Não é de hoje que os militares rondam o poder. Desde que o Brasil era Império que isso acontecia. Dom Pedro II foi deposto pelos militares. Os primeiros presidentes da República eram militares. O século XX por aqui foi marcado pelas tropas nas ruas ou por jovens oficiais marchando pelas areias da praia para derrubar presidente. As ações e reações militares na política brasileira foram vaiadas e aplaudidas. Golpistas ou antigolpistas, lá estavam os militares para garantir a ordem pelos tanques.

O marechal Henrique Teixeira Lott foi um militar que colocou as tropas nas ruas em novembro de 1955. Udenistas e militares exaltados queriam impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart na Presidência e Vice-Presidência respectivamente. Lott era Ministro da Guerra e não admitia ver colega de farda contra a democracia. Ele foi lá e depôs Café Filho e Carlos Luz do poder para empossar Nereu Ramos, que assegurou a posse dos eleitos.

Juscelino nomeou o marechal para ser ministro da Guerra. Em 1960, ele se lançou candidato à Presidência da República, mas perdeu para Jânio Quadros. Lott ainda tentou ser candidato ao governo da Guanabara, em 1965, mas não tinha domicílio eleitoral no Rio de Janeiro e foi impedido de participar da eleição. Era o fim da carreira política do marechal.

Ele morreu em 19 de maio de 1984 e foi enterrado sem honras militares. As ações e reações do marechal teve suas consequências.