Quando falei para minha mãe que eu faria meu mestrado sobre Carlos Lacerda, ela me falou “Será que ele era irmão do Flávio Cavalcanti”? De fato, os dois são muito parecidos. Minha mãe lembra que o Flávio falava do Lacerda em seu programa de televisão. Os dois não tinham o mesmo sangue, mas se assemelhavam em vários quesitos como os óculos grossos e o anticomunismo.

Flavio Cavalcanti, nascido em 15 de janeiro de 1923, cem anos hoje, era o senhor domingo antes do Silvio Santos. Seu programa era visto por milhares de telespectadores. Ele criou o júri que julgava os calouros que passavam pelo seu palco. Quando trabalhava na TV Tupi do Rio, as ruas próximas ao estúdio do Cassino da Urca ficavam cheias com o público aguardando a hora de entrar e participar do programa. Lea Penteado escreveu o livro “Um instante maestro” e recorda os tempos que trabalhou com Flávio Cavalcanti.

Quantos artistas foram alvo das críticas dele. Flávio não tinha medo de expor seu descontentamento com determinada música e quebrava os discos desaprovados no palco. Se fosse hoje em dia, ele estaria nos tranding topics como um dos assuntos mais comentados. Flávio foi entrevistado pelo programa “Abertura” da TV Tupi. Osvaldo Sargenteli não poupou nas perguntas enquanto Flávio suava muito e não deixava pergunta sem resposta.

Em 1986, Flávio Cavalcanti foi para o SBT apresentar o seu programa. Na noite do dia 26 de maio, ele passou mal no palco e foi substituído pelo jurado Wagner Montes, que só encerrou o programa. Quatro dias depois ele morreu por causa de uma isquemia miocárdica. Em sua homenagem, Silvio Santos tirou o SBT do ar até a hora do enterro.