Euler de França Belém
Euler de França Belém

Uma boa notícia cultural é o relançamento da revista “Bravo!”. A pergunta é: vai durar?

Revistas de Cultura, como a “Bravo!” e “EntreLivros”, nascem e morrem logo. Porque publicação cultural é quase mecenato. Mas vale torcer pela sobrevivência da nova “Bravo!”

Helena Bagnoli: jornalista que dirige a renascida revista “Bravo!”

Helena Bagnoli: jornalista que dirige a renascida revista “Bravo!” | Foto de seu Facebook

Quando uma publicação cultural é lançada, elogia-se e lamenta-se. Lamenta-se porque, ao nascer, pensa-se logo em sua morte. Elogia-se porque seus proprietários são corajosos e não temem perder dinheiro — investindo, em regra, a fundo perdido. Cultivar produtos culturais, sobretudo impressos, é quase mecenato. “Bravo!” e “EntreLivros” nasceram, fizeram história e morreram. Assim como outras revistas. A “Bravo!” surgiu graças a um jornalista talentoso, Wagner Carelli. Era uma excelente revista, com artigos e ensaios de qualidade.

Porém, não tendo como mantê-la, porque é mais jornalista do que empresário, Wagner Carelli repassou-a para a Editora Abril. Com mais estrutura, o grupo da família Civita teria mais condições de editá-la e, até, torná-la melhor e mais ampla. Qual nada: a Abril conseguiu piorar a revista, aproximando-a mais do mundo do espetáculo do que da cultura — na verdade, produzindo um mix (e espetáculo pode ser cultura) —, e, em seguida, extinguiu-a, em 2013.

Agora, três anos depois, uma empreendedora corajosa, a jornalista Helena Bagnoli, ressuscita a “Bravo!”, em formato digital (bravo.vc) e com publicação impressa trimestral (uma garantia, quem sabe, de que poderá sobreviver).

Guilherme Werneck: um dos diretores da revista Bravo!

Guilherme Werneck: um dos diretores da revista Bravo! | Foto de seu Facebook

Ex-executiva da Editora Abril, Helena Bagnoli, com o apoio de Guilherme Werneck, lançou a revista na quarta-feira, 17. Entrevistada pela repórter Alana Rodrigues, do Portal Imprensa, a jornalista contou que pretende publicar “dossiês monotemáticos e profundos, ligados por um tema conceitual”. Teoricamente, é parecido como o modelo da “Cult”, revista de cultura bem-sucedida e longeva.

“A ideia é ter uma publicação para leitores do universo de arte e cultura com temas que não envelheçam, que possam ser constantemente revisitados, serão edições para colecionadores. Arte e cultura sempre fizeram meu coração bater, achei que, ao invés de reinventar a pólvora, eu deveria revitalizar uma marca forte, com um DNA sólido”, afirma Helena Bagnoli. “Acreditamos que a arte e a cultura constroem pontes reais entre os seres humanos e um mundo mais amplo, abrem horizontes, humanizam. Não há crise que possa massacrar um bom projeto.”

Estarei, desde o início, entre os leitores e, quem sabe, assinantes da “Bravo!”. Direi, até: bravo! à revista “Bravo!”.

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