No dia 15 de janeiro de 1956, nasceu o Conservatório Goiano de Música, fruto do sonho e da coragem de cinco mulheres e do maestro belga Jean Douliez, radicado em Goiânia.

Belkiss S. Carneiro de Mendonça, Dalva Maria Pires Machado Bragança, Maria Luiza Póvoa da Cruz, Maria das Dores Ferreira de Aquino e Maria Lucy da Veiga Teixeira são as mulheres que idealizaram esse projeto visionário.

Em uma entrevista realizada na plataforma digital durante da terceira edição da “Live: O piano e suas perspectivas” ocorrido em 3 de julho de 2020, Dona Fífia, como é carinhosamente conhecida, relembrou a origem do Conservatório Goiano de Música:

“Surgiu da decisão de um homem e cinco mulheres”.

No início, as aulas eram ministradas na Faculdade de Direito, localizada na Rua 20, no setor Central de Goiânia. O diretor da faculdade, Ernani Cabral, cedeu o espaço para as aulas à tarde e à noite, uma vez que as atividades da faculdade ocorriam apenas pela manhã. Dona Fífia, em sua entrevista, recorda com saudosismo o período em que as aulas eram realizadas até mesmo debaixo de uma mangueira em sua casa, o que chamou a atenção da imprensa e rendeu a crônica “Aprendendo música à sombra de um quintal”, escrita pelo jornalista Hélio Rocha.

Fachada do Conservatório Goiano de Música | Foto: Capa do livro “A música e o piano na sociedade goiana (1805 – 1972)” BORGES, 1998.

Apesar dos desafios financeiros e administrativos, os idealistas persistiram em seu propósito de manter o Conservatório Goiano de Música. Como todos os professores eram especializados em piano, foi decidido que cada um também lecionaria uma disciplina teórica adicional, a fim de ampliar a oferta de disciplinas necessárias. No entanto, um desafio permanecia: encontrar um prédio próprio para a sede da instituição. 

Em 1957, o conservatório conseguiu alugar um prédio de dois pisos na Avenida Tocantins. Com essa conquista, em 26 de janeiro de 1959, o tão sonhado Conservatório se tornou realidade nos moldes de uma escola federal, quando o presidente Juscelino Kubitschek autorizou seu funcionamento.

No entanto, segundo a professora Maria Helena Jayme em sua publicação “A música e o piano na sociedade goiana (1805 – 1972)”:

“a situação ainda não estava completamente resolvida”.

 Durante a criação da Universidade Federal de Goiás, o projeto enviado ao Congresso não continha a documentação completa do conservatório. Diante disso, as professoras Dalva Bragança, Léa Pereira Campos e Dona Fífia foram a Brasília com uma carta do governador José Feliciano Ferreira para obter a inclusão do conservatório na UFG. 

Finalmente, em 14 de dezembro de 1960, o Conservatório Goiano de Música foi incorporado à UFG, juntamente com as primeiras escolas de ensino superior existentes em Goiás – Faculdade de Direito, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Faculdade de Medicina e Escola de Engenharia.

Solenidade de formatura da primeira turma do Conservatório da UFG, 1961 Da esquerda para direita: Vera Camargo Guarnieri; Dona Leia Campos; Dona Tânia Póvoa; Maestro Camargo Guarneiri; Glacy Antunes de Oliveira e Yara Moreira | Foto: Arquivo particular da Professora

Assim começou a história da Escola de Música e Artes Cênicas na Universidade Federal de Goiás, que, partindo de um modesto conservatório, se tornou uma instituição plural e uma referência no Brasil. Além da música de concerto, a escola ampliou seu escopo ao longo do tempo, oferecendo cursos de Musicoterapia, Artes Cênicas com ênfase em Artes da Cena e Direção de Arte e Música Popular. 

Maria Lucy Veiga Teixeira (Dona Fífia) Recebendo o título de Professora Emérita da UFG em 2018 | Foto: Acervo Pessoal

Dona Fífia, uma das mentoras da criação da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, é uma figura notável. Nascida Maria Lucy Veiga Teixeira, na cidade de Goiás, em 26 de maio de 1926, ela completa esta semana 97 anos. Além de ser uma talentosa pianista e professora de canto coral, Dona Fífia é Professora Emérita da UFG, responsável pela criação do renomado “Coral do Conservatório Goiano de Música”, estabelecendo um padrão de excelência que se mantém até os dias de hoje. Com formação em Piano pela Universidade de Música de São Paulo e Canto Orfeônico no Rio de Janeiro, ela também participou de inúmeros cursos de especialização em Canto Coral. 

Dona Fífia é uma figura querida por todos, encantando os ouvintes com sua música em diversas ocasiões como nas missas, na Academia Goiana de Música, em festas familiares, transmissões ao vivo e em qualquer lugar onde a música a chame. Sua alegria é contagiante, e seu amor pela música à torna uma figura mais do que especial.

Maria Lucy Veiga Teixeira (Dona Fífia) | Foto: Acervo pessoal

Para celebrar a trajetória de Dona Fífia e o coro da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, ouviremos “Aleluia” de G. F. HANDEL (1685 – 1759) com o Coro de Câmara da EMAC – UFG. Concerto da Orquestra Filarmônica de Goiás, com Angelo Dias, regente convidado; Coro de Câmara da EMAC – UFG e Solistas Convidados. 

Vida longa à dona Fífia e ao coro da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG!