O presidente da República e candidato à reeleição pelo PT, Lula da Silva, tem vivido oscilações constantes nos números das intenções de voto. Apesar disso, ele ainda figura na dianteira da corrida presidencial. Prova disso é o levantamento mais recente da Genial/Quaest: no primeiro turno, Lula apresenta 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) marcou 30%.

A pesquisa também traz o petista à frente de todos os nomes testados no segundo turno. Contra o representante do clã Bolsonaro, Lula apresenta 44% e Flávio marca 39%. Em uma eventual disputa contra Romeu Zema (Novo), o petista tem a preferência de 46% dos eleitores, contra 34% do candidato do Novo.

No enfrentamento com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, Lula marca 45%, contra 37%. Em um cenário com Renan Santos, o petista registra 45%, contra 35% do representante da Missão. Mesmo estando à frente, o presidente tem visto a diferença em relação aos seus adversários diminuir. O que, em uma campanha dessa grandiosidade, deve servir de alerta.

Lula contou com a “sorte” de grandes partidos que se declararam neutros neste primeiro turno. MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, PSDB e Cidadania já se posicionaram afirmando que não irão apoiar nenhum nome neste momento. O fechamento de uma dessas siglas com um dos seus adversários poderia se tornar uma grande pedra no seu sapato. Além do aumento do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, seriam mais “soldados” marchando em prol de um projeto contrário ao do petista.

O resultado disso é que os adversários de Lula só conseguiram formar a chamada “chapa puro-sangue”, que é quando os candidatos que vão concorrer são do mesmo partido. Romeu Zema escolheu o senador Eduardo Girão, que também é do Novo. Flávio Bolsonaro teve que escolher o deputado Alfredo Gaspar para compor a caminhada rumo ao Palácio do Planalto, mas ele também é do PL. A escolha de Gaspar veio após uma verdadeira novela, depois de o senador demonstrar interesse em ter a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina como vice, mas ser barrado pelo anúncio de neutralidade do PP. Ronaldo Caiado, por sua vez, também contará com um integrante do próprio partido como vice: o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Lula é o único que conseguiu manter um outro partido na composição da vice, sendo esse nome Geraldo Alckmin, do PSB. Além disso, o petista conta com PCdoB, PV, Psol, Rede e PDT ao seu lado neste primeiro turno, reunindo praticamente todos os partidos da esquerda. Isso não pode soar como “tranquilidade.” Pelo contrário, em um eventual segundo turno, a possibilidade de os maiores partidos fecharem com o nome da direita que venha a enfrentar Lula é grande.

E o petista ainda está fazendo um outro movimento arriscado. Tem rejeitado a participação em sabatinas e até mesmo em debates. São momentos de extrema importância, nos quais as pessoas consomem o seu nome, os feitos do governo e até mesmo passam a acreditar em uma continuidade. A justificativa apresentada é exatamente o fato de Lula ser o único representante da esquerda e, por isso, ser alvo de ataques constantes dos demais candidatos. É a vitrine a ter a pedra atirada, ainda mais porque está no poder.

Em uma recente entrevista a um podcast, o presidente revelou que irá avaliar sua participação e que dará uma resposta negativa caso o debate seja “só para ouvir bobagem”. No entanto, Lula já recusou participar da sabatina da GloboNews, que seria conduzida pelas jornalistas Andreia Sadi e Natuza Nery, além de não comparecer a sabatinas promovidas por segmentos importantes da sociedade, especialmente aqueles que mais têm se posicionado de forma crítica às medidas do governo.

Esse é um erro crasso que já vimos não dar certo no nosso terreno. Na disputa da prefeitura de Aparecida de Goiânia, em 2024, o então candidato do PL, Professor Alcides, decidiu não participar de nenhum debate. A atitude foi vista quase como um desaforo do político à imprensa e teve consequências para ele. Liderando as pesquisas, Professor Alcides viu o seu nome cair para o segundo lugar ainda no primeiro turno e acabou sendo derrotado no segundo por Leandro Vilela (MDB). As pessoas querem ouvir o que o candidato tem a dizer, as propostas que elaborou para melhorar a qualidade de vida do cidadão e como vai tratar os indicadores importantes, como segurança pública, saúde, educação e economia, entre outros temas. Se o candidato não tem um rosto, como será lembrado?

As redes sociais têm se mostrado importantes nesse processo, mas não podem ser tratadas como a única forma de comunicação. Apesar de soar improvável no século XXI, ainda há lugares remotos no Brasil onde a TV e, em outros, apenas o rádio são as únicas fontes de informação. Ou seja, a presença dos candidatos nas mídias tradicionais tem seu peso para que todos os brasileiros os conheçam e façam suas conclusões sobre o que querem para o futuro do país.

Os questionamentos da oposição são inevitáveis e necessários. Afinal, o governo do PT tem muito a explicar à população: rombos recordes nas estatais, aumento das contas públicas, escândalo do INSS, alta dos juros… São pontos que precisam ser respondidos e que devem ser explorados pelos adversários.

Neste momento, preparo e boa comunicação são as melhores estratégias. Estar seguro e se antecipar a esse tipo de ataque demonstra uma equipe de marketing político atenta e que sabe o que está fazendo. Gerenciar crises em período eleitoral é o que mais acontece e é justamente onde o amadorismo não cabe e nem deve fazer morada.

Ou seja, a ausência nesses espaços pode ser um prenúncio de aumento da rejeição e até mesmo ser lida como desrespeito ao eleitor. Afinal, quem vota pode entender que, se o candidato não tem interesse em se apresentar ou mostrar o que pretende fazer pelo futuro do país, não merece a sua atenção nas urnas.

E a crítica vai além de Lula. A população também está cansada de ouvir apenas ataques ao PT, enquanto propostas concretas ficam em segundo plano. Essa é a oportunidade de cada candidato mostrar, por meio de argumentos e do poder de convencimento, por que acredita ser a melhor alternativa para o país. Fazer do debate apenas um palco para ataques pessoais é empobrecer a discussão. Isso transforma um momento importante de avaliação do eleitor em um espetáculo de baixo nível. O debate é um instrumento essencial da democracia e não deve ser menosprezado por nenhum dos postulantes ao cargo mais importante do país.

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