Disputa independente para senador pode impedir desgastes nas composições de chapas e evitar baixas entre partidos da base

As eleições 2022 já entraram em contagem regressiva. Articulações, decisões e alianças se afunilam com maior agilidade. Olhando para o horizonte, daqui até as eleições, as mexidas no tabuleiro tende a se intensificar e ser mais célere até as convenções. Diariamente o noticiário político nacional e local nos apresentam fatos que confirmam rumos das campanhas ou indicam novos caminhos para as composições.

Embora se espere que as mexidas do jogo político sejam de iniciativa dos partidos ou lideranças, na última semana foi a justiça quem deu uma cartada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, na noite de terça-feira, 22, a possibilidade de partidos lançarem candidaturas independentes. A análise do TSE foi motivada por pedido do deputado federal Delegado Waldir (União Brasil), pré-candidato a senador pela base do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). A decisão muda a forma conhecida como o cargo era disputado até então: dentro de uma chapa majoritária composta por governador, vice-governador e senador. 

Para ficar mais claro: o sistema utilizado nas eleições para o cargo de senador é o majoritário. Os senadores são eleitos pelo sistema majoritário, mesmo sistema usado nas eleições para cargos do Executivo (prefeitos, governadores e presidente). Ou seja, os candidatos que levarem a maioria dos votos garantem o mandato de senador. Os senadores representam os estados e, por isso, o número deles para cada Unidade Federativa é o mesmo: três. A ideia é que todos os estados tenham direitos iguais de representatividade na Federação, independentemente do tamanho, da população ou da força econômica.

Mas agora há uma nova leitura para as regras: a permissão para candidaturas indeoendente já vinha recebendo pareceres favoráveis e indicando que as eleição de 2022 diferirá ao tratar dos que disputam uma vaga ao Senado. Em Goiás, a chapa governista, confirma um “congestionamento” de pré-candidatos – Alexandre Baldy (PP), o deputado federal Zacharias Calil (União Brasil), o senador Luiz do Carmo (PSC), o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSD) e Delegado Waldir estão são os nomes que trabalham para ir ao Senado na disputa. Alguns avaliam como positivo, outros querem a formatação tradicional. Definições que só devem ser confirmadas nas convenções.

Quem entra na disputa para o Senado está de olho em oito anos de mandato, com direito a dois suplentes. Cabe ao eleito ser um dos três representantes goianos no  Senado (Casa que tem ganhado muito destaque nos últimos anos). Muitos daqueles que conseguem se sobressair no Senado tendem a trilhar um caminho que os levem ao mais alto posto do Executivo estadual – é o caso do atual governador Ronaldo Caiado (ocupou uma cadeira no Senado de 2015 a 2019), do ex-governador Marconi Perillo (de 2007 a 2010).

Por esses atributos do cargo e pelo cenário político atual, a corrida pela única cadeira de senador em disputa pelo Estado já contabiliza ao menos 12 pretendentes até o momento. Cinco destes pré-candidatos estão na base caiadista. Chegou a ser seis, mas João Campos, do Republicanos, optou por migrar para aliança de Gustavo Mendanha (Patriota), garantindo uma chapa tradicional. 

A consulta feita pelo delegado Waldir confirmou esse congestionamento. Isso porque  havia aliados que acreditavam na possibilidade de que até as convenções todas tratativas acabariam por se afunilar chegando ao consenso de um nome para montagem de uma chapa tradicional encabeçada por Caiado.  Essa era um caminho que exigiria muita tratativa, e sem dúvidas traria desgastes entre integrantes da base, afinal, uma coligação que reúne tantas siglas, acomodar a todos exige muita capacidade de composição.

A avaliação de pessoas próximas aos pré-candidatos ao Senado é de que a decisão do TSE é positiva para a democracia, uma vez que candidaturas eventualmente competitivas não seriam prejudicadas por costuras políticas dos pré-candidatos ao governo estadual. Aliados também apontam que essa nova formatação permite não só manter os partidos na base, como ainda pode ajudar a conquistar novas siglas para a composição – ou seja, são mais argumentos para articulações. 

Mesmo antes da confirmação do TSE sobre as candidaturas independentes, todos os pré-candidatos ao Senado que compõe a aliança com Ronaldo Caiado já estavam em ritmo de campanha. Reuniões, visitas a prefeitos e encontro com lideranças tomam conta da agenda dos postulantes. Pelo compasso, nenhum dos nomes colocados na disputa parece contar com algum plano B, ou seja, não tendem a se colocarem como candidatos a deputado federal ou outra composição futura.

Enquanto tem aqueles que acreditam que as candidaturas independentes pulverizam os votos da base. Há também os que defendam que são mais nomes e mais segmentos representados, logo, a chapa majoritária teria mais chances de sucesso. O certo é que com candidatos independentes ao Senado, a base caiadista tende a evitar desgastes nas tratativas, assim como elimina chances de baixas – como a ocorrida como João Campos e seu partido, o Republicanos.