O jornalista Samuel Wainer viajou até o Rio Grande do Sul, em fevereiro de 1949, para fazer uma reportagem para os Diários Associados sobre a produção de trigo. Mas ele teve uma ideia: por que não se dirigir até São Borja, terra de Getúlio Vargas? Já fazia quatro anos que o ex-ditador estava em suas terras e fora da política.

Samuel Wainer conseguiu convencer Vargas a dar uma entrevista. E que entrevista! “Pode publicar que voltarei ao Rio em abril ou no máximo em maio próximo”, “Eu voltarei como líder de massas”. O velho ditador mostrava que, mesmo fora do poder, ainda dava as cartas. Ele não somente voltou para o Rio de Janeiro como se lançou candidato presidencial e venceu.

Publicada a entrevista, Getúlio Vargas disse ao Profeta, como chama Samuel Wainer, que havia gostado do que disse e, também, do que não disse.

Getúlio Vargas e Samuel Wainer, o Profeta

Um dos sucessos de Francisco Alves foi a música “Bota o retrato do velho”. Um dos versos dizia “O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar”. Getúlio Vargas voltava sorridente ao Palácio do Catete em 31 de janeiro de 1951. Dessa vez, pelo voto popular ou, como ele gostava de dizer, “nos braços do povo”. Samuel Wainer começou a ser chamado de Profeta porque a sua reportagem “profetizou” o retorno de Vargas ao poder. De quebr,a conseguiu um empréstimo com o Banco do Brasil para fazer o seu “Última Hora”, um jornal inovador para a imprensa brasileira e que “adulava” o presidente e seus aliados.

Getúlio Vargas voltava ao poder, mas seus opositores não lhe dariam trégua. Carlos Lacerda com seu jornal “Tribuna da Imprensa” denunciava e criticava o velho ditador. A nascente televisão também seria espaço para o jornalista atacar seu maior inimigo. Ninguém disse que Vargas teria vida fácil. Talvez fosse mais fácil ficar em sua fazenda, em São Borja, tomando um chimarrão e fumando um charuto.