“Este ato foi como o desabar da muralha chinesa que, pela parte do mar, segregava o Brasil de todo convívio direto com a civilização estanha às fronteiras da língua portuguesa; e deixou desde logo entrever a clara intuição que tinha o Príncipe Regente, depois rei com o título de João VI, não só da irrevogabilidade das conquistas liberais que foram para a humanidade realizadas pela Grande Revolução, como da fatal desenvolução dos fatos que em breve individualizaram, como nova unidade no sistema geral das nacionalidades, a opulenta região que então constituía a América Portuguesa.”

O jornal “O Paiz” trazia na primeira página de sua edição do dia 28 de janeiro de 1908 a lembrança do centenário da abertura dos portos. Além da foto da imagem de Dom João VI, o jornal trazia também um texto apontando a importância de tal fato para a nossa história. A vinda da família real portuguesa para o Brasil mudou a rotina da colônia portuguesa e traçou os rumos da nossa independência.

A abertura dos portos, promulgada em 28 de janeiro de 1808, foi a primeira Carta Régia assinada por Dom João VI. Por meio dela, os portos brasileiros estavam autorizados a comercializar com as nações amigas à Portugal.

A Inglaterra foi a mais beneficiada com tal medida, pois teve condições vantajosas para suas negociações. Esse ato encerrou o Pacto Colonial, ou seja, o Brasil não tinha mais a obrigatoriedade de negociar apenas com Portugal. Rompia-se assim o primeiro laço que prendia o Brasil de sua metrópole. Ventos de liberdade começavam a sacudir a Terra de Santa Cruz.