Tem lugares em São Paulo que eu quero conhecer, mas dois estão no topo da lista: o Jassa Cabelereiros (eu monto uma barraca na porta só para ver o Silvio Santos) e a Rua Lopes Chaves, número 546, Barra Funda, onde o poeta e escritor Mário de Andrade morou.

Mário de Andrade: o papa da Semana de Arte Moderna | Foto: Reprodução

Depois de tirar uma foto com o Silvio e visitar onde o papa do modernismo viveu, aí sim vou para outros lugares na capital paulista (e há também o túmulo do autor de “Pauliceia Desvairada”, que fica no cemitério da Rua Consolação).

Jassa e Silvio Santos: grandes amigos | Foto: Reprodução

Mário de Andrade pode dizer que foi modernista de carteirinha, raiz, da primeira geração. Ele, Oswald de Andrade e outros poetas e artistas agitaram o cenário cultural brasileiro no centenário da Independência ao organizarem a Semana de Arte Moderna no Theatro Municipal de São Paulo. Em 1928, Mário de Andrade escreveu o romance “Macunaíma”, seu livro mais conhecido. Escreveu também muitas cartas para amigos e outros escritores começando a carreira. Era um orientador cultural, uma espécie de Ezra Pound dos trópicos.

Salão do Jassa: concorridíssimo | Foto: Reprodução

Na década de 1920, Mário de Andrade viajou pelo interior do Brasil estudando o folclore. Ele incentivou a criação do Departamento de Cultura de São Paulo, órgão responsável pela pesquisa e o estudo sobre o folclore brasileiro. Em 1936, Mário aceitou o convite de Gustavo Capanema, ministro da Educação, para redigir o anteprojeto de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Era preciso conhecer e cuidar do nosso patrimônio.

Lopes Chaves: político | Foto: Wikipédia

Mário de Andrade morreu de ataque cardíaco em sua casa, na Rua Lopes Chaves, na Barra Funda, no dia 25 de fevereiro de 1945. No poema “Na Rua Aurora eu nasci”, o poeta escreve:

“Nesta rua Lopes Chaves

Envelheço, e envergonhado

nem sei quem foi Lopes Chaves”

Nós não sabemos quem foi Lopes Chaves? Veja o que diz a Wikipédia: “Francisco Lopes Chaves, 1º barão de Santa Branca, 1809-1884. Foi um nobre e político do Império do Brasil”. Mas na rua com esse nome morou um (grande) cara cuja casa quero conhecer quando voltar a São Paulo. Quem sabe não passo na Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, depois de encontrar Silvio Santos na porta do Jassa Cabelereiros?