Euler de França Belém
Euler de França Belém

TV Globo demite Luís Fernando Silva Pinto, Cristina Piasentini e Marco Antonio Bodão

Outras demitidas: Sylvia Sayão, Meg Cunha, Maria Thereza Pinheiro e Teresa Cavalleiro. Kamel elogia todos, mas não explica motivo das demissões

A Globo está promovendo uma renovação geral de seus quadros, num amplo processo de enxugamento, que visa, em parte, reduzir o custo da empresa. Outra questão é que, aos poucos, começa a sofrer uma concorrência mais forte — ainda que fora da tevê aberta — da CNN Brasil. A TV Record também faz um trabalho de qualidade na área jornalística. A rede da família Marinho está se renovando, porque, com competidores novos na área, precisa inovar, buscar novos caminhos. Por isso, com a saída de Silvia Faria, Ricardo Villela assume, em janeiro, a direção de Jornalismo da Globo, passando a ser o número dois do grupo (o chefão é Ali Kamel, o diretor-geral de Jornalismo).

Silvia Sayão e Luís Fernando Silva Pinto | Foto: Reprodução

O que se está preparando é a equipe que vai trabalhar sob o novo comando de Ricardo Villela. Parte da turma de Silvia Faria está “caindo” porque chegou a hora da turma de Ricardo Villela.

Na terça-feira, 1º, Ali Kamel anunciou os nomes dos demitidos e dos que vão trabalhar com Ricardo Villela.

O mais conhecido dos demitidos é do experimentado Luís Fernando Silva Pinto, correspondente da Globo em Washington desde 1986. Trata-se de um jornalista seguro e muito bem informado. Informa e analisa os fatos. Vai além do trabalho de repórter. Aos 65 anos, permanece em forma. Há uma tendência, na Globo, de aposentar profissionais que passam de 60 anos.

Ricardo Villela assume a direção de Jornalismo da Globo em dezembro | Foto: Reprodução

Cristina Piasentini foi demitida da direção de Jornalismo de São Paulo. Será substituída por Ana Escalada, que era, segundo o site Notícias da TV, seu braço direito.

Silvia Sayão, afastada do “Globo Repórter”, chefiava a área de produção de grandes reportagens. Meg Cunha deixa a chefia de redação de grandes reportagens. Monica Barbosa, Mona, é a substituta de Silvia Sayão. Para o seu lugar, como editora-chefe do “Bom Dia Brasil”, irá Ana Pini.

Monica Barbosa substitui Silvia Sayão | Foto: Reprodução

Maria Thereza Pinheiro, a Terezoca, e Teresa Cavalleiro deixam a chefia de Projetos Especiais. A primeira trabalhou 40 anos na Globo; a segunda, 42 anos. Os nomes para substitui-las vão ser anunciados antes do dia 31, quando todos os demitidos vão sair.

O coordenador das afiliadas de rede, Marco Antonio Rodrigues, o Bodão, foi demitido. Trabalhou 41 anos na Globo. Rogério Nery assume o seu lugar.

Marco Antonio Rodrigues, o Bodão | Foto: Reprodução

Ali Kamel elogia todos que estão saindo. Não podia ser diferente. São profissionais da mais alta competência e que dedicaram suas vidas à Globo. Mas por qual motivo não oferece uma explicação para a demissão? Certamente, em alguns casos, o Grupo Globo está praticamente aposentando funcionários que estão na empresa há 40 anos. Mas tais servidores queriam se aposentar, estão comprometendo a qualidade da maior rede de televisão do país? Tudo indica que não. O mais provável é que o novo editor de Jornalismo da rede, Ricardo Villela, quer renovar a equipe, indicando seus novos parceiros. Porém, nada disso é dito no material divulgado pelo diretor-geral de Jornalismo, Ali Kamel. Falta exatamente “jornalismo” aos textos sobre os demitidos. Como se as loas fossem a maneira de reduzir o impacto das demissões.

