Euler de França Belém
Euler de França Belém

Poeta experimentada, Dairan Lima lança seu primeiro livro. Imperdível

A poeta poderia ter lançado vários livros, pois escreve e guarda seus trabalhos há anos. Mas só agora criou coragem e lança “Vermelho”, uma pequena coletânea de sua obra

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Na década de 1980, eu e Dairan Lima andávamos juntos com frequência (é dos tempos em que eu andava com os bardos Valdivino Braz, Tagore Biram e Pio Vargas). Éramos namorados? Não; só amigos. Amigos meus que não a conheciam direito diziam “Dairan é doidona!” Eu ria, porque não era nada disso. Dairan Lima era poeta — das melhores — e, como ser humano (nem digo mulher, porque seria redutor), à frente de seu tempo. Não era das vanguardistas teóricas que, na prática, por vezes são reacionárias. Era uma revolucionária total — como poeta e pessoa. Uma revolucionária na forma, no conteúdo e no cotidiano. Incontrolável, acima das ideologias. Enfim, uma poeta no que escrevia e na forma como vivia. Assim era a garota que todos admirávamos, mas, para os que estão sempre na vanguarda do atraso, era a “doidona”. Paga-se um preço quando se é inclassificável.

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Leio, no ótimo site Nega Lilu, que Dairan Lima está lançando seu primeiro de poesia. Uma pena. Deveria ter lançado dez livros, no mínimo. Li algumas de suas poesias, que enviou por e-mail há algum tempo. Parecem, a princípio, derramadas e discursivas. Há mesmo um pouco disso, porém, no cerne de sua poesia, há contenção, controle absoluto do que é dito — o que não é sinônimo de frieza. Não deve ser associada ao racionalismo faca só lâmina de João Cabral de Melo Neto; sua poesia é mais próxima da de Carlos Drummond de Andrade e, quem sabe, Manuel Bandeira e Cecília Meirelles (a diferença é que esta é por demais pudica). Vale cotejo com a ótima poesia de Orides Fontela. Há um diálogo visceral com a vida real, com ampla mediação dos sentimentos, mas com a forma, a racionalidade, reorganizando as emoções. Mas sem demolir as emoções, que, no caso, não são escravas da forma.

“Vermelho” (selo literário Pantheon da Nega Lilu Editora), título do livro de estreia de Dairan Lima (integrante de uma família na qual todos escrevem muito bem, o que é raríssimo), será lançado no Evoé Café na quinta-feira, 9, às 20 horas, em Goiânia. O livro entra para a minha lista penelopiana de leitura. A obra contém 37 poemas e a tiragem de mil exemplares. Marlan Cotrim é o ilustrador.

Ao site Nega Lilu, Dairan Lima disse: “‘Vermelho’ traz uma exposição dilacerante de humanidades. Os amigos Yêda Schmaltz e Carlos Sena Passos me motivaram muito, queriam me convencer de que eu era uma escritora, mas tudo tem sua hora”.

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Adalberto De Queiroz