Lamartine de Azeredo Babo (1904-1963 — viveu 59 anos) foi aos Correios enviar um telegrama. O telegrafista bateu o lápis para o colega ao lado, em código Morse: “Magro, feio e de voz fina”. Lamartine já tinha trabalhado como telegrafista e entendeu a mensagem. Ele sacou um lápis do bolso e bateu na mesa também em código Morse: “Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista”. O que os telegrafistas não sabiam é que aquele “magro, feio e de voz fina” compôs os hinos dos times que eles torciam. Lamartine foi um dos nossos maiores compositores de manchinha de Carnaval e de hinos de time de futebol.

Ele nasceu na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1904 — há 120 anos. Como bom tijucano, Lamartine Babo, ou Lalá como era conhecido, torcia para o América Futebol Clube. Fanático pelo time, ele escreveu a letra do hino e, quando o América conquistou o Campeonato Carioca de 1960, Lamartine desfilou pelas ruas cariocas vestido de diabo. Mas o seu fanatismo americano não o impediu de escrever as letras dos hinos do Flamengo, Vasco e Botafogo. Imagine a tristeza de Lamartine ouvindo um desses hinos quando um desses times ganhava do seu América.

Academicamente falando, Lamartine se formou em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, atual UFRJ, mas a sua vocação não era o campo jurídico. A música soou mais forte e ele fez seu nome como compositor. Apesar de não ter nenhum conhecimento em teoria musical, as melodias e as letras compostas por Lalá até hoje são cantadas nos estádios de futebol e nos bailes carnavalescos. Em 1937, ele teve problemas com a censura imposta pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas quando as sátiras foram proibidas. Ditadores detestam ser debochados ainda mais em música popular. E sátira era com Lamartine mesmo.

O “magro, feio e de voz fina”, o compositor das manchinhas de Carnaval e dos hinos dos times cariocas, ou simplesmente Lamartine Babo, morreu no dia 16 de junho de 1963, em decorrência de um infarto. O companheiro de música Braguinha dizia que o Carnaval foi dividido em duas partes: antes e depois de Lamartine Bab