Euler de França Belém
Euler de França Belém

Revista “IstoÉ” erra ao comparar Bolsonaro com Hitler?

A irritação da publicação reflete, possivelmente, o descompasso entre o governo de Bolsonaro e a sociedade brasileira

Provocada pela Alemanha de Adolf Hitler (1889-1945), a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) levou à morte mais de 60 milhões de pessoas (há livros que estimam em 80 milhões). Nos campos de extermínio, como Auschwitz-Birkenau e Treblinka, foram assassinados pelos nazistas 6 milhões de judeus. Morreram também ciganos, testemunhas de Jeová e homossexuais.

A brutalidade nazista tem similar na União Soviética de Stálin (foram assassinadas cerca de 25 milhões a 30 milhões de pessoas) e na China de Mao Tsé-tung (o governo comunista matou cerca de 70 milhões de indivíduos).

A direita e a esquerda são responsáveis pelo maior genocídio da história, e não apenas do século 20.

Portanto, quando põe o presidente Jair Bolsonaro na capa (por sinal, criativa, ao colocar a palavra “genocida” simulando o bigode), exibindo-o como um Hitler tropical — por causa dos mais de 600 mil mortos em decorrência da pandemia da Covid-19 —, a revista “IstoÉ” excede. Vale discutir alguns pontos.

Primeiro, o regime dirigido por Hitler matou pessoas de maneira deliberada e escolheu um povo específico, o judeu, para destruir. Ocorreu algo semelhante a isto nos dois anos e quase dez meses do governo de Bolsonaro? Na verdade, não. Não se tem 600 mil “comunistas” no país.

De fato, se tivesse comprado vacinas mais cedo, se tivesse incentivado a população a usar máscaras e apoiado o isolamento social nos momentos mais complicados da pandemia, é possível que menos pessoas tivessem morrido. Hoje, a despeito das piadas de mau gosto de Bolsonaro, há milhares de famílias enlutadas. Há uma tristeza insuperável em vários lares. Há também pessoas que, embora tenham sobrevivido, certamente terão que lutar com as sequelas da Covid por vários meses, anos ou até para sempre. No seu realismo economicista, faltam ao presidente compaixão e empatia.

Entretanto, pode-se dizer que Bolsonaro colaborou, de maneira deliberada, para as mortes, e, portanto, é um “assassino” serial como Hitler? Talvez não. Mas é uma questão a discutir. Há muita gente séria, inclusive no meio científico, que discorda do que escrevi. Gente que, ao contrário do que o presidente imagina, não está fazendo discurso ideologizado. Está, isto sim, preocupada com a vida, que é uma só — não tem estepe.

Segundo, a Alemanha era uma ditadura totalitária. Quem discordasse de Hitler, mesmo entre seus aliados, podia ser assassinado. Bolsonaro é autoritário, chega a pensar em golpe de Estado — o que lhe falta, aparentemente, é apoio nas Forças Armadas, sobretudo no Exército —, mas o Brasil é democrático. Não há uma ditadura no país, nem igual à nazista e tampouco como a que durou de 1964 e 1985 na nação do escritor José Rubem Fonseca.

Terceiro, a irritação com Bolsonaro procede, o que pode levar a excessos, como o da revista.

Ao mesmo tempo que o Ministério da Saúde trabalha para vacinar os brasileiros, o que está reduzindo, de maneira significativa, o número de mortes — curiosa ou sintomaticamente, o ministro Marcelo Queiroga teve de se tornar bolsonarista, ao menos nos modos, para conseguir ampliar a vacinação —, Bolsonaro continua insistindo em não usar máscara e “avisa” que não irá se vacinar. Fica-se com a impressão de que, no fundo, se vacinou — daí a coragem de se expor em público “sem receio” de ser contaminado. No fundo, quer passar a imagem, para os eleitores, de que é um homão da porra, um super-herói.