Entretanto, se demitir é uma arte, Ali Kamel é um artista da demissão. Ao menos mostra ser um chefe caloroso.

Comunicado de Ali Kamel

Ali Kamel, diretor de Jornalismo da TV Globo | Foto: Reprodução

“Se algo marca a Globo desde a sua fundação é a capacidade de atrair é reter os profissionais de maior talento. As equipes aqui são as melhores hoje como foram ontem e como certamente serão amanhã. Porque os melhores profissionais procuram as melhores empresas e as melhores empresas procuram os melhores profissionais, uma coisa potencializando a outra.

“Basta que a gente se lembre de quem passou por aqui (as pessoas com quem aprendemos), basta olhar para quem está hoje aqui (ensinando e aprendendo), basta olhar para quem acabou de chegar (aprendendo, mas ensinando também, no mínimo com o modo de agir e pensar das novas gerações). É um movimento bonito.

“Mas não é nunca fácil quando chega o momento de quem fica se despedir de colegas que se vão depois de uma trajetória tão longa quanto cheia de êxitos. A emoção é grande, sempre.

“Nesses momentos, me alegra enfatizar o movimento que mencionei: os que vão aprenderam com os que aqui estavam e ensinaram aos que ficam de tal modo que o jornalismo que praticamos continua sempre de altíssima qualidade. Porque é e continuará a ser sempre fruto da mistura entre os mais e os menos experientes. Parte fundamental do sucesso dos companheiros que saem é ter ajudado a preparar os que ficam.

“Como conversado com eles há meses, Maria Thereza Pinheiro, a nossa Terezoca, Teresa Cavalleiro, Cristina Piasentini, Silvia Sayão, Meg Cunha, Marco Rodrigues, o nosso Bodão, e Luiz Fernando Silva Pinto deixam a Globo no dia 31 de dezembro. Até lá, seguem normalmente nos cargos, concluindo projetos muito importantes.”

Ali Kamel escreve sobre cinco demitidas
1
Maria Thereza Pinheiro

“Terezoca entrou na Globo no início dos anos 80, pouco depois de se formar na USP. Começou no Globo Rural, foi para o Jornal Hoje e, já em 1982, enfrentava o desafio de participar das primeiras eleições diretas para governadores depois do golpe de 1964.

Maria Theresa Pinheiro | Foto: Reprodução

“Até aquele momento, Terezoca se dividia entre a Folha de S. Paulo e a Globo. Depois daquela cobertura, abraçou de vez o telejornalismo. Ajudou a implantar a TV Tem, participou da enorme cobertura da doença e morte do presidente-eleito Tancredo Neves, foi editora-chefe dos SPTVs. E editou o Globo Repórter, onde fez reportagens pioneiras, muitas delas antecipando temas hoje cruciais. Como a violência contra a mulher, a depressão, violência contra crianças.

“Desde 2002, trabalha muito perto de mim, uma parceria que só me trouxe felicidade, boas experiências e uma amizade que vamos levar para o resto da vida.

“Ela e Teresa Cavalleiro, como diretoras de Projetos Especiais, desde aquele ano ajudaram a tornar realidade quase todas as novidades que o jornalismo levou ao ar, especialmente em anos de eleição. Caravana JN, JN no ar, O Brasil que eu quero para o futuro, além de garantirem a qualidade dos debates entre candidatos.

“Há dois anos, Terezoca passou a liderar o Memória Globo, antes em mãos de sua parceira Teresa Cavalleiro, e, bem ao seu estilo, deu-lhe um novo site e mais dinamismo.

“Ao longo desses anos, Terezoca foi uma excelente conselheira, daquelas que falam o que pensam, opinam com franqueza, discutem com muita abertura. Vai continuar a ser. Ela não tem o menor problema em me contrariar, em nome da franqueza. Eu sou sempre franco também, mas não ouso contrariá-la.

“Sendo franco: dada a proximidade, meu depoimento sobre ela seria substancialmente mais longo. Mas ela me disse: ‘Se você fizer um textão para mim, nunca mais falo com você, é um pedido meu’. Não vou arriscar mais do que já fiz aqui.”

