“Para a Igreja o Ano jubilar constitui uma ocasião privilegiada para reavivar e celebrar a sua fé em Cristo:  à luz da Encarnação, ela tem em vista reflectir com gratidão sobre os inumeráveis frutos de santidade amadurecidos no seu seio, no arco destes dois milénios. Contudo, isto não a dispensa de recordar as muitas incoerências que assinalaram o comportamento dos seus filhos, lançando sombras sobre o anúncio do Evangelho. É por isto que, entre os sinais do Jubileu, o Sumo Pontífice pôs o da purificação da memória, pedindo a todos um acto de coragem e de humildade ao reconhecer as próprias faltas e as de quantos tiveram e têm o nome de cristãos (cf. Incarnationis mysterium, 11).”

Em uma carta escrita para o reitor da Pontifícia Faculdade Teológica da Itália Meridional, em 14 de fevereiro de 2000, o cardeal Ângelo Sodano em nome do papa João Paulo II, falou sobre a disposição da Igreja Católica em rever suas ações ao longo do tempo. Reconhecer os erros cometidos contra os judeus e durante a Inquisição foram as purificações da memória feitas pela Igreja durante o jubileu do Terceiro Milênio. Reconhecer o erro e pedir perdão é um ato de coragem e humildade. Naquele ano 2000, mais especificamente no dia 16 de fevereiro, marcaria os 400 anos da morte do filósofo Giordano Bruno. Ele foi condenado pela Inquisição e queimado vivo na fogueira, na Praça Campo di Fiori, em Roma. A carta do cardeal Sodano se referia ao Congresso que a Pontifícia Faculdade Teológica da Itália Meridional faria sobre o quarto centenário da morte do filósofo.

Giordano Bruno foi um filósofo, teólogo e matemático do século XVI. Ele estudou o cosmo e afirmava que o universo era infinito, dessa forma não poderia ter um centro. Bruno foi acusado de heresia por negar várias doutrinas católicas como a Trindade, a virgindade de Maria e a transubstanciação. Em 1593, a Inquisição iniciou o processo contra o filósofo e o condenou sete anos depois. Demorou muito, mas a Igreja reconheceu o erro e incentivou estudos sobre as ideias de filósofos, como Giordano Bruno.

Na Praça Campo di Fiori, em Roma, tem uma estátua em sua homenagem.