O Brasil, neste momento, não precisa de super-heróis — eles estão muito bem nas telas do cinema e nos gibis. O que o país precisa é de um presidente que colabore para estancar as mortes por Covid, que estimule as pessoas a se protegerem — o que, reduzindo as internações, diminuirá os gastos do governo com saúde — e trabalhe, em tempo integral, pela recuperação da economia, com a redução da inflação e a geração de mais empregos.

Bolsonaro se comporta como se não governasse o país, como se fosse o principal líder das oposições. Como se fizesse oposição ao próprio governo. É como se, tendo tomado posse em janeiro de 2019, até hoje o presidente não tivesse assumido o governo. Quase tudo que acontece de errado em seu governo, o líder da direita atribui aos adversários.

Os jornalistas da Rádio Jovem Pan criticaram duramente a “IstoÉ”, sugerindo que sua crítica tem a ver com o fato de que não estaria faturando no governo federal. Mas há outra possibilidade interpretativa: a revista talvez esteja refletindo a irritação da sociedade com Bolsonaro. As pesquisas de intenção de voto — e o presidente deve ter as suas (porque não divulga, não se sabe) — sugerem que a popularidade do gestor está em franco derretimento, tanto que Lula da Silva descolou e, se as eleições fossem realizadas agora, poderia ser eleito no primeiro turno.

As pesquisas indicam que há algo errado com Bolsonaro — que parece ser considerado pior do que seu próprio governo (há ministros que têm apoio na sociedade, como o da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e a da Agricultura, Teresa Cristina) — e que os bolsonaristas não estão atentando para o que está acontecendo. Se não leva as pesquisas a sério, o bolsonarismo no governo não corrigirá as falhas de percurso e, daí, o derretimento da imagem do presidente tende a aumentar. A ideologização de tudo, o fato de ser avesso às críticas, não deixa Bolsonaro e seus aliados perceberem que o governo e a sociedade estão em vibes diferentes.

Finalmente, a “IstoÉ” excedeu, sim. Mas Bolsonaro não excede há muito tempo, desde que era deputado?

17 respostas para “Revista “IstoÉ” erra ao comparar Bolsonaro com Hitler?”

  1. Avatar Regis miranda disse:

    Quando a reportagem faz ilação dizendo que “se tivesse comprado vacina mais cedo”, ora, vai estudar um pouco, precisava da aprovação da Anvisa e no caso da Pfizer precisava de lei que só foi aprovada em março de 2021. Sem entrar em outros detalhes mentirosos nessa reportagem.

    Vacina não está disponível na pratileira de arroz (aqui no Brasil pois em muitos lugares do mundo até arroz falta). Se estivéssemos tão ruim, não seríamos o quarto a vacinar e o primeiro (que não tem tecnologia para produzir vacina) colocado no mundo.

  2. Avatar Maria Aparecida Della Rosa disse:

    REVISTINHA DE QUINTA CATEGORIA, NIVEL BAIXISSIMO, VERGONHA NACIONAL, JORNALISTAS VULGARES, COMUNISTAS E NOJENTOS.

    • Avatar David disse:

      Revista podre, há muito tempo não vende nada, tá no desespero

      • Avatar Sergio vignati disse:

        Cada vez mais aumenta a nossa indignacao com boa parte de nossa imprenssa escrita e falada, totalmente comprometida com as facilidades que os antigos governos proviam para evitar escandalos das praticas espurias que praticavam. Esse tempo acabou, nesse momento se faz necessário aplicar leis que se apliquem aos jornalistas ou repórteres que colocarem em risco a liberdade de expressao tao necessaria ao desenvolvimento e progresso de uma nação! Nos colocamos um ministro por se utilizar uma musica nazista como canção de fundo e assim foi feito. O que deveriamos fazer com uma publicacao desse nivel e totalmente fora de contexto?

