade que no programa de governo do peemedebista, havia três tópicos genéricos: criar o Mapa do Emprego; incentivar a qualificação profissional por meio de parcerias com outras entidades; contratar estagiários na prefeitura por meio de um convênio com as universidades.
É pouco, muito pouco para uma cidade do porte de Goiânia.

Tocador de obras
A verdade é que para contemplar o anseio dos goianienses, Iris Rezende terá de se reinventar. Não há mais espaço para um gestor apenas tocador de obras, que faça muito asfalto de baixa qualidade, como o peemedebista fez em seu mandato de 2005 a 2008.

O tradicional Iris Rezende, apegado às velhas práticas políticas, terá de abrir a cabeça e o coração. Ele não poderá, por exemplo, continuar “de mal” do governo estadual, só por ser adversário. Iris terá de aprender com seu correligionário moderno Maguito Vilela, a fazer parcerias adminisatrativas, que são boas para a população.

O decano peemedebista terá de olhar mais longe do que apenas a reeleição ou a influência político-eleitoral mais imediata. Aliás, é justamente isso que diferencia o estadista do populista. O estadista age com foco além do momento, para beneficiar até gerações futuras; o populista, como é o caso de Iris Rezende, toma medidas com visão imediatista, de olho nas vantagens eleitoreiras que pode obter.

Iris Rezende terá de ter imaginação para enxergar as novas gerações, e tomar consciência de que uma de suas missões, certamente a principal delas, será preparar agora as condições para que essas novas gerações assumam o bastão em melhores condições.

E aqui, cabe uma observação final: a equipe que Iris Rezende anunciou até agora, com poucas exceções, não dá aos goianienses motivos para nenhum entusiasmo.
Resta-nos torcer. l

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