Cezar Santos
Cezar Santos

Com medo do contágio

Na campanha municipal em 2016, estratégica para 2018, Iris Rezende e cia. vão querer a máxima distância do aliado em Goiânia

Iris Rezende, Ronaldo Caiado e Paulo Garcia: atores da oposição na disputa pela Prefeitura de Goiânia, na eleição que vai ditar os rumos da sucessão estadual | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Iris Rezende, Ronaldo Caiado e Paulo Garcia: atores da oposição na disputa pela Prefeitura de Goiânia, na eleição que vai ditar os rumos da sucessão estadual | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O PMDB goiano está se preparando para de­sem­barcar da aliança com o PT em Goiâ­nia, mesmo com o petista Paulo Gar­cia à frente da administração, o que significa máquina na mão. Mes­mo um daqueles petistas apaixonados há de reconhecer que a gestão municipal é muito criticável. Nesse contexto, Iris Rezende e seus companheiros sabem que carregar esse fardo inevitavelmente vai trazer enormes prejuízos eleitorais na disputa municipal de 2016. Pode-se dizer que há o medo do contágio de uma doença fatal para quem disputa eleição: rejeição por parte do eleitor.

Na semana passada, a mais bem-informada coluna sobre política de Goiás, Bastidores, publicou a nota “Se compor com Iris, o PT fortalece Caiado”, bastante esclarecedora sobre a situação. Um deputado peemedebista diz: “Estamos cozinhando o PT em banho-maria. Mas não há bobos em política, nem no PT, e por isso todos sabem que o PMDB está caminhando para uma ‘carreira solo’. A nossa chapa possivelmente terá Iris Rezende para prefeito e Sandro Mabel para vice-prefeito. É o que queremos e é a chapa pela qual estamos trabalhando.”

Nas linhas seguintes, discorremos sobre outros desdobramentos na questão, considerando que, realmente, o desembarque do PMDB dessa aliança carrega a marca da malemolência, da malandragem. Nada é para ser feito de afogadilho. Iris Rezende não vai queimar pontes. Não bastasse a apreço pessoal que ele tem por Paulo Garcia, o carinho de “pai para filho”. Foi Iris o grande arquiteto da recondução do petista no Paço Municipal, em 2012, quando patrocinou e pediu voto com ardor, garantindo na propaganda eleitoral: “Venho pedir o seu voto e o seu apoio para o nosso candidato Paulo Garcia. Pode ter político igual ele, mas não melhor que ele”.

A aliança PMDB-PT tem sido vi­toriosa há duas eleições. Nessa pers­pectiva, pode-se imaginar que não seria producente os dois partidos mexerem no time que está ga­nhando. O problema é que o cenário mudou desde 2012. E mudou muito, por sinal. De lá para cá, houve uma eleição estadual no meio. Iris disputou, não foi apoiado pelo PT e perdeu mais uma para Marconi Perillo. Isso, por si só, já significa muito. Mas, tem mais.

Além de não ter tido o apoio do PT na eleição de 2014 na disputa contra o PSDB de Marconi, Iris foi apoiado por Ronaldo Caia­­do, do DEM. E Caiado, to­dos sabem, é inimigo declarado do PT. Ainda no ano passado, o líder ruralista lançou Iris Rezende para a prefeitura, numa jogada antecipatória que pavimentou uma via de desvio na parceria entre peemedebistas e petistas em Goiânia.

A verdade é que neste momento, mais de um ano antes da formação das chapas, ao PMDB não interesse nem um pouco continuar com o PT, que seria um autêntico peso morto para Iris Rezende numa campanha em que a capacidade gerencial será cobrada pelo eleitor. Para Iris, ficar colado a Paulo Garcia seria um atraso. Não foi por outra razão que na campanha estadual, nos debates, quando cobrado pelo adversário tucano sobre a responsabilidade com o caos em Goiânia, Iris tenha declarado mais de uma vez: “eu não tenho nada a ver com isso”.

A imagem de Paulo Garcia junto aos goianienses é de inoperância, de incompetência mesmo. E o eleitor não aceita incompetência. Repita-se, Iris gosta de Paulo. Mas é sintomático o fato de que ele não se deixa fotografar com o prefeito. E olhe que Paulo visita o ídolo praticamente todas as semanas. Ao passo que, quando visitado por Caiado, as imagens são divulgadas rapidamente. O sorriso que Iris Rezende estampa nessas fotos é franco, até feliz. Iris deixa transparecer que se sente totalmente à vontade com Caiado.

Maguitistas ameaçam

Neste momento — é bom que se registre que as coisas podem mudar um pouco, mas não muito —, Paulo Garcia e o PT aumentam as possibilidades de derrota para Iris. E o experiente líder peemedebista não pode se dar ao luxo de perder a eleição em 2016. E não pode por quê? Porque sua liderança dentro do próprio partido vem sendo questionada há algum tempo. Questionamentos que crescem na medida em que as derrotas estaduais vão sendo empilhadas uma em cima da outra.

Há um grupo forte no PMDB que quer destronar Iris Rezende, até por acreditar que o partido precisa se renovar. Esse grupo, liderado discretamente pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, surgiu na década de 80 e tem arregimentado forças nos últimos anos. Iris não quer perder espaço para o maguitismo. Por isso, precisa ganhar a eleição em 2016.

Voltar à principal prefeitura goiana será uma vitória pessoal e estratégica para experiente líder. Ele continuaria sendo o protagonista maior dentro do PMDB, dirigindo, como sempre fez, o partido para o lado que ele achar mais conveniente. Poderia sem maiores contestações influenciar o jogo político na próxima eleição estadual, quando Marconi Perillo não poderá ser candidato ao governo. A oposição sente que será a vez dela.

Iris na prefeitura será o principal cabo eleitoral de um candidato com imenso potencial de vitória em 2018, Ronaldo Caiado. E aí, barraria o nome que o maguitismo possa apresentar. Daniel Vilela, na flor de seus 30 e poucos anos, continuaria na fila esperando sua vez. Ou Júnior Friboi — se o empresário conseguir permanecer no partido, para o que tem apoio da cúpula nacional, o que não tem sido garantia de nada, até agora.

Para Iris Rezende — na verdade, para todo o mundo político —, 2018 depende de 2016. Mas para o grande líder peemedebista, essa constatação óbvia é ainda mais crucial, simplesmente porque ele vem de mais uma derrota dolorida para Marconi Perillo. Não dá para continuar sem mandato e correndo o risco de ver seu legado político ser tomado por Maguito Vilela e companhia. Além disso, mais à frente a idade e a saúde podem atrapalhar.

E, apesar de tudo, o próprio Iris sabe que vai chegar uma hora em que ele terá de dar lugar aos novos. Ele não quer que essa ho­ra seja em 2016 e para isso já tem par­ceiro forte em Ronaldo Caia­do, um aliado sem desgaste, em alta junto à opinião pública depois de ter passado da Câmara dos Deputados para o Senado. Em 2016, Paulo Garcia e o PT seriam um “bode” para Iris Rezende.

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