    • Avatar Senilson Soares dá silva disse:

      Governo deplorável

  3. Avatar Naty disse:

    Erra, pois o estereótipo de bolsonaro não é Mussolini, narcisista, que se excitava mostrando seu físico e atributos de atleta. Igualmente a Mussolini, o pobre e com traços de uma infância traumatizada por sombras que ele aterroriza com sua ira sobre uma suposta família perfeita, homofobia e racismo, ele é lambe ovos do Hitler ( Trump) .

  4. Avatar Naty disse:

    Não é Hitler, é MUSSOLINI!
    ERRATA

  5. Avatar Vera disse:

    Essa revistinha de quinta tem quebrar processada… BOLSONARO, eles querendo ou não é um chefe de estado e merece respeito como tal

  6. Avatar Fernando Sarmento leite Barcellos disse:

    Comparar Bolsonaro com Hitler é de uma imbecilidade sem limites. Isso é uma agressão aos judeus . Onde estão STF, esquerdinhas de merda, a mídia quebrada. Bolsonaro 2022

  7. Avatar João disse:

    Por acaso eu estava visitando um campo de concentração em 2018 na Alemanha logo depois da eleição de Bolsonaro.

    Em Berlim, ao dizer que eu era brasileiro, quase todas as pessoas me faziam perguntas sobre por que de o Brasil estar elegendo Bolsonaro. As expressões iam de espanto à decepção. O Brasil era visto como um país da tolerância, da alegria, e que valorizava a diferença. Uma vez ouvia: “esperávamos isso de qualquer país, menos do Brasil”.

    “Isto” era um governo de extrema direita de inspiração nazi-fascista.

    As frases de Bolsonaro sobre não estuprar uma mulher porque não merecia, ou sobre a ditadura no Brasil ter matado pouco, ou o fato de ele ter elogiado o torturador da Dilma no seu discurso pelo impeachment estavam estampados nos jornais alemães, em cartazes nas ruas e até naqueles totens no metrô.

    A comparação que os ALEMÃES faziam, antes mesmo da pandemia, era com Hitler mesmo.

    Eles me diziam que ninguém deu moral para Hitler também no início, que era visto como alguém incapaz de cumprir o que prometera. Que latia, mas não morderia, e a coisa foi crescendo, crescendo, e deu no que deu.

    No campo de concentração, o que mais me chocou foram os experimentos com seres humanos financiados pelo governo. Não vejo muita diferença com o que se fez em Manaus e na Prevent Senior.

    Outro traço importante do nazismo alemão foi a política institucional da mentira, o famoso “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Com a estratégia de fakenews bolsonarista podemos dizer que a mentira por aqui é repetida milhões de vezes e milhares de mentira são repetidas assim. Só a mentira tão disseminada pode evitar que o povo perceba a realidade e se revolte. Isso aconteceu na Alemanha. Isso acontece no Brasil.

    Hitler escolheu um povo específico para matar? Meia verdade! Hitler não matou só judeus, matou negros, homossexuais, comunistas, ciganos… O fato é que os assassinatos em massa nazistas tinham uma função econômica: roubar as vitimas e usar seu dinheiros e bens para financiar a guerra.

    Uma política de morte com fins econômicos também foi adotada por Bolsonaro: diante de uma pandemia, não façam nada, mantenham a economia funcionando. Esperem a imunidade de rebanho, tomando remédios ineficazes. Os mais fracos vão morrer? Vão, mas todo mundo morre um dia. Quem são os mais fracos no Brasil? Além dos mais velhos, os mais pobres, em sua maioria negros. Além desses, os indígenas por questões de imunidade e de menor acesso ao tratamento. Dentro desses todos, os que passam fome, diante da total negligência do governo federal com a inflação dos alimentos e sua contribuição decisiva para o aumento do dólar que engorda as contas de seu ministro da Economia no exterior.

