Euler de França Belém
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Toninho Vaz lança biografia do cantor e compositor Luiz Melodia

O artista morreu há três anos, com 66 anos. Deixou uma música refinada. Biografia pretende mostrar o artista poderoso e homem multifacetado

Sabe-se, do Oiapoque ao Chuí (e não Chaui): quem não gosta de Luiz Melodia tende a não ser bom sujeito. Porque, além de excelente compositor, Luiz Melodia era um grande cantor — um intérprete poderoso. O artista morreu em 2017, aos 66 anos. Se fosse americano, teríamos no mercado livreiro ao menos dez biografias — decentes e, até, indecentes. No Brasil, nenhuma. Nenhuma? Vírgula, sai agora, pela Editora Tordesilhas, “Meu Nome é Ébano — A Vida e a Obra de Luiz Melodia” (336 páginas), de Toninho Vaz.

Luiz Melodia compunha como poeta que, na verdade, era. Letras de música não são necessariamente sinônimos de poesia. No caso do criador carioca, letras são poemas e os poemas são letras, que, levados à voz, se tornaram canções espetaculares — caso da bela “Pérola Negra”. Além, é claro, de “Juventude transviada” e “Estácio, holly Estácio”. Na música “Que Loucura”, sempre atual (fala do homem eterno, não datado), a voz de Luiz Melodia, aqui e ali, mostra-se como um “instrumento” musical. Pense em Billie Holiday? Pensou? Pois é: a cantora de jazz certamente o aplaudiria.

Toninho Vaz biografou Paulo Leminski e Torquato Neto, pessoas de vidas complexas. Portanto, tem cabedal para biografar um artista tão multifacetado, como Luiz Melodia, que teve passagens difíceis na vida: deprimiu-se, usou drogas. Mas uma coisa é certa: nunca deixou de ser um artista refinado (uma Elza Soares que vestia calças, por certo).

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