Estes versos são de Mário de Andrade, escritor modernista nascido em 9 de outubro de 1893. Ao contrário da Aurora e do Lopes Chaves, que a gente não sabe quem eram, Mário de Andrade nós sabemos muito bem quem ele foi. Nas ruas da Paulicéia Desvairada, Mário escreveu sua poesia e aprendeu a observar o cotidiano daquela cidade que mudou de cara no começo do século XX. O dinheiro do café bancou as indústrias que se instalaram naquela urbe e remodelou o seu espaço. As ruas tranquilas cujo nomes desconhecemos se tornaram grandes artérias por onde carros, motos e caminhões começaram a passar constantemente.

Mário é referência da Semana de Arte Moderna de 1922. Um evento cultural sediado no Teatro Municipal de São Paulo. Entre palmas e vaias, a aristocracia paulistana era apresentada àqueles escritores e artistas diferentes, que misturavam o que era cultura europeia com a cultura brasileira. Já não se faziam mais cópias do que a Europa produzia. Dava-se à produção artística do Velho Mundo uma cara brasileira.

Além de agitador cultural em 1922, Mário foi pesquisador. O ministro Gustavo Capanema o chamou para escrever o anteprojeto que deu a base para a criação da Secretaria do Patrimônio Histórico Nacional. Era preciso documentar a produção cultural brasileira, preservar o que era feito no interior do nosso país. O Brasil começava ser visto por dentro. Mário de Andrade também trabalhou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo pesquisando sobre a música e o folclore brasileiro.

Mário de Andrade morreu em 25 de fevereiro de 1945, na mesma São Paulo que ele escreveu em seu poema “Inspiração”:

“São Paulo! comoção de minha vida.

Os meus amores são flores feitas de original!

Arlequinal! Trajes de losangos. Cinza e ouro..

Luz e bruma. Forno e inverno morno ..

Elegâncias sutis sem escândalos. sem ciúmes …

Perfumes de Paris. Arys!

Bofetadas lírica= no Trianon. Algodoal!.

São Paulo! comoção de minha vida.

Galicismo a berrar nos desertos da América.

Voz do poeta e prosador Mário de Andrade