A pouco mais de dois meses das eleições, o brasileiro vê mais um descontrole sobre as contas fiscais do terceiro mandato de Lula da Silva. À frente do governo brasileiro desde 2023, o presidente conseguiu elevar a dívida pública em 10 pontos do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e chega a 81,9% do orçamento do país, o que se reflete sendo o maior nível em mais de cinco anos. 

Fazendo uma alusão básica: é como se 80% de um orçamento de uma família brasileira estivesse comprometido, o que pode levar ao não cumprimento de alguns compromissos em caso de uma emergência. No caso do Brasil, o país corre risco severo de calote em caso de uma crise persistente. E temos de convir: o que não tem faltado no nosso país tem sido crise, principalmente com algumas outras nações.

Esse percentual equivale a R$ 10,8 trilhões, de acordo com dados do Banco Central. A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 

Esse percentual funciona como um termômetro da chamada “solvência” de uma nação. Isso significa a capacidade de honrar seus compromissos futuros e indica que, quanto maior foi esse indicador, mais chance o Brasil tem de não pagar em dias as suas dívidas. 

Com Lula à frente do governo, é possível afirmar que o Brasil vai atingir um recorde histórico da dívida pública. No final de 2022, a dívida já somava 71,7% do PIB. A nova parcial ainda demonstra que o nível é o maior desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, quando o endividamento do setor público resultava em 82,6% do comprometimento do PIB. 

Os números mostram além de uma irresponsabilidade com as contas públicas e, claro, com o mercado. Mas destacam que não é algo exclusivo do mandato atual de Lula. Em 2006, no fim do seu primeiro mandato, Lula conseguiu o feito de elevar a dívida interna em R$ 470, 3 bilhões, terminando com uma marca de R$ 1,093 trilhão no período. Quatro anos depois, Lula conseguiu o evento de colocar a saúde fiscal em situação de alerta, ao aumentar em 101,3% o montante da dívida pública em 2010, no final do seu segundo mandato. No total, o Brasil estava devendo R$ 2,2 trilhões, o que representava um comprometimento de 64,4% do PIB. 

Se comprarmos o valor da dívida entre o Lula 2 e o Lula 3, o salto chega perto de 400%. A situação sempre foi um fator de reclamação entre os empresários sobre o governo do petista. Diversos nomes do meio, alegaram que a situação leva a uma insegurança jurídica, o que afasta os investimentos do Brasil. 

Mas, para além disso, o aumento da dívida pública também representa um aumento nada expressivo ou até mesmo a retração em áreas básicas, como saúde, educação e infraestrutura. No atual mandato, Lula acrescentou apenas 4,8% na educação, totalizando 113,6 bilhões. Já na área da infraestrutura, R$ 9,7 bilhões foram destinados a obras que entraram no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Seleções.  A saúde recebeu um aumento de 6,4%  em relação ao ano anterior, onde totalizou R$ 227,8 bilhões no Orçamento de 2025.

A situação ainda se torna mais preocupante com os impasses que têm se formado com alguns parceiros comerciais importantes, como os Estados Unidos. Aqui sem levar em consideração os motivos apresentados pelo presidente americano Donald Trump, que tenho a considerar esdrúxulos, não podemos desvalorizar o que ele representa para as nossas receitas. 

No ano passado, houve uma queda de 6,6% na quantidade de exportações em relação ao ano anterior, totalizando 37,7 bilhões de dólares. De janeiro a maio deste ano, as exportações somaram 14 bilhões de dólares, o que representa uma queda de 16% na comparação com o mesmo período de 2025. 

Toda a situação é explicada pelos tarifaços anunciados pelo presidente americano, o que implicou, desde o primeiro anúncio, em carnes, açúcar, vestuários, frutas e vários outros produtos. O governo federal não conseguiu agir com tamanha eficácia para frear ou até mesmo fazer com que essas taxas se tornassem inexistentes. 

Mesmo com a possível abertura de novos mercados para escoar os produtos que não foram absorvidos por Washington, quem vê o Brasil como um bom lugar de investimento percebe que a insegurança jurídica causada pelo tamanho da dívida é refletida na taxa de juros, que sempre tem ficado acima de dois dígitos. Atualmente, está fixada em 14,25%, segundo o Banco Central. Desde que entrou novamente no poder, esse índice oscilou entre 11,75% a 15%. 

A realidade é que Lula tem se mostrado ser muito inconsistente nas ações que dizem respeito à economia brasileira. A sensação de que estamos navegando à deriva no mar é real, com ondas gigantes que podem trazer sérios prejuízos. A realidade é que a política fiscal nunca foi um ponto forte para Lula, que além de tudo isso que aqui foi escrito, esbarra ainda em um reflexo negativo para as estatais, que acumularam déficit primário de R$ 7,4 bilhões de janeiro a maio de 2026. O valor é maior que os R$ 5,9 bilhões registrados em todo o ano de 2025. 

A situação ainda é perigosa já que projeções de especialistas apontam que, até 2030,  o endividamento do governo pode atingir 100% do PIB, o que é impossível para manter os cofres públicos organizados. 

Leia também: Tratar bets como cigarro não basta para fazer o apostador largar o vício