Washington Luís passou seu aniversário de 61 anos preso em uma cela do Forte de Copacabana no Rio de Janeiro. Talvez ele tenha se lembrado de outros 26 de outubro quando as pessoas lhe davam abraços, tapinhas nas costas e lhe enviavam telegramas e cartas com desejos de saúde e vida. Dois dias antes da sua prisão, Washington Luís era Presidente da República. Por mais que ele não quisesse que lembrassem do seu aniversário, o cargo praticamente obrigava as pessoas a recordarem a data do seu nascimento. Em 1929, o jornal “República”, de Santa Catarina, colocou sua foto na primeira página na edição do dia 26 de outubro e uma mensagem de congratulações: “O dia de hoje registra o aniversário natalício do grande Presidente Washington Luís. É um dia de júbilo para os brasileiros que não perderam a fé no soerguimento da pátria e na capacidade dos filhos da Terra de Santa Cruz”. Preso no Forte de Copacabana, a memória de Washington Luís deve ter rememorado as mensagens que recebera enquanto esteve na Presidência da República.

Com certeza as moças não esqueciam do 26 de outubro. Muitas delas chegavam a dizer que na política do café com leite, Washington Luís não era café e nem leite, mas sim um pão. O charme do morador do Palácio do Catete provocava suspiros nas moças da bela época brasileira. Até 1930, todos os Presidentes da República tinham pelos no rosto e os de Washington Luís eram os mais bem tratados. Com certeza o barbeiro do Catete não cobrava o serviço no rosto presidencial quando o dia era 26 de outubro.

O primeiro 26 de outubro de Washington Luís foi em 1869, em Macaé, interior do Estado do Rio de Janeiro. Apesar de ser fluminense, foi em São Paulo que Washington fez sua carreira política. Ele foi deputado estadual, deputado federal, prefeito da cidade de São Paulo e governador do estado de São Paulo e senador. Quando chegou à Presidência, em 1926, o “Paulista de Macaé”, como era chamado Washington Luís, representou São Paulo e não o seu estado de origem. Governou fazendo rodovias e enfrentado a crise do café em 1929. Quantas festas os assessores, admiradores e puxa-saco não fizeram para ele nos belos jardins do palácio presidencial? Quantos 26 de outubro comemorados no Palácio do Catete?

Mas em outubro de 1930, o clima era outro. Os revolucionários vinham do sul do país e Washington Luís teimava em dizer que os rebeldes seriam derrotados até que no dia 24 de outubro ele foi deposto encerrando o seu mandato presidencial e uma era em nossa República. Washington Luís, o “paulista de Macaé”, passou o seu aniversário de 61 anos preso no Forte de Copacabana. Ele estava incomunicável, então não deve ter recebido telegramas, cartas, abraços e tapinhas nas costas. Tudo ficou para trás. Até mesmo o Brasil ele teve que abandonar, pois partiu para o exílio nos Estados Unidos.

Washington Luís ainda viveria outros 26 de outubros, mas sem paparicos de assessores, admiradores e puxa-saco. Ele morreu em 4 de agosto de 1957, em São Paulo, cidade que ele governou e recebeu muitos parabéns em ocasião do seu aniversário.