2
Teresa Cavalleiro

Teresa Cavalheiro | Foto: Reprodução

“Quando ela chegou à Globo, em 1978, na primeira turma de estagiários do Jornalismo da Globo, idealizada por Alice Maria, ainda se usava lauda de papel. E o espaço para o nome do editor, no alto da página, era pequeno — só comportava 4 letras. Nasceu daí, o apelido que ficou para sempre: Tcav.

“A turma de estagiários se dividiu entre a ‘escuta’ e a reportagem. Teresa Cavalleiro foi a única que foi direto pra edição, começando pelo Jornal da Globo e indo logo depois para o Jornal Hoje. Foram meses de muito aprendizado até a contratação, em setembro de 1979, quando virou editora do então Jornal das Sete, hoje o RJ-2. Em pouco tempo passou a fechar o jornal e, quando acabava, ainda corria para editar uma matéria do Rio pro JN, quase sempre de Glória Maria.

“Em 1984, aos 26 anos, aceitou um convite para montar, do zero, a estrutura de jornalismo da recém-criada Rede Globo Oeste Paulista, com sede em Bauru. Depois de um ano e meio sem férias, a missão estava cumprida. Avisou a direção de Jornalismo no Rio, que pediu que ela se apresentasse, já na semana seguinte, ao Globo Repórter.

“Começava ali um longo período sob a direção de Jorge Pontual. Nos primeiros quatro anos, viajou pelo Brasil e o mundo, dirigindo reportagens feitas por Sandra Passarinho, Pedro Bial, Ilze Scamparini, Glória Maria, Caco Barcellos, entre outros.

“Em 1989, inquieta, Teresa deixou a Globo para outras aventuras, mas em 1991, já estava de volta à casa como chefe de redação do Globo Repórter. No cargo (Silvia Sayão era então a chefe em SP), enfrentou, com a equipe, algumas maratonas que resultaram em programas inesquecíveis, não só para ela mas também para o público: as homenagens a Tom Jobim e Ayrton Senna, em 1994 e o programa sobre a morte da Princesa Diana, em 1998.

“No mesmo ano, recebeu convite de Carlos Henrique Schroder para se tornar chefe de redação da editoria Rio. Era uma volta ao factual, onde tudo havia começado.

“Dois anos depois, Alice Maria a convidou para integrar uma nova diretoria, de Entretenimento, grupo pequeno formado também por Vera Íris Paternostro e Ronan Soares, que tinha a missão de fazer uma ponte entre os programas de Entretenimento e o Jornalismo. E já no começo ajudaram a implantar o Altas Horas, o núcleo de jornalismo do Mais Você e do Programa do Jô.

“No começo de 2002, Teresa passou a ser diretora de Projetos Especiais, deixando o hard news. Nessa função, começou a estruturar a área de internet e mídias sociais no Jornalismo. Cabia a ela gerir as páginas dos telejornais no ambiente virtual da Globo, no início da popularização da internet no Brasil. Os conteúdos da TV e da web ficaram cada vez mais integrados até o surgimento do G1, hoje líder de audiência no setor.

“Dividiu com Terezoca todos os projetos especiais ligados às eleições que mencionei e, também juntas, fizeram os programas Os Brasileiros e Globo Mar, este, por quatro temporadas. De 2014 a 2019, dirigiu o Como Será, um sucesso das manhãs de sábado. E mais recentemente participou da montagem e realização, em poucos dias, do Combate ao Coronavírus, um desafio que só a experiência e a disciplina poderiam enfrentar.

“Também nessa função, passou a coordenar a cobertura do Carnaval no Rio e a participação do Jornalismo no Criança Esperança (mas, considerando toda a sua história na Globo, são mais de 30 carnavais e quase 20 “Criesp´s”). E desde 2005 dirige nossas transmissões do Oscar.

