A convite do diretor Euler Belém, do Jornal Opção, inicio nessa data, dia de finados do ano pandêmico de 2021, coluna assinada neste semanário. O termo alusivo à periodicidade semanal, usado para o veículo noticioso – fundado em 1975 – dá-se apenas pela conveniência de se contar as edições, já que atualmente as notícias são acrescentadas a todo instante no “site” do jornal, mercê dos tempos e formatos virtuais. Assim também será esta coluna, alimentada de maneira contínua, no mínimo uma vez por semana.

O convite se deu para que eu escrevesse uma coluna polimástica, com temas multivariados, abrangendo cultura, ciência, geologia, medicina, saúde, cosmologia, agronomia, matemática, política, meio-ambiente, biografia, sociologia, literatura, arte, música, história, geografia, tecnologia e outros mais.

Tema Livre! Bem poderia ser esse o nome da coluna, por motivos óbvios. Euler Belém, contudo, me fez uma sugestão de vernáculo e fiquei de analisar. Disposto a encontrar um nome que fosse ao mesmo tempo claro, compreensível e isento de vieses, recorri a alguns amigos, familiares e, claro, ao dicionário – o pai dos cultos.

Encontrar um nome não é fácil: ora não abrange o conceito ou o escopo pretendidos, ora já foi apropriado por outros veículos de comunicação, pessoas ou até movimentos, tendenciando o sentido do vocábulo.

“Ciência e Cultura”, nome que me ocorreu de imediato, foi desprezado porque no próprio Jornal Opção já existe a ótima coluna “Ciência”. O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), Jales Mendonça, ponderou que o nome “Diversidade”, remeteria ao viés de inclusão de minorias, que – embora será tema abordado -, não traduz o objetivo da coluna. Pensei em “Plataforma”, logo descartado por associação com extração de petróleo, programas de partidos políticos e até “plataforma virtual” na computação. “Ponto Alto” pareceria pretensioso, de acordo com o professor do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (IESA/UFG), Eguimar Felício Chaveiro. “Panorama” seria mais apropriado para uma coluna sobre turismo, opinou o professor Ricardo Assis, da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Assim, deixei de lado dezenas de nomes, e retornei ao que me fora sugerido inicialmente pelo diretor do Jornal Opção: “Periscópio”.

O vocábulo não é comum e também não traz as virtudes do ineditismo e da originalidade em denominação de colunas de autor. Mas traduz plenamente o objetivo desta coluna: trazer signos pictóricos, ideias e perspectivas multifacetadas, e que estão distantes, para o campo visual do observador, no caso, o leitor.

Periscópio é um equipamento óptico, dotado de lentes e cristais, empregado em submarinos, tanques e trincheiras de guerra, e que permite observar objetos por cima de obstáculos que impedem sua visão direta.

Etimologicamente é uma justaposição de “Peri” (do grego, “à volta de”) com “Skopus” (do grego, “observador”). Assim, por latinização, Periscópio significa “olhar à volta”.

Retornando ao plano intelectual, esse é o objetivo deste autor de “Periscópio”: mostrar um pouco do mundo natural, das ciências humanas, biológicas e exatas, das artes e da cultura em geral, da geopolítica e da história, do mundo dos seres microscópios e da vastidão do cosmo, para quem está distante, ou desapercebido. Não necessariamente convencê-los com seus argumentos ou fazer valer sua cosmovisão, mas instigar nos leitores a curiosidade de aprofundar e aprender mais sobre o tema proposto. Se esse interesse for estimulado, e o leitor “olhar à volta”, este autor e a coluna “Periscópio” terão alcançado seus intentos. Boa leitura e até o próximo artigo