    O fundamental é que tanto Hitler quanto Bolsonaro sacrificaram vidas para expandir seu poder. O mais chocante de tudo é que ambos conseguiram naturalizar isso, como se não houvesse outra alternativa, como se fosse normal. Ambos conseguiram desumanizar as mortes, transformando em “mimimi”, . Não lembro de ouvir falar de Hitler imitando alguma vítima agonizando em um campo de concentração como Bolsonaro fez.

    Comparar Bolsonaro com Hitler não é dizer que são iguais, mas que há sim, semelhanças importantes no essencial, apesar de o tempo e o lugar serem outros. Usar de detalhes factuais para desqualificar essa comparação pertinente é agir com cinismo ou com cumplicidade. A História julgará a todos que se comportam como cúmplices, por ação ou por omissão, com a maior tragédia humanitária que já ocorreu no Brasil.

    600 mil vidas perdidas é um genocídio e o responsável tem nome e tem CPF. Só no Brasil que isso ainda não é consenso.

  8. Avatar Samuel de Freitas disse:

    A revista errou ao comparar Bolsonaro com Hitler, o Hitler era muito melhor que ele, pelo menos se matou, esse idiota não terá essa atitude digna.

  9. Avatar Jáber Jr disse:

    A desgraça de um povo é provocada por gente inescrupulosa. Essa revista istoé, faz parte do lixo que revolta as pessoas. A revista não presta e sua equipe, tão pouco. São covardes e mentirosos, escrevem de forma imunda e irresponsável.

  10. Avatar Sergio vignati disse:

    Joao acho que vc sonhou ou nunca esteve na Alemanha trabalho no consulado a 23 anos e nunca houve esses comentarios ou ouvi tamanha asneira cuido exatamente da area de relacoes institucionais e das relacoes com periodicos.

  11. Avatar Serguei Alexandre Reis disse:

    Revistinha de merda e editorzinho de sexta categoria. Se existe alguém que pode ser comparado ao lixo nazista, esse alguém com certeza deve ser da esquerda mentecaPTa. Genocidas são os governadores oportunistas, a oposição despeitada, os medíocres da CPI da vergonha. Esse papinho mímimi de “morreram milhões de pessoas” e blá blá blá já encheu o saco! Milhões morreram e milhões vão morrer, eu peguei essa porra de COVID no isolamento e usando máscara seu bando de retardados. Acordem pra cuspir !!!

  12. Avatar Carina disse:

    Queria saber se as 600 mil mortes que acusam o presidente de ser responsável , se inclui que faleceu por covid19 mesmo vacinado. Perdi 6 entes queridos no mês de agosto todos com as duas doses e tomando todas as precauções… Pergunto-lhes vacina seria solução a fim de evitar as 600 mil mortes? Certamente que não! Povinho não cansa de se fazer de demente: Vacina não impede infecção, nem transmissão, portanto não imuniza! Pega o gráfico de agosto do ano passado, quando não haviam as picadas, o gráfico segue o exato mesmo padrão que está ocorrendo esse ano, após um número alto de mortes, um desaceleramento na transmissão e consequentemente o n° de mortes, mas este ano esta tendência é atribuído a vacina 🤡

  13. Avatar luiz deodoro de brito disse:

    Sr.Elder..comunista como o sr. deveria ler ou ver o documentário HOLODOMOR. Achar que Bolsonaro é equivalente a Hitler, é de tamanha ignorância pelo fato que com uma publicação do tipo na Alemanha de HITLER, SERIA IMEDIATAMENTE EXTERMINADA E SEUS PROPRIESTÁRIOS E FAMILIARES EXTINGUIDOS DA FACE DA TERRA. E o sr. e sua corja, está aí pra falar asneiras. e não será nem processado

  14. Avatar ADILSON BARBOSA DE SOUZA disse:

    Bolsonaro tem seus erros….nao é perfeito, bem ao contrário…Mais comparar ele ao maior assassino de todos tempos cheira coisa podre…..Tudo pela política.. ..nao..Estao errados, sejam corretos em seus comentários..

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