“Não é de tirar o fôlego? E Teresa fez tudo isso sem perder a calma. Nesse mundo caótico que é o jornalismo, é um oásis de organização, sem perder o entusiasmo e a criatividade. Uma colega querida, uma profissional completa, nas mãos de quem tudo dá certo.”

3
Cristina Piasentini

“O Jornalismo quase perdeu Cristina Piasentini para o curso de História. Mas, para nossa sorte, foi no nosso ofício que ela construiu a sua belíssima história profissional. Cris cursou 2 anos de História na USP, mas abandonou o curso e se formou em jornalismo, já como estagiária da TV Tupi, em 1979.

Cristina Piasentini | Foto: Reprodução

“Passou por outras emissoras, fez especialização na Universidade de Navarra, voltou, trabalhou ainda em concorrentes da Globo até aportar aqui em 1987 como coordenadora de produção da editoria São Paulo.

“No ano seguinte, fez sua primeira grande cobertura: as eleições da prefeitura de São Paulo, que deram a vitória a Luiza Erundina. E, já em 1989, Piasentini assumiu a coordenação do Jornal Nacional em São Paulo e de lá participou da cobertura das primeiras eleições presidenciais depois do golpe de 1964.

“A cobertura do Plano Collor, em março de 1990, foi outro de seus grandes desafios. O presidente, empossado, anunciou o ‘confisco da poupança’ numa coletiva confusa, em que ficou claro que nem o governo sabia das minúcias do próprio plano econômico. Cris estava na equipe que, nos bastidores, ajudou Lilian Witte Fibe e Joelmir Beting a tentar entender o que acontecia em Brasília e traduzir para o espectador.

“Foi um dia inteiro no ar, com transmissões de coletivas e muitas entrevistas em estúdio, um trabalho incessante. Em 1991, Cris começou uma nova fase na Globo, fora do hard news: foi para o Globo Repórter, onde passou 13 anos, como editora e depois como chefe de redação em São Paulo.

“Foram incontáveis programas de qualidade. Cito apenas dois. ‘Extermínio de Menores’, que ela dirigiu em 1995, uma investigação que reuniu todos os boletins de ocorrência policial de um determinado período para mostrar que as investigações são poucas e falhas, o que acaba deixando os criminosos impunes e as vítimas sem Justiça.

“Ganhou o Prêmio Vladimir Herzog na categoria Melhor reportagem para TV. O segundo, o que mostrou o primeiro Quarup para um homem branco, Orlando Villas Boas. Ganhou o Grande Prêmio Barbosa Lima Sobrinho de Jornalismo.

“Em outubro de 2005, ela assumiu o cargo de diretora-adjunta da redação de São Paulo (Luiz Cláudio Latge era o diretor) e já no ano seguinte enfrentou os primeiros grandes desafios: a cobertura dos ataques de uma facção criminosa na capital paulista.

“Literalmente, São Paulo em chamas, dias de muita tensão com a cidade praticamente deserta à noite, vivendo uma espécie de toque de recolher. Foi quando a facção sequestrou o repórter da Globo Guilherme Portanova e o auxiliar técnico Alexandre Callado. Um episódio que nos traumatizou a todos, Schroder, eu, Latge, Cris e, principalmente, claro, as vítimas.

“Eu me lembro que estava no Bat Mitzva de minha enteada quando Schroder me ligou para dividir comigo a demanda dos bandidos, de que ele soube por Latge e Cris. O que fazer? Ouvida a direção da empresa, ouvidos os acionistas, tomou-se a decisão pensando na segurança dos colegas. E eles foram soltos.

“Com tantos desafios e tantos acertos, era natural que Cristina chegasse aonde chegou: em março de 2008 tornou-se diretora de jornalismo de São Paulo, quando Latge voltou ao Rio. E passou por uma prova de fogo imediata: assumiu o posto numa sexta-feira e na noite de sábado houve a morte da menina Isabella Nardoni, um crime medonho, envolvendo o pai e a madrasta.

