Márcio M. Cunha
Márcio M. Cunha

Amor e ódio nas eleições da OAB

Os embates entre os candidatos não pararam em meras ofensas, além de quase irem em vias de fato os embates não pararam por aí

O sonho dos advogados e ad­vo­gadas é que a política classista na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não se equipare ou assemelhe à política partidária tradicional, considerando que, em tese, temos um público mais qualificado, capaz de compreender e fazer as leituras subliminares necessárias que na política partidária às vezes não é possível se ter.

Na OAB de Goiás, não podemos admitir o vale tudo para chegar à presidência da Ordem, pois, na última eleição, tínhamos conselheiros e diretores se abraçando por todo o Estado e, hoje, não podem nem se cruzar. Candidatos adversários em 2015, que quase brigaram no dia da eleição, inclusive com cenas gravadas e veiculadas em grupos de WhatsApp, mas que hoje tais brigões se abraçam e pedem o voto dos colegas advogados. Tudo na mesma chapa. O sistema de chapas deveria ser extinto, pois dessa forma não oportuniza o contraditório no conselho da Seccional.

Na verdade, os embates entre os candidatos não pararam em meras ofensas, além de quase irem em vias de fato os embates não pararam por aí. Foram parar nos Fóruns Cível e Criminal, com Representações Criminais e Ações de Indenização, inclusive com denúncias de invasão de privacidade, onde um candidato havia tirado fotos de um escritório de um ex-presidente da OAB. Mas isso não é nada, se comparado ao fato de termos chegado ao ponto de candidatos ex-adversários brigarem na última eleição há menos de três anos e, agora estão se abraçando. Excelente que hoje estejam em paz, mas achamos isso estranho, considerando que, na política classista, temos que manter um nível mínimo razoável de coerência.

Na política tradicional partidária, os candidatos já perderam a verecúndia, e as coligações são uma verdadeira balbúrdia e não dão a menor importância para desafetos políticos, pois lá já é comum termos adversários políticos tradicionais se unirem para vencer as eleições. Todavia, nas eleições da OAB, isso não era comum, levando em conta que sempre tivemos de um lado a situação e, do outro, a oposição. Contudo, há algum tempo temos visto pessoas transitar de situação para oposição de acordo com sua conveniência.

Não criticamos tal posição, mas, para os eleitores, é bom entender que manter um mínimo de coerência é razoável no linear do pensamento e ações que serão desenvolvidas em defesa da advocacia e das prerrogativas dos advogados. Fiquemos em alerta, pois o que hoje parece situação amanhã vira oposição e vice-versa. Não vale tudo para chegar ao poder. Não podemos mais admitir esse tipo de comportamento. Os advogados e advogadas querem coerência, sinceridade, honestidade, franqueza, transparência e lealdade dos candidatos a presidente. Afinal, se tivermos uma advocacia acima de tudo e Deus acima de todos, tudo será perfeito no desempenho de nossa profissão! l

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