Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Apoio de Rogério Cruz fortalece projeto de reeleição de Ronaldo Caiado e dará maior governabilidade ao prefeito

Aliança entre prefeito e governador será determinante para gestão da capital e terá impactos na formação da base governista

As eleições de 2022 se aproximam. Logo os brasileiros terão que ir às urnas, em razão disso as definições políticas já começam a ganhar ritmo acelerado. No momento a prioridade estratégica dos partidos e políticos está na formação de bases de apoio. As alianças políticas nem sempre possuem fins comuns. Mas precisam ter na sua essência o compromisso de serem benéfica para quem  a compõe. Há poucos dias o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos) manifestou seu apoio a reeleição do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). O anúncio mexe com o tabuleiro e olhando na perceptiva atual, trará resultados em médio e longo prazo para ambos os políticos. 

Primeiro vamos avaliar a posição de Rogério Cruz. A disputa pelo cargo majoritário é protagonista nas eleições municipais. Porém, ainda que o prefeito seja a principal figura política no município, as alianças e articulações ainda seguem demandando para se ter capacidade de gestão e aprovação da sociedade. O prefeito Rogério Cruz já possui experiência como vereador, mas está a frente de um executivo há pouco mais de um ano. Chegou ao cargo após a morte trágica de Maguito Vilela, e isso por si só criou ambiente de inúmeras barreiras.

Acrescenta-se a isso, o fato de que Rogério Cruz sucedeu o prefeito Iris Rezende. Um político histórico, com capacidade de negociação com todas as frentes partidárias, e que encerrou a gestão na capital para se coroar como o maior prefeito da história goianiense. Sucedê-lo é um desafio gigante para qualquer um que se proponha.

É preciso acrescentar que a gestão municipal ainda enfrenta uma pandemia –  que requer decisões quase sempre impopulares. Sem falar nos projetos determinantes para cidade que não foram bem recebidos, como novo Código Tributário (aumento do IPTU) e o Plano Diretor. O ambiente realmente não é dos mais favoráveis para o prefeito da capital.

Embora tenha o apoio da ampla maioria da Câmara Municipal – algo que os prefeitos anteriores não possuíam –  Rogério ainda enfrenta dificuldades para governabilidade do ponto de vista da opinião pública. O prefeito é alvo de manifestações de servidores e população em geral, e isso acaba sendo um prato cheio para que já vê espaço para se colocar como oposição na próxima eleição municipal.

A grosso modo avaliam que o Poder Executivo encontra, junto ao Poder Legislativo, espaço para a aprovação de sua agenda, ou seja, dar ritmo a gestão. Mas seria somente a relação entre o Executivo e o Legislativo capaz de explicar o que se convenciona chamar de governabilidade? Podemos crer também que para governar é preciso ter harmonia com a população e outras instâncias de poderes –  o exemplo aqui é o município e o estado. 

Avaliando esse cenário, é salutar ao prefeito essa manifestação individual de apoio a reeleição de Ronaldo Caiado. Entre os principais pontos está a avaliação que as pesquisas demonstram em favor do governador. Ele lidera a corrida ao governo do Estado e conta com uma boa aprovação entre os goianos. 

Por estar no último ano do seu primeiro mandato, o governador também já possui uma formatação mais sólida dos projetos de governo. Um exemplo que pode gerar fortes reflexos para a imagem de Rogério Cruz é a segurança pública. Sob a responsabilidade do Estado, o setor apresenta bons números na redução e solução de crimes. A capital é favorecida por esse desempenho. O mesmo ocorre com a saúde, já que Goiânia é a cidade que mais demanda investimentos no estado, e com a entrega de novos leitos e reformulação de algumas unidades, a população goianiense se sente beneficiada. 

Há ainda o incremento dos mutirões do Estado. Uma maneira de Caiado homenagear o ex-prefeito Iris Rezende, que resulta na prestação de serviço aos goianienses de forma mais eficiente e prática. Ao ter acesso fácil a alguns serviços, a comunidade acaba por reconhecer a presença da gestão municipal. A expectativa é de que neste ano a realização dos mutirões se reforcem na região metropolitana. 

Ao declarar apoio a Caiado, sabemos que haverá uma maior aproximação entre a gestão da capital e a estadual. Perante a sociedade, Rogério Cruz pode ser beneficiado de ter essa imagem próxima ao governador.

Mas nesta aliança, quem tem possibilidades de benefícios não é só o prefeito. O governador também pode ganhar com essa aproximação. O efeito mais prático de todos criar um distanciamento do Republicanos com prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido). O ex-emedebista ainda está em busca de uma legenda, e embora o caminho que se desenhe seja sua filiação ao Patriota, houve sempre a perceptiva de que o Republicanos pudesse apoiar esse projeto. O partido do prefeito de Goiânia teria grande peso nessa composição. Rogério Cruz estando junto a Ronaldo Caiado, as especulações neste sentido se encerram, enfraquecendo o projeto de candidatura de Gustavo Mendanha. 

O Republicanos é uma das poucas siglas que conseguiram formar uma chapa atrativa para disputa a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e a Câmara Federal. Inclusive o partido coloca em prática diálogos – que se avançam bem –  com nomes que despontam no cenário, como é o caso da vereadora Sabrina Garcez (PSD) e o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (Patriota). No próprio partido, a primeira dama da capital, Thelma Cruz, deve concorrer a uma vaga na Alego, o deputado estadual Pastor Jeferson será candidato ao Congresso, e o deputado João Campos, que deseja se lançar o Senado, mas pode buscar a reeleição.  Assim, o Republicanos pode ter forte importância na formação da base de apoio no caso de um segundo mandato de Ronaldo Caiado. 

Estabelecer uma relação próxima com o prefeito de Goiânia é positivo para qualquer governador. Afinal, se trata da capital do Estado, cidade que além de reunir o maior número de eleitores é a principal vitrine para as políticas públicas. A parceria administrativa precisa haver sempre entre esses dois gestores, mas quando é possível somar a isso aliança política, os benefícios são maiores para população e para os eleitos.

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