Euler de França Belém
Euler de França Belém

Polícia prende assassino confesso de miss de 22 anos

A vida parece imitar a arte. A história do analista judiciário lembra em parte a do filme “Rocco e Seus Irmãos”, de Luchino Visconti

A Polícia Civil do Amazonas prendeu Rafael Fernandes Rodrigues, de 31, que confessou ter matado a namorada, Kimberly Karen Costa, de 22 anos, em Manaus. Bonita e carismática, havia vencido um concurso de miss. O funcionário do Tribunal de Justiça está preso.

Rafael Rodrigues: assassino confesso | Foto: Reprodução

(O filme “Rocco e Seus Irmãos”, do diretor italiano Luchino Visconti, conta a história da família Parondi — que saiu de Lucania [Basilicata], no Sul agrário, menos desenvolvido, e vai para Milão, no Norte da Itália, mais desenvolvido, em busca de uma vida mais confortável. A família da matriarca Rosaria [Katina Paxinou] buscava principalmente dignidade. Sem qualificação, restam aos quatro jovens [o quinto é criança] retirar neve das ruas e lutar boxe. Simone [Renato Salvatori] se torna lutador, mas, vivendo uma vida dissoluta — bebia muito e roubava —, logo se torna um perdedor. Apaixona-se pela prostituta Nadia (Annie Girardot). Mas Nadia afasta-se dele, porque, além de bêbado, é violento e larápio. Em seguida, Nadia começa a namorar Rocco [Alain Delon, no auge da beleza], que também se torna boxeador, só que vencedor. Os dois se apaixonam e a jovem decide deixar a vida de prostituta. Simone reaparece, estupra Nadia e espanca Rocco. Alma do bem, de uma pureza religiosa, Rocco termina com Nadia, alegando que Simone precisa dela. O que Simone faz com aquela que não o quer mais? Mata-a a facadas. Ciúme? Sim. Sobretudo, desprezo pela mulher independente, que sabe o quer.)

Kimberly Karen Mota: assassinada aos 22 anos | Foto: Reprodução

A vida imita a arte e a arte imita a vida. Ao ser preso, Rafael Rodrigues apresentou sua versão, segundo o registro da polícia: “Ele disse que que, na noite do crime, eles [Rafael e Kimberly] estavam no apartamento dele, quando a Kimberly foi ao banheiro. Naquele momento, ele pegou o celular dela, descobriu a senha e viu mensagens de outros homens, com os quais a moça conversava. Ele disse que isso fez ficar com muita raiva. Foi então quando ele foi à cozinha, pegou uma faca, a escondeu nas costas e foi deitar na cama com a vítima. Em um momento de distração, ele deu o primeiro golpe, que ele disse ter sido bastante violento. Logo depois, quando ela já estava desfalecida com o primeiro golpe, ele aplicou os outros dois”.

Logo depois de matar Kimberly, Rafael Rodrigues ligou para o pai, que o aconselhou a se entregar à polícia. O assassino confesso não aceitou a orientação e fugiu. Só não conseguiu entrar na Venezuela porque, devido à pandemia do novo coronavírus, a fronteira estava fechada. Para aumentar a tragédia, o pai de Rafael se suicidou. Ao ser preso, o analista judiciário disse aos policiais que se culpava pela morte do pai. Sobre Kimberly? Não demonstrou preocupação relevante; ao contrário, decidiu “acusá-la” de conversar com outros homens. Ela só lhe serviria, por certo, se não tivesse “identidade”, se conversasse apenas com ele. O que Kimberly queria de fato? Viver. Ser feliz. Ser sociável. Ser amada. A maldade de Rafael Rodrigues se tornou a pedra definitiva no seu caminho.

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