A sete dias da eleição, o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, corre contra o tempo para se consolidar como a melhor alternativa para comandar o Brasil nos próximos quatro anos. Para isso, tem buscado fortalecer suas bases eleitorais no maior número possível de Estados. Em Goiás, não é diferente, mas há um movimento que não tem convencido nem mesmo quem acompanha a política de longe.

Após ser derrotado nas urnas no primeiro turno, o senador Wilder Morais, que também está à frente do PL em Goiás, parece ter retomado suas atividades normais (sempre lento) mas pouco se movimenta para levar a população às ruas em apoio ao presidenciável. Essa mobilização, inclusive, tem sido um pedido do próprio Flávio Bolsonaro, diante das intensas manifestações da esquerda em várias cidades do país.

Wilder Morais tem publicado vídeos de apoio nas redes sociais, ambiente em que a direita já está bem estabelecida, mas não tem conseguido levar os conservadores às ruas. Será que isso ocorre por receio de não obter êxito? A situação chama ainda mais atenção porque o governador reeleito Daniel Vilela (MDB) tem promovido encontros para fortalecer o nome de Flávio Bolsonaro e contribuir para sua vitória no próximo dia 25 de outubro. A esse movimento somam-se o candidato derrotado à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, a senadora eleita pelo União Brasil, Gracinha Caiado, e nomes relevantes do PL, como Gustavo Gayer, Márcio Corrêa e Major Vitor Hugo.

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Cartaz de encontro mobilizado pela base governista | Foto: reprodução

Já circulam informações de que uma ala do partido defende a saída de Wilder Morais do comando da legenda em Goiás. E parece que isso seria melhor até mesmo para Flávio Bolsonaro. Por mais que Goiás seja um Estado majoritariamente conservador e de direita, ter um presidente estadual de sua própria sigla que demonstra pouco engajamento soa quase como uma traição. É um sinal de falta de comprometimento com o projeto partidário.

Não é de hoje que a “gestão” de Wilder Morais, ou a ausência dela, é apontada como um dos principais problemas por integrantes da legenda. A falta de espaço para o diálogo e a seletividade na escolha de quem é ouvido acabam dificultando a construção de uma unidade dentro de um dos partidos mais fortes do país.

Ora, o PL conseguiu eleger uma bancada de 121 deputados federais e 28 senadores. Não é uma legenda nanica ou em desenvolvimento. Já alcançou solidez e precisa de lideranças à altura dessa realidade. Wilder Morais, porém, não demonstra expressividade nem mesmo no ambiente amplamente dominado pela direita: as redes sociais.

O alcance e as interações das publicações nos perfis de Instagram de Gustavo Gayer e Márcio Corrêa são muito superiores aos registrados nas postagens do senador. Isso demonstra que, mesmo nesse ambiente, Wilder Morais enfrenta dificuldades para conquistar expressividade, o que pode ajudar a explicar sua aparente falta de capacidade de mobilização eleitoral para levar apoiadores às ruas em favor de Flávio Bolsonaro.

Os vitoriosos para a Câmara dos Deputados e Senado pelo PL não foram impulsionados por Wilder Morais. Gustavo Gayer teve de buscar o apoio de Márcio Corrêa e outros membros do PL para se eleger senador. O mesmo aconteceu com Fred Rodrigues, Magda Mofatto e Major Vitor Hugo — deputados eleitos devido aos próprios méritos e ao bolsonarismo. Magda Mofatto disse, antes do começo da campanha e com presciência, que o senador não deveria disputar o governo (não obteve 22% dos votos). Fábio Sousa reclamou da falta de recursos financeiros — sendo que o fundo eleitoral do PL é o maior do país. Quem confiou no apoio de Wilder Morais “morreu”, politicamente, na chapada — caso de Major Araújo, que foi derrotado na disputa para deputado estadual.

Wilder Morais também não conseguiu construir uma unidade em torno de seu projeto político. Diversos prefeitos que integravam o PL, principalmente aqueles que relatavam falta de espaço para o diálogo dentro da sigla, declararam apoio a Daniel Vilela antes mesmo de o senador se posicionar como candidato ao governo e mantiveram essa decisão durante as eleições. Um desses nomes, inclusive, foi Márcio Corrêa. O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, também se posicionou ao lado do emedebista.

Independentemente de vencer ou não a eleição presidencial, Flávio Bolsonaro, um dos nomes de maior expressão da família Bolsonaro, precisa de diretórios estaduais fortes. Em Goiás, isso só será possível com uma liderança capaz de reunir diferentes correntes e construir um projeto comum. “Mister Analógico”, Wilder Morais já demonstrou não ser essa pessoa.

O deputado federal Gustavo Gayer pode ter esse perfil conciliador, por mais que muitos duvidem. Sua capacidade de articulação é evidente, além de estar cercado por nomes mais identificados com o bolsonarismo. Wilder Moais, por outro lado, tem sua fidelidade política questionada, ainda que nas entrelinhas.

Ora, gravar um vídeo declarando apoio é fácil. Difícil é demonstrar disposição para participar efetivamente da campanha. Mais difícil ainda é transformar esse empenho em votos.

Para as eleições de 2028, se o PL quiser demonstrar força e consolidar seu espaço político, precisará repensar urgentemente o comando de seu diretório estadual. Nenhum projeto consegue prosperar sem uma base sólida, capaz de garantir sua continuidade ao longo dos anos. E, com a atual liderança, infelizmente, isso não parece possível.

O que se diz, em Goiás e em Brasília, é que Gustavo Gayer, Major Vitor Hugo, Márcio Corrêa e Fred Rodrigues são o presente e o futuro do PL. Já “Mister Analógico” é o passado, cada vez mais remoto.

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Márcio Corrêa e Gustavo Gayer: nomes prodígios da direita | Foto: Divulgação

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