Quando fui para São Paulo, visitei a Catedral da Sé, no Centro, e a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Em ambas, na parte lateral da nave, tinha um púlpito mais elevado e uma pequena escada que a conduzia até lá. Eu acredito que era dali que os sacerdotes proclamavam as leituras e faziam seus sermões. Nos tempos em que não tinham microfone e caixa de som, o silêncio dos fiéis deveria ser obrigatório para que o sermão caísse no coração de cada um.

Padre Antônio Vieira foi um religioso do século XVII e autor de vários sermões que estão na galeria da nossa literatura. O Sermão da Sexagésima é o mais famoso. Ele nasceu em 6 de fevereiro de 1608, em Lisboa. Ele veio para o Brasil em 1619.  Religioso da Companhia de Jesus, Vieira exerceu sua missão na Bahia e no Pará. Naquele tempo, o Brasil Colônia vivia momentos complicados como a invasão holandesa.

Em seus sermões, Padre Antônio Vieira defendia os judeus, o fim da escravidão de negros e índios e foi perseguido pela Inquisição. Exímio orador e escritor, com certeza os fiéis que participavam de suas celebrações abriam os ouvidos para ouvir o que ele tinha para falar. Quem tiver ouvidos, que ouça e quem tiver olhos que leia Padre Antônio Vieira