“É difícil enumerar todas as grandes coberturas que Cristina liderou desde então. São Paulo é a maior metrópole do país, tudo o que ali acontece tem repercussão nacional. Foram eleições, crises econômicas, grandes crimes, acidentes naturais, tragédias, descobertas científicas, histórias inspiradoras. E, paralelamente às coberturas, Cris também liderou um processo de grandes mudanças no jornalismo de SP nos jornais locais e de rede.

“Mudança de formato, de cenário, de estúdio, de processos, de equipes. Talvez a mais visível delas seja o estúdio de vidro, no topo do Edifício Jornalista Roberto Marinho, inaugurado em maio de 2008. Mas, junto com ele, veio também um jeito novo de apresentar o telejornal, com o apresentador em pé na maior parte do tempo, se deslocando pelo estúdio para usar melhor os telões — que em 2017 se tornaram interativos, integrando informações de trânsito, transporte público, meteorologia, redes sociais.

“Nos locais, na rede, no Globo Repórter, por onde passou, Cris brilhou. Liderar por doze anos essa potência que é a nossa sede em São Paulo fez de Cris uma colega admirada por todos nós. Sempre segura, firme, ponderada, lidera pelo exemplo. Deixa uma redação poderosa, vibrante, preparada. Organizou-a como lhe é próprio: com método e capricho.”

4
Silvia Sayão

“Quando cheguei à Globo, em 2001, os colegas foram unânimes quando me falaram de Silvia Sayão: sabe tudo de televisão, é zelosa, quer sempre a maior qualidade. E é doce. Tentei muito buscar na memória um momento mais difícil entre nós dois e não encontrei. Não que não reclamasse de alguma decisão, mas, quando isso acontecia, era com doçura.

“As mensagens começam sempre com um ‘querido’ mesmo quando é para protestar. Comigo e com todos. Há 24 anos à frente do Globo Repórter, deixa um legado de sucesso: uma história profissional como a de poucos e um programa que os brasileiros amam, com uma audiência sempre das mais altas da faixa horária.

“Formada em jornalismo pela FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, Silvia começou no Diário Popular, onde ficou de 1972 a 1974, como repórter-estagiária de assuntos gerais e setorista da Editoria de Educação. Em 1974 foi para o Estadão, também como repórter de geral e setorista de Educação. Lá permaneceu até o fim de 1977. E, em fevereiro de 78, chegou à TV Globo. Somente aqui, quarenta e dois anos de bom jornalismo.

“Silvia me disse recentemente que a TV Globo foi o grande presente da sua vida profissional. Eu respondi afirmando que ela foi um dos grandes presentes que a Globo recebeu. Achei bonito o que ela me disse, e repito agora: ‘Aqui encontrei a carreira com que sonhei nos tempos de adolescente – e a realidade foi melhor do que o sonho. Quarenta e dois anos se passaram e não me lembro de ter experimentado aquela sensação chata de obrigatoriedade ou rotina no trabalho’.

“Não é à toa que essa frase reflita o que pensam também os outros companheiros que são tema desse e-mail: nossa profissão é das mais dignas e poder desempenhá-la na Globo nos leva a dar o melhor de nós.

“Silvia, como seus colegas que também estão deixando a Globo, testemunhou acontecimentos dramáticos, entrevistou presidentes, acompanhou de perto todos os momentos significativos da nossa História recente: Diretas-já, Anistia, Tancredo – eleição e morte – Collor, planos econômicos todos, Impeachment, eleições de Fernando Henrique, Lula, Dilma, Bolsonaro.

“Foi editora do Jornal Nacional em São Paulo de 1978 a 1985. Mas em 1982, como convidada, fez o seu primeiro Globo Repórter, sobre o centenário de Monteiro Lobato. Depois continuou no JN, mas os convites para breves participações foram mais frequentes e, em 1986, se transferiu definitivamente para o Globo Repórter.

