Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Qual será o impacto das redes sociais nas eleições brasileiras?

Grupo que coordenava interação falsa no Facebook foi retirado do ar após investigação sobre amplificação artificial de engajamento de páginas políticas durante campanha eleitoral no México

Foto: Reprodução

Na quarta-feira (15) o Facebook excluiu 72 grupos, 50 contas e cinco páginas da rede social, além de 51 contas do Instagram, sob a justificativa de terem sido encontradas evidências que apontam o comércio de seguidores e curtidas. As políticas de autenticidade e spam do Facebook são claras em relação à proibição deste tipo de prática.

O grupo PCSD, responsável pela coordenação das páginas, é administrado por brasileiros. O dono Jhona­tan Yahsser, que usa um sobrenome fi­ctício, negou as acusações à reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”.

A descoberta se deu após desdobramento de uma investigação sobre a amplificação artificial de engajamento em páginas políticas ao longo da campanha eleitoral mexicana, vencida pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, conhecido pela sigla AMLO, no dia 1º de julho de 2018.

De acordo com a investigação, o grupo negociava páginas, curtidas e seguidores em troca de dinheiro e, durante as eleições mexicanas, teria promovido conteúdo político contrário a AMLO. A reportagem do “Estadão” menciona que existia um risco de que o PCDS atuasse também no pleito que será realizado em outubro no Brasil.

Impacto
Há quem argumente que as eleições deste ano serão decididas pelas redes sociais e que um candidato pode sair vitorioso se priorizar instrumentos digitais como Facebook, Instagram, Twitter, entre outros.

De fato, o Brasil é um dos países mais presentes na internet, segundo relatório de 2017 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês). Ao todo, são 120 milhões de pessoas conectadas, atrás somente dos Estados Unidos (242 milhões), da Índia (333 milhões) e da China (705 milhões), cujas populações são maiores que a brasileira.

Proporcionalmente, contudo, o índice de acesso à internet no Brasil ainda deixa a desejar, apesar do crescimento nos últimos anos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE), 57,8% dos brasileiros estão conectados à web. O número é referente a 2017, mas foi divulgado apenas no início deste ano. Para efeito de comparação, o índice, em 2005, era de 13,6%.

Portanto, pode-se dizer que as próximas eleições serão, sim, as mais digitais da história política brasileira. Entretanto, é cedo para afirmar que as redes sociais decidirão os vencedores. É preciso atenção a três detalhes.

Primeiramente, faz-se necessária a distinção de campanhas para concorrer a cargos legislativos e executivos. Neste sentido, há um consenso de que o chamado fenômeno das redes sócias é mais provável de ocorrer entre postulantes a cadeiras nas Assembleias Legislativas e na Câmara Federal, haja vista que, para governador e presidente, outros elementos costumam prevalecer.

Daí entra o segundo ponto: tempo de televisão e dinheiro. Boa parte dos eleitores não possuem acesso à internet e as propagandas na TV e no rádio serão o principal meio que os candidatos utilizarão para atingir este público. Logo, quem tem mais recursos sai na frente. E, na disputa por cargos executivos, há quem tenha quase metade do tempo, enquanto outros dispõem de poucos segundos.

Por fim, as práticas realizas pelo grupo PCSD nas eleições mexicanas podem se repetir por aqui. Em outras palavras, políticos devem usar artifícios para parecerem populares nas redes sociais e, assim, enganarem o eleitor — no México, os sobrenomes das contas falsas eram de brasileiros; no Brasil, geralmente são árabes.

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