Quantas vezes você abriu seu armário, olhou aquele tanto de camisa, calça, blusa, saia rodada, vestido e, na dúvida, cantarolou: “Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”. Tem músicas que não saem da nossa cabeça. Palmas para Noel Rosa, autor dessa canção.

Noel Rosa nasceu em 4 de maio de 1910, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. João Máximo e Carlos Didier escreveram “Noel Rosa — Uma biografia, um livro maravilhoso que conta a vida e as músicas dele. Escrevi uma resenha para o Jornal Opção, a pedido do meu querido amigo Euler de França Belém. Acho que foi em 2012. A Companhia das Letras tentou publicar uma nova edição, mas uma disputa entre os dois autores impediu.

Noel Rosa tomou gosto pela música na adolescência. Aprendeu a tocar bandolim e violão e rapidamente adentrou na boemia carioca atravessando a madrugada de bar em bar cantando e bebendo cerveja. Aos poucos, ele foi rabiscando uma letra aqui e outra acolá, dando forma as primeiras composições. Em 1929, Noel Rosa gravou seus primeiros sambas “Minha viola” e “Festa no céu”. Porém, no ano seguinte as coisas mudaram de figura.

Se em 1930, uma revolução mudou o Brasil, “Com que roupa” alavancou a carreira de Noel. Começava a surgir o cantor e compositor que narrava a vida carioca no começo do século passado. O sucesso lhe fez cantar no rádio e a ter músicas gravadas por Francisco Alves, Mário Soares e Aracy de Almeida. A moça do Encantado, bairro vizinho à Vila Isabel, foi a intérprete preferida do Poeta da Vila. Ela lançou um disco nos anos 1970 com músicas de Noel Rosa, resgatando os seus grandes sucessos. A ranzinza jurada do Silvio Santos era uma baita cantora.

Noel Rosa viveu pouco, apenas 26 anos. A tuberculose atormentou seus últimos anos de vida e foi a causa de sua morte em 1937. Viveu pouco, mas o pouco que viveu foi suficiente para se eternizar na história do samba. Não duvido que um amigo, procurando uma roupa para ir ao velório, não tenha cantado “Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”