“Silvia me disse que, na ocasião, parecia impossível encontrar algo melhor do que já tinha vivido, mas foi o que lhe aconteceu. Ela começou no Globo Repórter como editora, dirigindo programas envolventes, surpreendentes. Chegou a voltar à Editoria São Paulo, por um ano (1989) e passou seis meses como chefe de redação do Fantástico (1995).

“Na metade de 1995, Evandro Carlos de Andrade assumiu o Jornalismo da Globo e a convidou para substituir o colega Jorge Pontual, então diretor do Globo Repórter, que foi para Nova York.

“No programa, Silvia reencontrou a equipe maravilhosa formada pelos seus brilhantes antecessores, Roberto Feith e Pontual. Grandes talentos reunidos nas chamadas grandes reportagens. Teresa Cavalheiro, Cristina Piasentini eram as chefes de redação, e a Terezoca, a editora em São Paulo – todas com grandes contribuições ao Globo Repórter, como já descrevi aqui. O Globo Repórter forma talentos. Continua formando. Continuará formando.

“E foi essa equipe, sempre unida, sob o comando de Silvia Sayão, que topou o desafio de fazer um programa com linguagem mais popular, mais próxima do grande público e da vida rotineira do brasileiro. Não houve tema de impacto que tenha escapado das câmeras do Globo Repórter, sempre traduzido numa linguagem acessível e envolvente.

“Não houve repórter que não tivesse sonhado ser acolhido pela Silvia e fazer um Grep. E todos que tiveram essa experiência entraram para o folclore brincalhão dos demais chefes de telejornais, porque saíam das escalas dos telejornais quando estavam debaixo do “saião” da Sílvia, um trocadilho de doer, mas muito carinhoso.

“Silvia soube lidar com o desejo de Sérgio Chapelin de deixar o programa depois de 50 anos de vida profissional, e fez a transição de forma natural para Glória Maria e Sandra Annenberg, um sucesso no ar. Neste segundo semestre, na pandemia, Silvia e a equipe do Globo Repórter brilharam em dois programas que fizeram História ao retratar a História da TV Brasileira: emoção e informação. Agora trabalham com o mesmo talento de sempre na retrospectiva, uma marca desse time, um programa sempre muito aguardado. Especialmente num ano como 2020, tão carregado de fatos.”

5
Meg Cunha

“Silvia não é a única a deixar o Globo Repórter em 31 de dezembro. Nossa querida Meg Cunha, chefe de redação ao lado de Marcia Monteiro, sairá também. Silvia me disse dela, e eu registro aqui: ‘É a nossa grande mestra da edição, influenciando e formando gerações de editores, produtores e repórteres. A minha grande parceira nessa missão delicada – mas sempre leve, feliz – de conduzir o nosso Globo Repórter’. Que parceria!

Meg Cunha | Foto: Reprodução

“Meg está no Globo Repórter desde 1998, há 22 anos. Mas sua história de êxitos na Globo começou bem antes, há 47 anos, em 15 de agosto de 1973, quando começou um estágio na aqui na Globo. Logo foi sacudida por notícias históricas.

“Ela separava os antigos telegramas que chegavam em avalanche aos teletipos das agências internacionais. O estágio era no JN e, no dia 11 de setembro, menos de um mês depois da sua chegada, pôde ser testemunha do impacto do golpe militar no Chile, noticiado sob as restrições da censura da ditadura militar.

“Dali em diante, enfrentou outras tantas provas de fogo sendo a estagiária que lia as manchetes que corriam e mudavam o mundo. Foi contratada em 1 de maio de 1974. Passou a ser assistente da editoria internacional. E não parou mais (com pequenas escapadelas para outras redações fora da Globo): Jornal Hoje, Jornal Nacional novamente, escritório de Londres, Jornal da Globo.

“Nessas funções, trabalhou na cobertura da guerra do Vietnã, do Camboja, das Malvinas. Namorou sempre o Globo Repórter, em participações especiais e em retrospectivas, até que, finalmente, em janeiro de 97, foi definitivamente para o Grep, como editora. Ajudou a fazer do programa a fortaleza que ele é hoje. Um feito, um orgulho.”

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