Euler de França Belém
Euler de França Belém

Rede social sozinha não decide eleição pra nenhum candidato a prefeito em Goiânia ou em outro lugar

Político que não sai das redes sociais dificilmente ganha eleições para cargos executivos

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As redes sociais são importantes e, até, incontornáveis. Vive-se lá até mais do que se vive nas ruas. Mas o poder delas para mudar eleições é quase nenhum, sobretudo em termos de eleições para o Executivo.

Nas eleições de 2014, as redes sociais foram decisivas para o delegado Waldir Soares, então no PSDB, ser eleito o deputado federal mais bem votado, com quase 300 mil votos. Qualquer que seja a explicação, como voto de protesto, é fato que mobilizou um eleitorado imenso pelas redes sociais. Mas o parlamentar pode ter cometido dois erros básicos. Primeiro, parece ter acreditado que os votos eram inteiramente seus, cativos. Não há votos cativos, ou pelo menos não há por muito tempo. Segundo, não percebeu que os eleitores votam de modos diferentes para o Executivo e para o Legislativo. Por isso, fez uma campanha como se fosse candidato a deputado e não a prefeito. Mas engana-se aquele que pensa que o problema é Waldir Soares. Não é.

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A questão central é que a campanha deste ano, sobretudo para o Executivo, não está se dando nas redes sociais. As redes são importantes, são úteis para ampliar a apreensão do que os candidatos estão propondo, mas isoladas, como se fossem mágicas, não decidem eleições. Os eleitores querem candidatos “reais” e não “virtuais”. Por isso, as reuniões nos bairros, as conversas diretas com os eleitores, a propaganda eleitoral na televisão (que continua importante até para se conhecer os candidatos, inclusive fisicamente) e aquilo que é publicado nos jornais (nas versões impressa e digital) são mais importantes do que ficar o dia inteiro postando informações nas redes sociais.

Há outra questão: as pessoas que estão nas redes sociais, o dia inteiro ou não, não se interessam tanto pelas postagens de assessores de imprensa e militantes (as postagens abundantes, aliás, são mal vistas pelo usuários das redes). Gostariam, muito mais, de travar contato direto com os candidatos, o que, a rigor, não está acontecendo. Até por que parte dos candidatos sequer entende direito como funciona a internet e as redes sociais. Pelo menos três dos candidatos não acessam a internet e as redes sociais. A campanha de Iris Rezende fala em “aplicativos”, mas é muito provável que o candidato do PMDB a prefeito de Goiânia, um homem “analógico”, não saiba o que é isso.

(Quadros de Tarsila do Amaral e de Portinari)

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