Euler de França Belém
Euler de França Belém

Por que doleiro teve a coragem de dizer que repassava dólares à poderosa Rede Globo?

Dario Messer, o doleiro dos doleiros, contou ao Ministério Público Federal que entregava dólares para dois irmãos Marinho. A família nega

O doleiro Dario Messer atraiu a atenção da imprensa porque, na sua delação premiada com o Ministério Público, decidiu devolver 1 bilhão de reais assaltado do Erário e, ao mesmo tempo, contar como e para quem operava. A informação mais surpreendente, até agora, foi revelada na reportagem “Em delação, Messer diz que entregava dólares aos Marinho, da Globo”, de João Batista Jr., da revista “Veja”, divulgada na sexta-feira, 14.

Dario Messer: o doleiro dos doleiros pode “incendiar” a República | Foto: Reprodução

No depoimento ao MPF, prestado em 24 de junho deste ano, Dario Messer disse, registra a “Veja”, “ter realizado repasses de dólares em espécie para os Marinho em várias ocasiões. Segundo o delator, a entrega dos pacotes de dinheiro acontecia dentro da sede da Rede Globo, no Jardim Botânico. Messer diz que um funcionário de sua equipe entregava de duas a três vezes por mês quantias que oscilavam entre 50 mil e 300 mil dólares”.

Dario Messes sustenta que começou, de acordo com a “Veja”, “a fazer negócios com os Marinho por intermédio de Celso Barizon, supostamente gerente da conta da família no banco Safra de Nova York. Os repasses teriam começado no início dos anos 90”. O doleiro frisa, anota a “Veja”, que “os valores em espécie entregues no Brasil seriam compensados pelos Marinho no exterior, por intermédio da conta administrada por Barizon. Os Marinho depositaram para Messer (no exterior também) o valor entregue em dinheiro vivo no Brasil”.

O funcionário da Globo José Aleixo seria a pessoa que recebia os dólares. “Messer não apresenta provas dessas entregas de dólares e cita em depoimento que nunca teve contato direto com os Marinho”, relata a publicação. O doleiro assegura que o dinheiro era repassado para os irmãos Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo e vice-presidente do Grupo Globo.

Dario Messer: o esquema que está revelando é explosivo | Foto: Reprodução

A família Marinho explicou-se em nota: “A respeito de notícias divulgadas sobre a delação de Dario Messer, vimos esclarecer que Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho não têm nem nunca tiveram contas não declaradas às autoridades brasileiras no exterior. Da mesma maneira, nunca realizaram operações de câmbio não declaradas às autoridades”. No “Jornal Nacional”, na sexta-feira, 14, William Bonner comentou a reportagem da “Veja” e leu a nota do Grupo Globo.

A “Veja” posiciona-se a respeito da história: “O histórico dos últimos anos de delações na Justiça brasileira recomenda muito cuidado com acusações do tipo, muitas vezes feitas de forma irresponsável pelos réus como uma tentativa desesperada de reduzir a pena”.

O que resta à revista Veja explicar aos leitores

Há falhas de apuração na reportagem da “Veja”.

Primeiro, não ouviu Celso Barizon, “gerente” do Safra em Nova York, e tampouco o banco. Como o caso é de alta gravidade, será importante ouvi-los, para saber se confirmam ou desmentem a história do doleiro.

Segundo, a revista não faz uma pergunta crucial: por que um doleiro, condenado a 18 anos de cadeia (ficará no máximo três anos), teria ousado enfrentar, sozinho, a maior rede de comunicação do país?

Terceiro, por que a “Veja” não procurou ouvir José Aleixo, suposto funcionário da Globo? E, acrescente, por que o “Jornal Nacional” também não ouviu o funcionário? Ele não existe, é uma ficção inventada pelo doleiro? Se existe, e se não recebeu os dólares, por que o doleiro sabe o seu nome?

Quarto, quem era o funcionário de Dario Messer que levava os dólares à sede da Globo no Rio?

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